série caramba, uma caçamba!

quase um #carambaumacaçamba

estar concreto

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base branca para aplicação de cor

contamos um pouco quem faz o que ou quem cuida do que aqui em casa. Quando fazemos móveis para ao apartamento, o Marcos costuma cuidar do trabalho mais pesado, como cortar, cerrar e furar. Quando detalhes como tinta, lixar e aparafusar entram em jogo, eu ajudo um pouco mais. Já nos itens menores eu tenho maior participação. Buscamos fazer as coisas nós mesmos para deixar as coisas com a nossa cara, mas também para economizar. Compartilhamos as nossas experiências e conhecimentos, para que possam ser aplicados e interpretados por cada um para outros itens.

Recentemente, ao receber amigos, sentimos falta de uma bandeja maior que pudesse nos ajudar a servir bebidas, petiscos ou chá. Toda vez que entramos em alguma loja ligada a decoração de casa dou uma olhada nas opções. Além de nunca encontrar aquela que atendia as nossas expectativas, elas não custavam menos de R$ 120. Por não ser uma prioridade acabamos deixando de lado. Temos uma lista de detalhes para deixar o nosso apartamento ainda mais com a nossa cara. Vamos riscando eles aos poucos da lista, conforme temos tempo para criar soluções ou dinheiro para adquirir itens novos.

Um dia destes, ao entrar em uma loja de artes, onde costumo comprar alguns materiais de arte, passei por um corredor repleto de peças de MDF para serem customizadas. Andei, explorei e bati o olho em uma bandeja do tamanho que imaginávamos, por R$ 10,20. No caminho para o caixa ainda peguei um base para artesanato branca. Estas peças de MDF normalmente vem com um bom acabamento, mas é sempre necessário lixar e limpar bem antes de começar a pintura, para eliminar bordas mais afiadas e resíduos de pó. Quando esta etapa estiver finalizada comece com a base branca. Não precisa ser especificamente esta base para artesanato, mas uma tinta branca e que ajude no bloqueio de absorção da peça. Uma base bem feita grande menos camadas de tinta e um acabamento melhor. Neste caso passei duas camadas de base. Para pintar buscávamos uma cor específica, algo similar à nossa porta do banheiro, para que se juntasse à composição geral da casa. Não tinha mais a tinta em casa então fiz uma mistura com o que tinha no studio. Como base utilizei uma tinta super lavável turquesa, da Coral, e adicionei alguns pigmentos de tinta acrílica para chegar na cor desejada. Passei duas camadas de tinta, respeitando sempre a mesma direção de pincelada em cada lado. Quando a peça estava bem seca passei uma cera, da Ceras Mil, que tem o mesmo efeito de um verniz. A cera é incolor, para que não altere o tom da peça, e natural. Após três horas de secagem, lustrei a peça com ajuda de um pano mais poroso. Lustrar a cera ajuda no brilho e na eliminação de possíveis excessos. Uma alternativa seria utilizar um verniz de spray ou para pincelar, lembrando que sempre melhor optar pelo incolor e não tóxico, já que a bandeja será utilizada no dia a dia.

No mesmo dia, aproveitando o pincel sujo, peguei duas garrafas que estavam no lixo recicladoe apliquei também a base para artesanato. Elas se tornam decorativas e já foram para o bar, para preencher as lacunas de garrafas cheias que não cabem dentro do carrinho. Se quiser dar um toque a mais na peça, pode usar uma caneta permanente à base de água da marca Uni Posca. Com ela dá para traçar linhas ou fazer poás por exemplo.

Resumidamente é simples assim:

Uma peça de MDF (uma bandeja, uma caixa, um cubo ou uma casinha de passarinho)
Tinta Branca (base para artesanato, ou na falta dela, alguma tinta branca à base de água funciona também)
Pincéis
Cera ou verniz para finalizar

Nota:
Estas peças de MDF podem ser encontradas em diversos armarinhos e lojas de artes ou artesanato espalhados pela cidade. Neste caso visitei a Casa de Arte que fica na Avenida Portugal.

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mistura de cores para chegar no tom desejado

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aplicação de cera ou verniz

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pintura das garrafas

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base para artesanato e posca para detalhes

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a composição finalizada

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outra peça de MDF sendo pintada seguindo os mesmos passos

caramba, uma caçamba: horta vertical

estar concreto

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caçamba

Levamos nossos dias no apê e projetos profissionais com uma espécie de código de conduta meio que subentendido: reutilizar para reduzir o impacto, criar para impactar. Quem acompanha nosso blog desde o início sabe de todos os nossos esforços neste sentido. Dentro de nossas empresas, estamos sempre buscando inovar para criar projetos inéditos. Já dentro de nossa casa, a busca pela reutilização de materiais é constante. Parecem ser dois conceitos divergentes mas eles são, fundamentalmente, a mesma coisa. Ambos primam por um pensamento ativo diante de nossas escolhas, e buscam deixar marcas positivas ao nosso entorno.

reutilizar para reduzir o impacto

Isto nos serve muito bem, principalmente neste momento de nossas vidas. Como empreendedores iniciantes, temos uma verba reduzida para montar o nosso apê. Quando encontramos objetos descartados pela rua e, com o mínimo esforço, conseguimos atribuir-lhe uma nova utilidade e ao mesmo tempo decorar nossa casa, fazemos desta situação um ganha-ganha para todos. No fim das contas, este pensamento pode, e deveria, ser aplicado por todas as classes sociais, independente de status ou salário no fim do mês. Nossas sociedades aprenderam a evoluir a curto-prazo em grupos não-nômades, mas já ignoraramos por tempo em demasia a sustentação real de nosso estilo de vida nesse planeta, a longo-prazo.

Há um tempo atrás, encontrei uma escada de construção dentro de uma caçamba. Aquele objeto, construído com materiais robustos para aguentar o tranco do trabalho dos pedreiros, mas sem qualquer tipo de projeto de produto, fora claramente criado as pressas para servir um intuito por um certo período de tempo, e depois ser descartado. Estamos falando de um ambiente temporário de obras, onde tal pensamento parece até fazer sentido. Contudo, não é difícil traçar um paralelo com os produtos que usamos todos os dias, que foram criados para durar pouco dentro de suas obsolescências programadas. Carros, celulares, móveis. Todos feitos com materiais complexos, mas fadados a serem descartados em menos de dez anos. É nossa obrigação, como inquilinos deste planeta, encontrar novos usos para estes materiais, e podemos começar com os mais simples, como a madeira da citada escada de construção.

criar para impactar

Peguei a escada, que estava junto com o carretel, e guardei em casa. Quando decidimos o seu destino, tratamos a madeira, e compramos os poucos materiais extras necessários para criar um produto útil, bonito e diferente aqui no apê. Juntamos as orquídeas que ganhamos de amigos, algumas mudas da horta e algumas trepadeiras, e fizemos da escada de construção uma horta vertical. Hoje, a peça está entre a nossa sala de estar e o quarto, compondo um cantinho verde que temos aqui. Noutro dia, durante a sessão de fotos do nosso apê para uma matéria de uma revista bacana ( mais disso, em breve : ), a produtora pirou na escada, e disse que quer fazer dela um produto decorativo num evento de design que será realizado em breve em SP ( mais disto em breve, também ; ).

Qualquer indivíduo é capaz de aplicar estas premissas ao seu dia a dia. A escada descartada que virou objeto útil de decoração com potencial de virar item cobiçado numa feira de design é só um exemplo. Logo, reutilizar para reduzir o impacto e criar para impactar deixa de ser um paradoxo, e torna-se uma atitude mental consciente, plausível de implementação por qualquer um de nós.

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escada e carretel na caçamba

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levando para casa

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limpeza

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adaptando o material

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ajustes ( a placa foi achada na rua também ; )

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vasos para escada

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perspectiva

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do quarto pra sala

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caramba, uma caçamba: mesa de centro

estar concreto

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a protagonista

A sala de estar é o não-lugar mais importante de sua casa. Cito Marc Augé pois, apesar de se tratar de um cômodo importante e, quase sempre, central, passamos a maior parte do tempo fora dele - inventando na cozinha, rolando no quarto, ralando no escritório-casa ou encarando o espelho do banheiro. E a sala? É onde recebemos os amigos, é claro! A sala de estar é como se fosse um oásis em seu apartamento, está sempre lá, bonitinho, limpinho e, de certa forma, distante.

Aqui no apê seria assim, se não fosse tudo a mesma coisa. A varanda faz parte da cozinha, que por sua vez faz parte da sala de jantar que, não obstante, faz parte da sala de estar que também se espalha pelo escritório e pelo quarto que, para terminar a volta, tem também, um braço na varanda. É esse jeito moderninho de ser, tudo, ao mesmo tempo. No meio dessa história tá o banheiro que, se não fosse um lugar de dejetos, seria o cômodo central do apê. Como não é, a função foi delegada a ela, a sala de estar. E o que temos lá? Por enquanto, só um sofá adaptado da antiga cama de solteira da Kalina e uma mesa de centro. De quê? De pallet! Ou seja, o protagonista do palco principal do nosso apê, é um móvel reaproveitado, feito de de madeira de reflorestamento, que encontramos na caçamba em frente a uma farmácia, aqui mesmo, no Panamby.

Este pallet é feito de madeira compensada, o que lhe atribui uma caracterísitca estética interessante. Cuidamos da madeira, daquele jeito que você já conhece, passamos fita crepe nos locais que gostaríamos de manter as ripas de madeira aparente e, com spray de tinta branca fosca, aplicamos o acabamento final. O último toque na peça foram quatro rodinhas na base. Ao invés de gastar quatro dígitos em móveis novos, caros e sem personalidade na Gabriel Monteiro da Silva, montamos uma mesinha única, gastando menos de R$50 na Leroy Merlin.

Ela já está aqui, no meio do oásis, recebendo muitos elogios de nossos amigos e aguardando futuras visitas, para servir de apoio às muitas conversas jogadas fora que ainda estão por vir. Veja aí as fotos e digam-nos se gostaram.

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pelas caçambas da cidade...

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depois de limpar, hora de pintar

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pintada, aguardando verniz

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kalina na função

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preparando rodinhas

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fixando rodinhas

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livros sobre a mesinha

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mesa de centro pronta...

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na sala de estar.

feira de caixote

estar concreto, explorar sem parar

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close no caixote

Kalina e eu reciclamos o lixo e produtos descartados para diminuir nosso impacto no mundo. Ao mesmo tempo, através desse blog, estamos tentado impactar também as pessoas de forma positiva para estender este pensamento. O dinheiro, ainda curto, é outro motivo forte para nos virarmos com o que encontramos – e não temos vergonha alguma em admitir isso: a maioria dos países do primeiro mundo tem um dia específico que as pessoas deixam objetos que não utilizam mais na rua e outras pessoas passam pra coletar e dar uso: lê-se economizar, reaproveitar e criar um ciclo sustentável de vida. A cultura tupiniquim ainda é um bebêzinho de fraldas e nós brasileiros ainda temos muito o que aprender.

…mas não se avexe! Se você, como nós, mora por aqui e acha que não se encaixa, não tem porque fugir. Se tem vontade de fazer diferente do que seus amigos fazem, diferente que seus vizinhos fazem ou até mesmo, diferente que sua família faz, basta criar hábitos diferentes. Seja o exemplo de sua comunidade. Não esquenta se por acaso te taxarem de algo depreciativo: você é um pioneiro, um marginal. Logo serás líder.

Achar materiais em caçambas é que nem encontrar diamante no meio da lama. É dificíl de achar e quando a gente vê não dá nada pra aquele treco sujo, coberto de dejetos pela ação do tempo e a primeira vista, feio. É preciso um olho clínico para ver a beleza por trás da poeira e acreditar que aquele material bruto pode se tranformar num produto leve e ir parar no meio da sua sala de estar.

Dentre as caixas, pallets, peças de ferro e outros produtos que podem ser encontrados por aí e reaproveitados, o mais pop do momento é com certeza o caixote de feira. Não é difícil avistar essas caixas de frutas e legumes abandonadas perto de alguma feira de rua ou em alguma caçamba próxima ao ceasa. Estas podem se transformar rapidamente - de lixo marginalizado para um móvel cobiçado – e virar uma estante, nichos de um armário, mesinha de centro, banqueta e muitas outras opções. Se faltar imaginação, o google images sempre dá uma ajudinha.

Vá em frente. Busque, encontre, trate a madeira e faça bom uso de seu móvel hipster. Alguns caixotes já estão prontos por aqui então vou mostrar as fotos do processo todo. Digam-nos se gostaram, ou se por acaso tem outras ideias de como usá-los – ficaremos felizes em aplicá-las. Ou se quiserem um caixote, podemos ajudá-los a fazer ou fazemos um pra vocês. A ideia é reaproveitar e replicar.

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tratando o caixote

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uma banqueta?

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um deles virou criado-mudo aqui!

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o outro, sapateiro pra entrada do apê.

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excuse the mess. we just wanted you to feel at home

carretel virou aparador

estar concreto

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dentro da caçamba da vez

Muita gente me pergunta o porquê de eu pegar tanto “lixo” nas caçambas alheias. Pois bem, ao invés de argumentar um ideal óbvio de reciclagem / sustentabilidade / impactonomundo, vou começar a mostrar os resultados para que vejam com os próprios olhos o porquê, o pra quê e, para quem decidir se aventurar pelo mesmo caminho: o como.

Desde que era um gurizinho, junto sucatas sob minha cama para construir outros objetos. Pote de requeijão, carretel de linha de nylon, caixa de sapato e por aí vai – quem nunca? Bastava um rolo de papel toalha terminado conectado a um carretel de costura pontudo, dois pedaços de papelão para as asas e um pouco de durex pra fazer um avião a jato pau a pau com os da força aerea americana. Acontece que por algum desvio irreparável em minha educação, eu não parei de fazê-lo: cursei desenho industrial e dentro de uma oficina, dei asas mais parrudas à minha imaginação para a execução de inúmeros projetos. Agora, o projeto é o nosso apê.

Não tem jeito, para ter boas ideias, você precisa mergulhar de cabeça em qualquer que seja o projeto – é assim com tudo na vida. Logo que decidimos mudar juntos, deu um estalo na minha cabeça e lá estava eu juntando material para construir móveis e outras utilidades para nosso futuro apartamento - só que agora já não cabiam de baixo de minha cama.

Logo neste começo, encontrei um carretel daqueles de fios de energia em uma caçamba próxima a uma construção e não pensei duas vezes: joguei tudo pra dentro do vermelinho pau-pra-toda-obra e levei pra casa. Kalina ainda estava na Europa e o nosso apê ainda era um sonho distante – e eu não tinha ideia do que aquilo viraria, mas tinha certeza que para algo serviria. Alguém se identifica com esse sentimento? Costuma preceder até casamentos.

Kalina voltou, o apê virou realidade e, depois de tratarmos a madeira, o carretel se transformou, por enquanto, num ótimo aparador de cozinha. Ele está sendo essencial para dar um ar de lar para nosso cantinho. Veja aí todo o processo.

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puta que o pariu pisa no freio zé!

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coube tudo no vermelinho - carretel no porta-malas e escada no rack.

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lavagem pré tratamento

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carretel sendo utilizado aqui em casa

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se não fosse ele, nossas frutas estariam no chão

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carretel aparador de cozinha

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carretel aparador

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detalhe do primeiro andar

caramba, uma caçamba!

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Marcos sobre a pilha de lixo que produzimos todos os dias

Você gera em torno de 1,223 kgs de lixo por dia. Enquanto os lixos transbordam e as caçambas se multiplicam, percebi que posso utilizar a megalomania do cidadão comum em nosso favor. Cada caçamba é uma surpresa diferente: o nosso futuro ap pode ganhar um móvel novo, nossa conta bancária uns dígitos a mais e o planeta terra uns lixos a menos.

Para sustentarmos o baby-boom da classe C e a ascensão desvairada da classe média brasileira, nós estamos produzindo um índice seis vezes maior de lixo do que o de crescimento populacional. Abre a tampa do lixo e amassa aquela massa pra caber um pouco mais, para chegar nos seus 450 kgs por ano, que é o tanto de lixo que você vai produzir no decorrer deste ano. A gente produz, consome e descarta sem pensar nas consequências ambientais. Tem uns fulanos que vão protestar dizendo que já fazem até a coleta seletiva - ei amigo, separar o lixo orgânico do reciclável em lixeiras de cores felizes é legal, mas não o suficiente. Nós precisamos parar de multiplicar e começar a dividir, pois mais que uma ação, a reciclagem é um pensamento ativo.

[ O Partido Verde, que mantêm um blog interessante sobre suas políticas, publicou um artigo interessante sobre estes índices da produção de lixo e algumas políticas em torno deste problema. É de lá que tirei alguns dados expressos aqui e aonde você pode encontrar mais números sobre o tema. ]

A sociedade de consumo mostra as suas garras e você se submete, acanhado. Pra quê trocar de carro a cada dois anos? Pra quê pegar os panfletos de lançamentos imobiliários em todos os semáforos se nem está procurando um ap? Pra quê usar mil sacolas plásticas pras compras do mercado? Pra quê usar canudinhos no seu copo de suco? Sim, o mínimo detalhe importa pra sua conta de lixo fechar em baixa no final do ano, mas não vou ficar listando alternativas aqui, porque ninguém é cego para as soluções - somos no máximo preguiçosos.

No meio disso tudo, Kalina e eu fazemos um esforço tremendo pra amenizar o impacto de nossas pegadas pelo mundo ( na questão do lixo, é claro ; ), enquanto pensamos e planejamos o nosso apê. Nossa procura por bons produtos e materiais de boa qualidade dificultam esse processo, mas por outro lado, nosso gosto pelo minimalismo e por aqueles itens vintages da casa da vovó, equilibram esta balança. Neste pensamento, sigo vasculhando as caçambas alheias em busca de coisas interessantes. Assim que eu der um rumo para estas aí da foto, mostrarei aqui no blog o que podemos fazer com tais descartes. Quem sabe, se eu tiver sorte, as mesmas pessoas que jogaram estas coisas no lixo vão querer comprar alguns produtos revitalizados “super modernos!” e não vão nem se dar conta do que aconteceu.

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pós triagem em uma caçamba no Morumbi

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trate de lavar bem o que achar

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novos itens ao sol, aguardando destino

illustrations by kaju.ink
piece of cloud by AEROGAMI