apê comTijolo 2016

estar concreto

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o home office

O nosso apartamento é praticamente um camaleão. Desde que viemos morar juntos, ele vem mudando de layout e composição. Quando encontramos o nosso apê e mudamos, ele não tinha nada dentro. Aos poucos fomos conquistando cada objeto, cada móvel, cada cantinho. Isto fez parte de um detalhado período de trabalho, de seleção de prioridades, de escolhas pensadas e espontâneas também. Passamos por dias difíceis e outros mais fáceis, com as contas e no nosso relacionamento. São transições e conversas (muitas conversas!) que fazem parte do dia a dia. Quando as pessoas perguntam: e ai? o apartamento está pronto não é? Sempre dizemos que não! Ainda há tanto para fazer? E por que isso? Pois para nós, o apartamento faz parte das conquistas individuais e do casal também. Faz parte de um amadurecimento pessoal, do crescimento das nossas empresas e, consequentemente, das nossas necessidades dentro do espaço. O nosso espaço, assim como nós, está em constante transição e evolução.

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o nascer do sol para quem entra no apê

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home office integrado com sala de estar

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dormitório integrado com sala de estar

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home office integrado com sala de jantar e cozinha

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o hall integrado com sala de jantar e todo o resto

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detalhes da nossa história no espaço

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a cozinha e área de serviço que também é varanda e horta

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a nossa galeria, bar e banheiro

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o banheiro e seus detalhes

trabalhar menos e produzir mais

criar contexto

Regular trabalhando no projeto nimbus workspaces

trabalhando no projeto Nimbus Workspaces

No ano passado, eu e meu sócio na AEROGAMI dedicamos longas horas ao desenvolvimento de um software de gestão de projetos. Muitas atividades costumeiras às noites ou finais de semana, foram substituídas por trabalho árduo em códigos, design e experiência do usuário. Estávamos operando em nosso limite energético, mas, acreditávamos tanto no produto que tudo fazia sentido. Este ano alcançamos um ponto estratégico do projeto: é hora de lançar para o grande mercado e evoluir a partir do retorno dos clientes. Estamos muito confiantes na qualidade do trabalho mas, tirando os investimentos que atraímos, ainda não atingimos estabilidade financeira nesta empreitada. Já estamos, contudo, colhendo os frutos em forma de aprendizado. Uma das principais lições que levo é que mais horas de trabalho não são iguais a mais resultados - mas, mais foco, é. Para focar é preciso energia e para ter energia, é preciso descansar. Entendi que não precisamos produzir mais durante mais horas, mas produzir melhor durante menos horas. Aprendi a escutar melhor o meu corpo, afunilar minha motivação para criar micro soluções mais inteligentes, e parar para recarregar de vez em quando. Hoje temos consciência dos erros que cometemos e sabemos que, aplicando as premissas citadas acima, poderíamos ter economizado alguns meses de trabalho. A experiência ainda é a melhor professora, pois gera absorção de um conhecimento holístico. E este, é o melhor resultado que poderíamos esperar.

Regular pausa para descansar

pausa para descansar

tire os sapatos ao entrar em casa

pensar acordado

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o armazenamento dos mais usados e a cadeirinha para calça-los

Quando alguém chega para visitar o nosso apê. Damos um breve olá e pedimos gentilmente: “será que você pode tirar o sapato para entrar?”, antes que elas dêem o primeiro passo para dentro. Algumas pessoas olham confusas até que a ficha cai e falam: “ah sim, claro!”. E às vezes temos que adicionar: “desculpa, é que temos este costume aqui em casa!” Outros já sabem que temos este hábito, ou também o praticam em seus próprios lares, e já começam a tirar o sapato antes mesmo de nos cumprimentar. E ainda adicionam: “você tem uma meia? estou com frio no pé!”.

Sim, o nosso piso não é lá o mais agradável de se caminhar quando o clima está mais frio. Ele é frio também! O cimento queimado tem inúmeras vantagens como uma boa temperatura, uma textura mais lisa, frio (ótimo para os dias de verão e nada que uma pantufa no inverno não resolva) e a facilidade de limpeza. Mas quem tem tempo de limpar o piso todos os dias? Por inúmeras questões, sendo uma das principais a limpeza e higiene, logo resolvemos quando mudamos: “devemos tirar o sapato antes de entrar em casa!”.

É um hábito muito praticado em países europeus e orientais. No Japão é natural que todos tirem os sapatos como sinal de respeito pela pureza do lar e higiene. Eles acreditam que carregamos muitas impurezas, não só físicas, mas também energéticas nos nossos calçados. As energias ruins que coletamos pelas ruas devem ficar do lado de fora. Um costume muito praticado também em templos e locais sagrados. Por motivos óbvios. Pisar de sapato em seus ambientes puros é considerado um sinal de desrespeito e ofensa. Já na Europa em países como Alemanha e Suiça a questão é mais higiênica e de limpeza. Ninguém tem ajuda diária, ou sequer semanal e quinzenal, para limpeza. Por isso depende das famílias manter as casinhas do jeito ideal para a saúde de todos. Botas com neve, sapatos de terra na primavera, tudo fica em móveis ou armários estrategicamente colocados na entrada das casas. Não se pergunta, apenas se faz. Por isso, por lá, não importa muito o sapato que você usa como parte do look, quando o assunto é ir na casa de alguém. No inverno é comum todos estarem super elegantes, por baixo de casacos grandes de inverno e botas e, ao chegar, se tira tudo e mostra-se o verdadeiro look (de meia ou descalço). Um amontoado de sapatos do lado de fora indica a porta que o encontro acontece.

Por ser um costume muito praticado na Europa, acabou sendo parte da minha educação na casa dos meus pais. Uma influência das origens e uma consciência de cuidados com os filhos. Desde pequenas nos arrumamos todas, buscamos o sapato da vez, e com o par nas mãos nos alinhávamos no hall para vestí-los. Quando isso não acontecia de fato dentro do elevador. Na adolescência levamos muitas broncas com a preguiça e vontade de ver o look completo no espelho do quarto. Ai de você se saísse caminhando pelo corredor calçado. Como minha mãe dizia: “andar na ponta do pé não adianta nada!”. Por quê mantivemos esta tradição, mesmo não sujando botas de neve ou terra? Por questões de higiene. Quando caminhamos nas ruas da nossa cidade, passamos por diferentes superfícies, resíduos e bactérias. Já pensou sobre isso? Imagina o que não entra na sua casa. Mesmo ao deixar o sapato no quarto e seguir o trajeto descalço e depois deitar na sua cama. Já imaginou o que vem da rua direto para os seus lençóis?

Mantivemos o mesmo hábito assim que mudamos. Ainda não encontramos uma solução definitiva para armazenar os sapatos mais usados no cotidiano, mas o que é definitivo na vida, certo? Por enquanto descalçamos da rua logo ao entrar e posicionamos os sapatos próximos à entrada dentro de um caixote feito de um antigo estrado de cama. Na área de serviço uma caixa de feira abriga os tênis e outros calçados ligados ao esporte.

E sim, se você nos visitar, lembre-se da meia furada e do chulé. Também vamos pedir, gentilmente, para que liberte os seus pés e sinta o chão sob eles. Para assim estar realmente presente conosco, e no nosso apê.

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os sapatos se tornam parte da decoração

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a entrada do nosso apê

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e a "caixa do esporte" na área de serviço

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