série 1/4 sobre 2

quem posta o que?

pensar acordado

Regular sam 2973

a organização diária do apê

Constantemente ouvimos a pergunta: Quem posta as fotos no Instagram? E quem escreve no blog? Como sabem o Marcos e eu, além de administrar e criar conteúdo para o blog, temos as nossas próprias empresas, ele a Aerogami, e eu o studio kaju.ink. Portanto, diariamente dividimos as horas entre elas, os afazeres de casa e o comTijolo. Ah! E claro que no meio disso tudo temos um tempinho para nós também.

Não temos muitas regras do que postar em que horário. E também não somos supersticiosos. Por experiência e estudo sabemos os horários que tem maior audiência no público, mas as coisas correm mais orgânicas.

No ano passado me carreguei de projetos e trabalhos para conseguirmos nos ajustar à vida a dois aqui no apê. Por isso acabei passando muito tempo na rua e o Marcos, com a agenda mais flexível, acabava se dedicando mais ao comTijolo. Este ano as coisas se inverteram um pouco, pois a Aerogami tem agora sua base no co-working chamado Osmose. Ele sai cedo e volta no começo da noite e eu estou tentando trabalhar mais do studio. A administração do tempo fica mais flexível em minhas mãos e busco criar mais conteúdo para o blog. A nossa comunicação, mesmo sendo à distância agora nos permite dar ideias e sugestões o tempo todo.

Mesmo com estas pequenas mudanças no cotidiano temos as tarefas de casa bem divididas e seguimos com o que naturalmente aconteceu ao longo do ano passado. O Marcos começou a cozinhar e registrar isto. Sucos, sopas e pães estão virando suas especialidades. Eu virei cobaia com um grande sorriso no rosto e não coloco a minha mão nestes assuntos. As plantas também são o seu departamento. Quando morava com os pais nunca cuidava das plantas que tinham por lá, a não ser a Leia, uma árvore que ele comprou há uns três anos atrás e que vivia em sua varanda. Logo que mudamos era claro que teríamos uma horta, que logo foi se multiplicando e tomando conta de todos os cômodos da casa. Ele revelou ter um dedo verde. É curioso sobre o assunto e por isso pesquisa intensamente as espécies, seus cuidados e as pragas que podem aparecer. As poucas vezes que tentei cuidar das plantas o resultado não foi muito positivo. Tive a proeza de deixar um cactus morrer de sede e afogar uma orquídea. (ops!) Toda a produção de móveis, famoso #carambaumacaçamba , também sai das mãos do Marcos. Por ele ter estudado desenho industrial, com foco em produto, ele tem uma facilidade com maquinários e claro, é mais forte do que eu. As minhas áreas são outras, as refeições do cotidiano, os cuidados com as roupas e tudo que está ligado a fazer um pouco de arte, seja pintando uma parede, um objeto, um diy de menor escala ou arrumando os detalhes de decoração na casa. Sim, sou detalhista pela leveza, claridade e para deixar tudo em seu devido lugar. Gosto das coisas arrumadas, limpas e organizadas, e, embora o Marcos seja ótimo com isso também, ele brinca que o dia que ele estiver sentado no lugar errado, eu jogo ele fora. Também não é assim… (mas quase!)

Temos uma divisão natural de interesses e afazeres, mas isto não impede que um fale do, ou pelo outro. Muitas vezes, dependendo da disponibilidade de cada um, nos passamos um pelo o outro também (ops!). Mas claro, se prestarem bem atenção, como disse a nossa amiga Lilla, é muito fácil identificar quem posta o que. O Marcos tem um tom mais formal, mais poeta, mais romântico, e eu, por outro lado, ainda aprendendo a escrever, tenho uma linguagem mais simples e direta. Mas no final das contas, não importa muito não é? Um aqui ou o outro ali, somos duas pessoas vivendo juntas, com cotidianos que se cruzam e interesses e personalidades que se complementam.

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a horta e a terapia do marcos

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diy de pequenos itens que vão compondo o apê

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padaria comtijolo quase todos os sábados

ele abaixa a tampa

pensar acordado

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eu e você. você e eu. "casados"

Em todos os encontros de amigos e família, desde que nos mudamos juntos para o apê, constantemente ouvimos perguntas do tipo: Como vai a vida de “casados”? Já se irritaram com as manias um do outro? Quando vão casar? Seguindo o conselho de uma amiga, a primeira resposta que damos é: Já estamos casados (fazendo o movimento de telhado de casa com as duas mãos sobre a cabeça)! A segunda é: até que não nos irritamos tanto assim com manias. Os dois tem manias de organização e limpeza, o que deixa o apartamento (na maioria das vezes) arrumado. As pessoas logo mudam de assunto.

Com amigos que compartilham do mesmo pensamento frequentemente discutimos tais temas. Existe uma questão tradicionalista que ainda reina na nossa cultura. Para duas pessoas estarem juntas elas devem se casar, na igreja, no cartório e toda aquela festa bombástica para um grupo enorme de pessoas com doces de todos os tipos e para todos os gostos. Nada contra isto claro! (Aliás nos divertimos sempre nestas ocasiões inesquecíveis e apreciamos a boa companhia, comida e música.) Apenas pensamos um pouco diferente. O casar e o se irritar com manias não é tão necessário. Para nós, o fato de estarmos juntos, sob o mesmo teto, compartilhando tudo é válido da mesma forma. A decisão de morar juntos veio acompanhada de conversas sobre o “querer estar juntos”, o “compartilhar” momentos , se ajudar, se entender e claro, as divisões financeiras. O “para sempre”, ao nosso ver, está muito longe e preferimos não planejar tanto o futuro.

Cada casal tem as suas dificuldades, brincadeiras e acordos. Assim como qualquer união, a nossa também não é livre de pequenas manias e conversas mais sérias. Há algum tempo estivemos em um jantar de aniversário, e um amigo nos perguntou, depois da clássica pergunta de casamento: Kalina, você não fica brava quando o Marcos deixa a tampa da privada levantada? E Marcos, não te irrita o fato de a Kalina soltar cabelo pela casa toda? Nós dois rimos e respondemos quase que simultaneamente; Eu: O Marcos não deixa a tampa levantada. Ele: Acho que solto mais cabelo que a Kalina. O amigo ficou um pouco sem jeito e falou: Apenas acho que todos os casais tem manias e coisas que irritam um ao outro. Rimos novamente: Acho que não temos tanta coisa assim… Ele ainda buscou alguns exemplos que rimos ao não se aplicarem a nós e logo mudamos de assunto.

Logo após a mudança tivemos mais conversas para nos acertarmos às rotinas um do outro. Aos poucos os dois foram se encontrando e se ajustando ao realmente dividir o espaço. As tarefas foram se dividindo quase que automaticamente. Quando um cozinha o outro lava a louça. O Marcos cuida das plantas e da horta. Eu lavo as roupas e dobro quando secas. Limpamos o apê juntos. O Marcos a cozinha e eu o banheiro. Quando um está passando por uma semana puxada no trabalho, o outro tenta aliviar ao assumir mais responsabilidades. O mercado é sempre em conjunto, mas quase que naturalmente cada um vai se dirigindo para uma ala e ficando responsável por certos mantimentos. Ambos tem as suas próprias empresas, ambos precisam trabalhar cargas de horas maiores do que o normal, portanto fizemos um acordo, mesmo que não verbal, que ambos dedicarão tempo ao apê, seja através da divisão de tarefas, seja no companheirismo de fazer uma ida ao mercado ser algo divertido em uma manhã de quarta-feira. Na maioria das vezes as coisas se ajeitam e fluem naturalmente.

Não somos perfeitos e o nosso relacionamento também não é. (Que bom! Imaginem o quão entediante seria.) Existem desentendimentos, vontades de momentos a sós, conversas sobre o fazer ou deixar de fazer, sobre atitudes, atrasos sem iguais, acusações, cobranças, comentários atravessados e a tpm – sim, às vezes ela também fica entre nós. Também não somos perfeitos um para o outro. Somos bem diferentes nos mais variados níveis, mas acho que, ao final do dia, dê alguma forma, estamos a caminho de construir algo especial dentro de uma rotina equilibrada. E a cada final de dia, ao olhar para ele compenetrado com seus projetos – mesmo que estes tirem o meu sono de vez em quando, quando ele se deita pelas horas da madrugada – sorrio. Hoje, neste momento, estou feliz, e nada mais importa.

in dependência

pensar acordado

Regular fam lia

família reunida

Nós dependemos uns dos outros de maneiras e níveis diferentes. O ser humano, por aspectos evolutivos que agiram sobre a anatomia da espécie, é um dos animais mais dependentes de seus pais após o nascimento. Ao passo dos anos, ao se tornarem mais independentes em relação a locomoção, comunicação, alimentação e sobrevivência de modo geral, se tornam também mais dependentes em quesitos emocionais. Nossos relacionamentos com família, parceiros, amigos e colegas, são marcados por aspectos que definem o nosso ser, dia após dia, ao ponto que, existir apenas por existir, sem o adendo destes vínculos emocionais, se torna uma mera missão de sobrevivência, em detrimento de uma vida plena.

A curva evolutiva da seleção natural deu a cada animal capacidades diferentes de sobrevivência. Algumas espécies de tartarugas, por exemplo, nascem e correm pra se aventurar no mar, pra longe de sua mães, para nunca mais vê-las. As orcas, por outro lado, animais de inteligência emocional superior a humana, levam vidas centenárias ao lado de todos os membros de sua família, a ponto de cada núcleo familiar ter seu próprio dialeto. Na mesma linha, nós humanos somos seres dependentes. À medida em que a nossa espécie se tornou ereta em meio a milhares de anos de evolução, os recém-nascidos se tornaram cada vez mais subdesenvolvidos, devido a redução de espaço para o amadurecimento dentro do útero. Alguns cientistas e historiadores apontam que a cultura humana familiar pode ter surgido devido a esta dependência dos filhos para com os pais nos primeiros anos de vida após o nascimento. Com isso, o ser humano nasce fisiologicamente dependente e morre emocionalmente dependente de seus semelhantes.

Quando eu era garoto, tinha um ímpeto de independência exagerado. Nunca fui de exprimir meus sentimentos para ninguém, e só falava quando, segundo minha avó, tinha uma estilingada certeira para soltar, após horas de observação contemplativa. Meu pai conta que, no meu primeiro dia do maternal, momento doloroso e de choro exarcebado para a maioria das crianças, eu, seguindo o exemplo das tartarugas, corri para me aventurar na sala, e sequer olhei para trás. Quando eu tinha uns 7 anos de idade, me perdi de minha mãe numa unidade do colégio, e foram me encontrar horas depois, um quarteirão acima, dentro da sala de aula, na outra unidade do colégio, um pouco triste apenas porque estava sem a lancheira com minha merenda. Esta vontade de explorar o mundo por conta própria continua, mas aprendi, anos mais tarde, que eu precisava me abrir emocionalmente para viver as melhores experiências de vida.

É preciso emancipar-se emocionalmente para perceber que, não há problema nenhum em depender do próximo. Em 2005, vivi um ano intenso na Nova Zelândia e tenho esse momento como um marco de minha própria evolução. Ali eu aprendi às pressas, que precisava me abrir e me relacionar com desconhecidos, para tirar proveito de uma oportunidade de ter experiências inesquecíveis. Assim foi e, de lá pra cá, criei e cultivei inúmeros relacionamentos, afetivos, coloridos, profissionais e de todos os tipos, profundos ou não. São estes todos, junto com meus laços familiares, que me definem hoje, estando eles ativos ou dormentes.

Meus quase cinco anos com a Kalina são, da mesma forma, mais um esforço neste sentido. Apesar de tentarmos dividir todas as nossas funções e obrigações igualitariamente, dentro do apê, com nossas empresas, e nas experiências de nosso relacionamento , dependemos um do outro de formas e níveis diferentes. Às vezes um precisa de uma consultoria técnica, às vezes outro de apoio emocional, e às vezes um precisa de uma ajudinha financeira. Seja qual foi a maneira ou nível que você depende de alguém, no fim das contas, são estes momentos que te permitem viver uma vida feliz, e que lembramos anos depois com carinho e nostalgia.

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os custos da vida a dois

estar concreto, pensar acordado

Regular into the wild

do filme, Into The Wild

Nós chegamos nesse mundo da mesma forma que daqui partimos: sozinhos. No meio tempo, no entanto, buscamos nos conectar e interagir uns com os outros, buscando reconhecimento, apoio, inclusão e laços. “Happiness is only real when shared”, escreveu Christopher McCandless no seu notório livrinho que levou para sua aventura pelo Alaska. Cada um de nós é dotado da própria personalidade, manias, medos e desejos – é por isso que o ato de conviver é tão desafiador e, ao mesmo tempo, tão excitante: nós queremos sempre mais, mas por issso, temos que arcar com os custos.

Aqui no apê não é diferente. Kalina com as esquisitices dela, eu com as minhas. Conflitos são inevitáveis e importantes: com eles, aprendemos a ter menos deles – basta que sejam seguidos de uma boa conversa, é claro. Com isso, a vida a dois tem seus custos no seu estilo de vida – você perde parte de sua privacidade e, aquele espírito Into the Wild de fazer o quer, a hora que quer, da maneira que quer tem que dar lugar a um espírito mais compartilhador: ambas as partes precisam estilingar um tranquilizante no instinto animal e aprender a dividir o território.

Um dos custos mais significativos que arcamos, juntos, é provavelmente o custo financeiro. Nós dividimos todas as contas do fim do mês e usamos um aplicativo bacana para nos ajudar com os números. Como um dos intuitos desse blog é transparecer as dificuldades e prazeres dessa mudança de fases, decidimos dividir com vocês também os custos reais do dia a dia de um casal vivendo (de forma simples, mas bem) nessa selva de pedras.

Já se foram dois meses desde que nos mudamos e já conseguimos traçar uma média. No início, para mobiliar o mínimo necessário, contando mesa de trabalho, de jantar, cadeiras, cama, máquina lava e seca, estantes, iluminação, filtro e outros apetrechos essenciais, gastamos cerca de R$7.000. Vale lembrar que nossos custos nesse quesito são relativamente baixos pois reaproveitamos muitos materiais que encontramos. Os gastos mensais são R$3.000 para aluguel + condomínio; R$200 para contas extras como interNET, água, gás, luz. Cerca de R$200 por semana de mercado (comendo bem, mas aproveitando as promoções, claro, como a quarta-feira Extra ; ). Somando alguns cineminhas, restaurantes, gasolina e custos extras, um mês bem vivido, por aqui, nos custa cerca de R$5.000, divididos por dois = R$2.500. Não é fácil administrar todas estas variáveis mas, com algum esforço é possivel viver bem, sem extrapolar o cartão de crédito.

Compartilhar felicidade é bom. Compartilhar todos os custos de convivência é melhor ainda. Agora, se um de nós decidir jogar tudo pro alto, por uma mochila nas costas e desbravar a natureza selvagem, vai ficar difícil para o outro, né? Compartilhando, vamos todos mais longe.

dia a dia

pensar acordado

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vista da sala, a copa das árvores da mata que nos rodeia, e a Marginal ao fundo.

Assim que nos mudamos para o apê, Kalina e eu experimentamos uma confluência de sentimentos. Tudo era diferente e inusitado: o local, a vista, os vizinhos, cheiros, sons e energias. O processo de adaptação foi - e está sendo, uma aprazível caixinha de surpresas. Lembro-me quando deitamos no nosso recém chegado colchão no primeiro dia – a tão esperada “lua de mel” dessa nova fase e, de tão excitados, não conseguíamos nem dormir: não vai achando que foi sexo, pois na verdade deu grilo. Sim, grilos! Há uma mata densa, um braço verde conectado ao Parque Burle Marx que circunda nosso edifício. Como moramos no 3º andar, pairamos diretamente sobre a copa destas árvores e a noite escutamos uma sinfonia de grilos, o ruído constante de Marginal ao longe (podem achar que somos loucos, mas pra nós este som parece o mar) e uma brisa que dava a sensação que estávamos dormindo na praia – ficamos lá, extasiados, bobos alegres rindo a toa e nada do sono chegar. De fato, concordamos alguns dias depois, a experiência toda de mudança estava com uma cara de férias, como se estivéssemos por aqui para aproveitar – e por pouco tempo.

Tudo que é novo, encanta, assusta, atrai - mas a euforia vem de mãos dadas com uma série de responsabilidades. É assim com novos projetos profissionais ou de vida, é assim com filhos ou animais de estimação, é assim com namoros ou amizades recentes e é assim com mudanças como a que estamos passando. Aquele êxtase inicial está, lentamente, começando a se dissipar e agora é hora de encontrar o equilíbrio entre os afazeres de casa, as responsabilidades das empresas, o social com amigos/família, o tempo para si e a entrega entre nós dois (a ordem dos fatores não altera o produto). Isto é – estou percebendo, mais ou menos como encontrar a constância do amor, após a faísca da paixão – nada simples.

Nosso dia começa cedo e acaba tarde. Não digo isso como uma forma de vangloriação, mas como uma amostra fiel da carga horária que o estilo de vida que escolhemos acarreta - nós damos extrema importância aos pequenos detalhes. Ontem, por exemplo, o café da manhã me consumiu quase duas horas de preparação, pois estava me sentindo inspirado na cozinha. Quando sentei para trabalhar às 9:00, (depois de cuidar da horta), estava pronto para encarar os códigos complicados do projeto que estamos trabalhando no momento em minha empresa. Depois veio um técnico cuidar do aquecedor do nosso chuveiro, depois veio o lanchinho pré-almoço, depois saí para explorar o mato que comentei no começo do texto (onde, a propósito, encontrei uma tigela muito antiga abandonada no meio das árvores – se o dono não se manifestar logo o recipiente vai virar um vaso pra alguma planta da hortinha : P) e a corrida pelo Burle Marx. Quando voltei, preparamos o almoço juntos e quando sentamos para comer já eram 4 horas da tarde. Após o almoço voltamos a trabalhar, depois jantar na casa dos pais da Kalina e quando voltamos para o apê, sentei para escrever este texto que você está lendo. Quando terminei, o ontem já era hoje. Hoje, tudo novamente como ontem – os fatores são semelhantes. A ordem não.

Os dias estão passando rápido e aos poucos o nosso apê está tomando forma. Nossos dias são assim, intensos mas prazerosos, confusos mas organizados. A euforia da (aparente) férias está dando lugar a um carinho por cada detalhe que estamos construíndo juntos. Nosso cantinho começa a parecer um lar e a ficha começa a cair de que este é, de fato, nosso lugar. (pelo menos por enquanto.)

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suco pro café da manhã com Erva Cidreira da horta

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horta

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exercício todo dia

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estação de trabalho

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o mato, nosso vizinho.

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...e o que saiu de lá. : P

e aí, mudou?

pensar acordado

Regular sam 0957

cotidiano

Fui jogar bola com uns amigos essa semana e, na volta, o Rodrigo me perguntou:

  • E aí, você se mudou, o apê tá mudando e ficando bacana, mas e o seu relacionamento com a Kalina, mudou?

A pergunta me pegou desprevinido, como ele bem pode confirmar. Fiquei um tempo a pensar…

  • Não.

Afirmei com certeza momentânea, após segundos de uma enxurrada de lembranças das útlimas semanas.

Já faz quase 1 mês. Vinte e tantos dias que saímos do ninho de conforto da casa de nossos pais para nos aventurarmos no desconhecido, encontrar nosso caminho e construir um lar. Cá estamos e, agora, escrevo-lhes da nossa nova mesa de trabalho, que ainda não está pronta mas já dá pra usar. Falta colar alguns acabamentos, assim como o resto do apê, mas, sentado aqui, vejo os detalhes do nosso cantinho em construção, a nossa cidade ao fundo pelas janelas, Kalina trabalhando ao meu lado desenhando mais alguma de suas incríveis ilustrações e bufando também por algum motivo desconhecido – nada de anormal, mas linda, como sempre.

  • Só melhorou.

Dei uma resposta espontânea que, pela cara de curioso do cara que vestia uma camisa suada do Boca Juniors ao meu lado, carecia explicação.

As últimas semanas foram intensas. Kalina e eu tentando nos equlibrar entre mudança de área e de ares, entre projetos e trabalho, entre mini-open-houses para os amigos e para os familiares, entre furar e limpar, entre comprar e cozinhar, entre amor e sexo – tudo junto e misturado. Uma delícia e, por isso mesmo, creio, nosso relacionamento ficou mais forte e só melhorou. Brigas, é claro: coisas bobas, convivência, manias (schatzie, olha essa esponja encharcada!), esquecimentos (schatz, você deixou a panela no fogo! ), mas de um modo geral, estamos dando um jeito e fazendo quase tudo de mãos dadas. Mercado, cozinha, mesa, sala, quarto, piscina, chuveiro, cama: tudo juntos mas, nem tudo – o que nos leva ao início deste post.

Não importa o quão bem um casal se dá, não interessa se combinam e descombinam na mais perfeita harmonia: todos precisam de um tempo para si – nós não somos diferentes e valorizamos muito o tempo só, ou com os próprios amigos. Ontem eu fui jogar futebol com Rodrigo, Mohamad (meu sócio) e mais um bando de marmanjo e Kalina foi jantar com os pais. Outro dia decidi ficar em casa trabalhando enquanto ela foi visitar nossos vizinhos e amigos (longa história, para outro dia). Em um outro, eu fui correr e ela nadar. Pensando bem, essa separação também é uma forma de nos equilibrarmos, certo?

Muita coisa mudou, claro, mas o relacionamento - concluo com um sorriso de criança com sorvete, só melhorou.

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cotidiano, verdadeiro. : P

illustrations by kaju.ink
piece of cloud by AEROGAMI