trabalhar menos e produzir mais

criar contexto

Regular trabalhando no projeto nimbus workspaces

trabalhando no projeto Nimbus Workspaces

No ano passado, eu e meu sócio na AEROGAMI dedicamos longas horas ao desenvolvimento de um software de gestão de projetos. Muitas atividades costumeiras às noites ou finais de semana, foram substituídas por trabalho árduo em códigos, design e experiência do usuário. Estávamos operando em nosso limite energético, mas, acreditávamos tanto no produto que tudo fazia sentido. Este ano alcançamos um ponto estratégico do projeto: é hora de lançar para o grande mercado e evoluir a partir do retorno dos clientes. Estamos muito confiantes na qualidade do trabalho mas, tirando os investimentos que atraímos, ainda não atingimos estabilidade financeira nesta empreitada. Já estamos, contudo, colhendo os frutos em forma de aprendizado. Uma das principais lições que levo é que mais horas de trabalho não são iguais a mais resultados - mas, mais foco, é. Para focar é preciso energia e para ter energia, é preciso descansar. Entendi que não precisamos produzir mais durante mais horas, mas produzir melhor durante menos horas. Aprendi a escutar melhor o meu corpo, afunilar minha motivação para criar micro soluções mais inteligentes, e parar para recarregar de vez em quando. Hoje temos consciência dos erros que cometemos e sabemos que, aplicando as premissas citadas acima, poderíamos ter economizado alguns meses de trabalho. A experiência ainda é a melhor professora, pois gera absorção de um conhecimento holístico. E este, é o melhor resultado que poderíamos esperar.

Regular pausa para descansar

pausa para descansar

tire os sapatos ao entrar em casa

pensar acordado

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o armazenamento dos mais usados e a cadeirinha para calça-los

Quando alguém chega para visitar o nosso apê. Damos um breve olá e pedimos gentilmente: “será que você pode tirar o sapato para entrar?”, antes que elas dêem o primeiro passo para dentro. Algumas pessoas olham confusas até que a ficha cai e falam: “ah sim, claro!”. E às vezes temos que adicionar: “desculpa, é que temos este costume aqui em casa!” Outros já sabem que temos este hábito, ou também o praticam em seus próprios lares, e já começam a tirar o sapato antes mesmo de nos cumprimentar. E ainda adicionam: “você tem uma meia? estou com frio no pé!”.

Sim, o nosso piso não é lá o mais agradável de se caminhar quando o clima está mais frio. Ele é frio também! O cimento queimado tem inúmeras vantagens como uma boa temperatura, uma textura mais lisa, frio (ótimo para os dias de verão e nada que uma pantufa no inverno não resolva) e a facilidade de limpeza. Mas quem tem tempo de limpar o piso todos os dias? Por inúmeras questões, sendo uma das principais a limpeza e higiene, logo resolvemos quando mudamos: “devemos tirar o sapato antes de entrar em casa!”.

É um hábito muito praticado em países europeus e orientais. No Japão é natural que todos tirem os sapatos como sinal de respeito pela pureza do lar e higiene. Eles acreditam que carregamos muitas impurezas, não só físicas, mas também energéticas nos nossos calçados. As energias ruins que coletamos pelas ruas devem ficar do lado de fora. Um costume muito praticado também em templos e locais sagrados. Por motivos óbvios. Pisar de sapato em seus ambientes puros é considerado um sinal de desrespeito e ofensa. Já na Europa em países como Alemanha e Suiça a questão é mais higiênica e de limpeza. Ninguém tem ajuda diária, ou sequer semanal e quinzenal, para limpeza. Por isso depende das famílias manter as casinhas do jeito ideal para a saúde de todos. Botas com neve, sapatos de terra na primavera, tudo fica em móveis ou armários estrategicamente colocados na entrada das casas. Não se pergunta, apenas se faz. Por isso, por lá, não importa muito o sapato que você usa como parte do look, quando o assunto é ir na casa de alguém. No inverno é comum todos estarem super elegantes, por baixo de casacos grandes de inverno e botas e, ao chegar, se tira tudo e mostra-se o verdadeiro look (de meia ou descalço). Um amontoado de sapatos do lado de fora indica a porta que o encontro acontece.

Por ser um costume muito praticado na Europa, acabou sendo parte da minha educação na casa dos meus pais. Uma influência das origens e uma consciência de cuidados com os filhos. Desde pequenas nos arrumamos todas, buscamos o sapato da vez, e com o par nas mãos nos alinhávamos no hall para vestí-los. Quando isso não acontecia de fato dentro do elevador. Na adolescência levamos muitas broncas com a preguiça e vontade de ver o look completo no espelho do quarto. Ai de você se saísse caminhando pelo corredor calçado. Como minha mãe dizia: “andar na ponta do pé não adianta nada!”. Por quê mantivemos esta tradição, mesmo não sujando botas de neve ou terra? Por questões de higiene. Quando caminhamos nas ruas da nossa cidade, passamos por diferentes superfícies, resíduos e bactérias. Já pensou sobre isso? Imagina o que não entra na sua casa. Mesmo ao deixar o sapato no quarto e seguir o trajeto descalço e depois deitar na sua cama. Já imaginou o que vem da rua direto para os seus lençóis?

Mantivemos o mesmo hábito assim que mudamos. Ainda não encontramos uma solução definitiva para armazenar os sapatos mais usados no cotidiano, mas o que é definitivo na vida, certo? Por enquanto descalçamos da rua logo ao entrar e posicionamos os sapatos próximos à entrada dentro de um caixote feito de um antigo estrado de cama. Na área de serviço uma caixa de feira abriga os tênis e outros calçados ligados ao esporte.

E sim, se você nos visitar, lembre-se da meia furada e do chulé. Também vamos pedir, gentilmente, para que liberte os seus pés e sinta o chão sob eles. Para assim estar realmente presente conosco, e no nosso apê.

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os sapatos se tornam parte da decoração

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a entrada do nosso apê

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e a "caixa do esporte" na área de serviço

roteiro ATACAMA

explorar sem parar

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o pôr do sol no valle de la muerte que inspira

A viagem para o deserto do Atacama apareceu de repente, com um grupo de amigas que não conseguia se encontrar há seis anos, nem mesmo em um mesmo ambiente. Estas coisas mais espontâneas e sem ponderar muito é que acontecem de forma mais natural. Dentro de algumas poucas semanas decidimos, compramos passagens e estávamos embarcando para o Chile. Por ser um pouco de última hora acho que não pegamos os melhores valores de passagem (R$1920), mas conseguimos economizar em algumas outras coisas ao longo da viagem para compensar.
Vou compartilhar com vocês as nossas experiências, dia a dia, para inspirar aqueles que pesquisam sobre o destino ou outros que simplesmente estão curiosos com as paisagens.

DIA 01:
VÔO:
Embarcamos para Santiago por volta das 10 da manhã. O vôo São Paulo - Santiago dura em torno de 3h30h a 4h30, dependendo das condições de clima e vento. Em Santiago fizemos escala para Calama, que já fica na região do deserto do Chile. O vôo dura em torno de duas horas. Chegando lá o Mike, criador da agência Ayllu Atacama, nos recebeu com águas geladas.

AGÊNCIA:
Fechamos com a Ayllu quase todos os passeios e transportes. Eles estão no topo da lista entre as 50 e pouco agências que fazem tours no Atacama. Oferecem um serviço de qualidade e atenção. Buscam e deixam no hotel se for necessário e, por focarem no público brasileiro, todos os guias falam português (com um pouco de sotaque, mas já ajuda para aqueles que não se comunicam muito bem no espanhol). Todos os passeios incluem uma refeição, ou até duas, dependendo do período de horas que se passa fora.
Já no primeiro dia fizemos um pequeno tour. A caminho de San Pedro de Atacama, que fica a 106km de Calama, e a 2400m de altitude, paramos no Valle de la Muerte (vale da Morte) para assistir ao nosso primeiro pôr do sol no deserto. Uma parada rápida para nos aclimatizarmos com as belas paisagens e formações.

HOTEL:
Chegando no vilarejo, Mike nos levou para o hotel Poblado Kimal, onde ficamos hospedadas durante 6 noites. São pequenos chalés, bem rústicos e confortáveis, para duas pessoas. No nosso caso pegamos dois chalés com camas de solteiro, mas sabemos que existe a opção de cama de casal também. O hotel é super bem localizado, ao lado da rua principal do vilarejo, e conta com um spa, piscina e restaurante também. Todo o vilarejo é construído de forma bem rústica, utilizando principalmente madeira e adobe (um tijolo de argila). No verão deixa o interior dos lugares mais fresco, e no inverno, com ajuda de lareiras, segura o calor no espaço.
Após fazer o check-in caminhamos até a agência Ayllu, que ficava há algumas quadras do nosso hotel. Por lá, com ajuda da Cindy, montamos todo o roteiro para a semana. Ela também pega dados da saúde e tira a pressão. Como o deserto tem altitude, pode mexer com a saúde de algumas pessoas e a agência precisa estar preparada.

JANTAR:
O jantar foi no restaurante Adobe, na rua principal. Como foi a primeira noite ainda não tínhamos ideia do tamanho de pratos e porções. Mas, parece que as pessoas chegam famintas dos passeios. O que eles chamavam de porção individual alimentava quase três do nosso grupo. E isto não foi apenas neste caso. Por isso, ao entrar nos restaurantes, veja se consegue espiar os pratos nas mesas vizinhas, para entender se consegue aguentar uma porção sozinho ou vai ter que compartilhar, como nós.

DIA 02:
TERMAS DE PURITAMA:
Levantamos cedo e tomamos o café incluso na nossa diária do hotel. O Mike nos buscou, já com um casal na van, e começamos oficialmente os nossos passeios. O primeiro destino foram as Termas de Puritama (PURI = água, TAMA = quente). São oito piscinas, com águas termais com temperatura entre 34 e 38 graus Celsius. A infraestrutura é uma das melhores que pode-se encontrar pelo deserto. Banheiros e vestiários estão disponíveis em todo o percurso. Mas se paga por isso também. São $ 15’000 (pesos chilenos. na época equivalente a aproximadamente R$ 80) Sim, além dos passeios com as agências, muitos lugares cobram entrada para preservar infraestruturas ou a natureza. Chegando lá, a Ayllu ofereceu um roupão para cada. Caminhamos apenas com as nossas máquinas fotográficas em mãos. Passamos de piscina em piscina, e pequenas cachoeiras de água morna. Ao final fomos recepcionados por um grande almoço, com direito a ceviche, vinho e pisco sour com “Rica Rica” (uma plantinha que cresce no deserto).

VALLE DE LA LUNA (vale da Lua):
Depois de um breve passeio pelo vilarejo, seguimos para o passeio da tarde: o Vale da Lua. Seu nome surgiu por sua semelhança com as paisagens do território lunar. As crateras, formações rochosas e sal, constróem a cena. Por ali fomos conferir o Anfiteatro, uma grande rocha em forma dos antigos teatros romanos. E em seguida as Cuevas de Sal Cañon, um pequeno Cânion com cavernas, em meio às formações, que se pode caminhar. É sempre recomendado se ter guias em todos os passeios, mas este é um que é bem sinalizado e pode ser explorado por conta própria. Avistamos algumas pessoas explorando esta região de bicicleta. O problema mesmo é o calor e sol ardente. Lembre da sua água independente do tour que optar. Por ali também existem as esculturas naturais chamadas de três marias. Uma paisagem surreal.

VALLE DE LA MUERTE (vale da morte):
Mais um pôr do sol de cima do Vale da morte. Quando o sol desce, toda a paisagem muda de cor, passando por laranja, vermelho e até um tom de roxo no final. E ai entra a noite, com um céu estrelado de tirar o fôlego. Neste passeio de pôr do sol está sempre incluso um lanche acompanhado de vinho ou pisco sour. Neste passeio parte do grupo não foi, por conta do mal estar da altitude.

ALTITUDE:
A altitude pode mexer com o nosso corpo mais do que imaginamos. Os sintomas geralmente começam a aparecer acima dos 2400m do nível do mar. E manifestam-se de seis a dez horas após a subida. Normalmente desaparecem em um ou dois dias, quando o corpo vai se aclimatizando, mas ocasionalmente podem se desenvolver condições mais graves. Os sintomas incluem fadiga, dores de cabeça, náuseas, tonturas e distúrbios do sono. Os esforços físicos acabam agravando os sintomas. Nos primeiros dias, todas nos sentimos um pouco mais cansadas, mas a Juliana e eu logo nos acostumamos. O primeiro dia foi mais difícil para a Marcela e Cris, mas um bom descanso no hotel ajudou a recuperar as energias. O jantar acabou sendo algo leve por lá mesmo, no restaurante Paacha do Hotel Kimal.

DIA 03:
PIEDRAS ROJAS, SALAR DE TALAR e LAGUNA TUYAITO:
A saída foi bem cedo nesta manhã, em direção a uma formação de rochas conhecida como “Piedras Rojas”, logo ao lado do Salar de Talar. O nome se dá pelo tom avermelhado das rochas, por conta dos mineiras em suas composições. O passeio é mais longo e dura cerca de duas horas. Nos preparamos e levamos as almofadas de pescoço de avião para dormir no caminho. A Ayllu às vezes sai mais cedo do que outras agências, para o grupo ter mais exclusividade nos lugares. Vimos o sol nascer na estrada e estávamos sozinhos nas paisagens maravilhosas do Salar de Talar. Por lá tomamos café da manhã, e quando estávamos entrando no carro, mais 5 chegaram para curtir a paisagem. O timing foi perfeito. Seguimos para A Laguna Tuyaito. Por lá ficamos apenas por alguns instantes, para admirar a bela paisagem de cima. Não se pode mais descer até a lagoa por questões de preservação da natureza. Com a alta rotatividade de turistas os andinos fecharam algumas visitas para preservação do ambiente. Nada mais justo.

XIXI NAS ALTURAS:
A maioria dos passeios no deserto não tem grandes infra estruturas. O deste dia foi um deles. Alguns amigos já haviam nos dado a dica, que abraçamos para não passarmos vontade. O xixi é na natureza, no estilo marcação de território mesmo. Para os homens é sempre mais fácil, mas nós nos preparamos e saímos com um rolo de papel higiênico do hotel e um saquinho que serviu de lixo. A cada parada buscávamos a pedra mais alta a distante do restante do grupo para deixar a nossa marca. Algumas mulheres que nos acompanharam nos passeios se surpreenderam com a nossa preparação e já fizeram o mesmo em outros passeios. Mulherada, fica a dica valiosa!

LAGUNAS ALTIPLANICAS:
A próxima parada foram as lagoas Altiplanicas, que possuem este nome por estarem localizadas no pé de dois vulcões, há 4600m de altitude. A primeira Laguna chama-se Miscanti e a segunda Miñiquez, cada uma correspondente ao seu vulcão, de mesmo nome. Ambas tem lindos tons de azul quando o sol bate. Dentre todos os passeios, na minha opinião, este foi um dos mais belos. A natureza é de tirar o fôlego. Os silêncios que encontramos foram algo de outro mundo também. No caminho cruzamos com as Vicuñas, espécies selvagens que deram origem às Llamas. As Vicuñas são animaizinhos que vivem em harem. (dez fêmeas para um macho alpha) Hoje em dia são protegidas por quase ter entrado em extinção. Caçadores exploram principalmente a pele dos animais, que tem um altíssimo valor no mercado da moda.

BALTINACHE:
O jantar foi em um pequeno restaurante na rua do nosso hotel. Ele havia sido recomendado por um casal de amigos, e recomendo com água na boca. É um pequeno restaurante de família, com apenas seis mesas e um menu degustação. Por conta do espaço limitado e grande procura, é importante fazer reserva, para não dar de cara com a porta. No menu existem sempre duas opções de entrada, prato principal e sobremesa. Por ser uma família local, eles utilizam muitos ingredientes disponíveis na região e fazem misturas saborosas e harmônicas. Foi uma experiência incrível.

DIA 04:
LAGUNA DE QUIPIACO:
O passeio de hoje saiu cedo também, e é o mais longe. As paisagens são belíssimas mas, se o tempo for curto diria para dar preferência para outros destinos. A primeira parada foi a Laguna de Quipiaco, ou a lagoa dos flamingos. Pela primeira vez vi flamingos de perto. Um animal realmente pré-histórico, esquisito e fascinante ao mesmo tempo. Esta área é conhecida como “bofedal”, uma espécie de oásis na altitude, onde existe uma fauna e flora proveniente da água que vem do degelo ou de canais subterrâneos.

MOAI DE TARA:
Mais uma parada em formações rochosas. É estranho como de repente, em meio a muita areia e terra, surgem rochas dos mais variados tamanhos e formatos. A mais conhecida e fotografada é uma que se assemelha a um objeto fálico. Sim, as pessoas param para tirar fotos que elas chamam de engraçadas. Para um olhar mais atento, a ponta da rocha é um rosto de um índio, quase como um grande totem em meio à areia. Nós ao invés de só vê-las de longe, fomos sentar em sua base e escutar o vento que passava e canalizava por ali.

SALAR DE TARA:
Antes de descer até o Salar, onde tivemos o nosso almoço, paramos em um mirante para saber um pouco mais sobre a região. Estávamos sentados na borda de uma grande cratera de um vulcão adormecido há 4 milhões de anos. A cratera tem em torno de 60 x 35km de extensão e está localizada na parte mais larga do chile, com 460km de largura. A água que cria a lagoa e salar, nasce na Bolívia, no cerro de Zapalere, desce pela argentina e chega no chile. O local onde estávamos sentados e ao nosso redor pudemos ver diferentes formações mais firmes, que desenham a cratera. As rochas tem um tom amarelado, ainda do enxofre do vulcão. Foi impressionante ver a dimensão de tudo ali de cima. Uma das vistas mais incríveis que já vi e, novamente, aquele silêncio de tirar o fôlego, ao pensarmos o quão pequenos somos neste mundão.

SAN PEDRO DE ATACAMA:
Ao voltarmos para o vilarejo, de aproximadamente 3000 habitantes, passeamos pelas ruelas pela primeira vez. Com o intuito de conhecer melhor e provar sabores locais, saímos em busca de um sorvete para refrescar a tarde de calor. Encontramos uma pequena lojinha chamada Babalu, com sabores locais, como sorvete de quinoa (que é plantada na região), três leches (um doce típico chileno com cremes e doce de leite), doce de leite, e muitas frutinhas das terras áridas. Conhecemos a praça central, que tem grandes árvores, a igrejinha feita de blocos de adobe (tijolos de argila, lembra?) e um mercado de artesanato (bem turístico com tecidos, llamas de pelúcia e balas de coca para o mal de altitude). No geral as lojinhas tem muitos souvenirs, mas em meio a elas você também pode encontrar pequenos mercadinhos com comidas locais, lojas mais estilosas com peças de roupas e outros objetos de artesãos locais, e as lojas de esportes de aventura. Em último caso, se esqueceu algo para o “look aventura” (como diz a minha amiga Juliana Goes), é sempre possível achar por lá. Marcas como Columbia, North Face, Merrel e outras, marcam presença.

DIA 05:
GEYSERS DEL TATIO:
Este é o passeio que tem que se acordar mais cedo. Para aqueles que tem dificuldade, vão preparando o psicológico. Levantamos às 4 da manhã. Nos preparamos com o café da manhã do hotel para viagem. A maioria dos hotéis no Atacama estão acostumados a estes passeios que saem na madrugada, e você pode avisar na noite anterior, para que eles preparem um lanche “to go”. A conhecida marmita de café da manhã. Entrando na van você observa que todos carregam uma sacolinha com o café da manhã preparado com carinho pelas equipes dos hotéis. Pesquise se o seu hotel também oferece este serviço. É uma mão na roda. A estrada é no escuro, apenas observando as estrelas. Chegando no destino, o sol nasce ao fundo, e os termômetros marcavam dois graus Celsius, a 4200m de altitude. Sim, faz frio e você tem que se prepara! Vestimos todos os casacos, luvas e gorros, e fomos conhecer os Geysers. O ideal é fazer o passeio assim cedo justamente por conta das diferenças de temperatura. A fumaça dos Geysers, que vem do fundo da terra, com cerca de 80 a 100 graus Celsius, tem um choque de temperatura maior pela noite e madrugada, fazendo com que o fenômeno seja mais visível e impressionante. Conforme o dia vai esquentando o nível da fumaça vai diminuindo também. É algo incrível pensar que ali, abaixo dos nossos pés, tem um mundo se mexendo e buscando uma saída para respirar. As águas ricas em enxofre e aquecidas pelas altas temperaturas dos vulcões, buscam uma saída e, onde encontram o solo mais fraco, jorram, em forma de água ou fumaça. É muito interessante de observar, mas dizem que os Geysers na Islândia são muito mais impressionantes, pelos grande edifícios de água que jorram da terra. Por aqui ficamos mais na observação de fumaças e alguns jatos cíclicos de água.

FLORA E FAUNA:
A caminho de volta do povoado pudemos observar todo o caminho que haviamos feito no escuro. Avistamos aves de diferentes espécies, inclusive mais flamingos, as famosas vicuñas e até as llamas encontramos também. Com um guia diferente desta vez, o Pablo, descobrimos um mundo à parte em todas as suas explicações.

ESTAKA:
De volta ao vilarejo, fizemos uma parada rápida para almoçar e nos preparar para o passeio da tarde. Paramos no restaurante Estaka, também na rua principal (não tem como errar). O ambiente simpático, com uma decoração mais moderna e agradável. Pena que ainda estava muito quente para sentar na varanda no fundo, onde a decoração era mais despojada e com uma pegada industrial. Comemos um delicioso ceviche de salmão e um macarrão de arroz com camarões. Os pratos são apresentados de forma super original. Novamente as porcoes são bem grandes, mas neste dia, para repor as energias de um dia que começou bem cedo, pedimos uma porção para cada. Mas é facilmente compartilhável se você não tem muita fome.

LAGUNA CEJAR:
O passeio da tarde englobou algumas lagoas. A primeira, chamada Laguna Piedras, ao lado da Laguna Cejar (proveniente da palavra sobrancelha), onde se pode mergulhar. Ou melhor, boiar. É uma lagoa com altíssima densidade de sal, que o corpo bóia sozinho. Sim, sozinho mesmo! Parece mentira quando falamos assim, mas o corpo flutua sem dificuldade. É possível sentar em posição de meditação, de pernas cruzadas, braços para cima, sem o mínimo esforço. Não se recomenda molhar a cabeça, por conta do sal. Os olhos e outras mucosas podem arder e queimar, e o cabelo ressecar para sempre. Se você tem cortes ou pequenas ferias, prepare-se, vai arder. Ao sair, o corpo está branco, coberto de sal. Por sorte este local, onde se paga em torno de 3000 Pesos Chilenos para entrar, conta com banheiros e chuveiros para tirar o sal. Mas prepare-se para colocar a circulação do corpo para funcionar com a água gelada. Antigamente podia-se mergulhar na própria Laguna Cejar, mas o sal que se acumulou ao longo dos anos formou pequenos cristais que são muito afiados. Por segurança para nós turistas não nos cortarmos inteiros, ela foi fechada para banho.

OJOS DE ATACAMA:
A próxima parada, próxima de lá, é chamado Ojos de Atacama (olhos do atacama - abaixo da sobrancelha - cejar). Duas lagoas, como dois olhos, mais profundas e mais doces, formadas de águas subterrâneas. As bordas são mais altas, então a única forma de entrar é através de um salto, de uma altura aproximada de dois metros, para dentro d’água.

O Pôr do sol, com direito a aula de como fazer um pisco sour, e um lanchinho, foi próximo dali em outra lagoa, com vista para o Lican Kabur, o maior vulcão da região.

DIA 06:
EL TOCO:
Alguns dias antes de viajarmos para o Atacama encontrei com uma amiga que há pouco tempo havia ido, sozinha, fazer esta viagem. Falou que por lá foi inspirada a subir um vulcão inativo e que foi uma de suas experiências inesquecíveis. Quando soube desta aventura, logo lancei no grupo de WhatsApp das amigas viajantes, o desafio. Chegamos no deserto com isto em mente, mas abertas para sentir o nosso dia a dia e vontade de ir atrás disto. Não só fomos atrás, como a vontade cresceu dia a dia e encontramos uma equipe ótima para nos acompanhar. Vou contar mais detalhes, em breve, em um novo posto. Ele (e nós) merecemos um pouco mais de atenção!
Foi uma experiência incrível, inesquecível, e nosso primeiro cume, a 5620m de altitude.

O restante do dia foi bem morto, no sentido quase literal. Não se deve fazer nenhum esforço físico muito grande após se colocar nesta posição de desgaste emocional e físico que é subir uma montanha. Descansamos, nos alimentamos de forma leve, fizemos uma massagem de tecidos profundos, ali mesmo no Spa do hotel, e recuperamos parte das energias. Jantamos em um restaurante chamado BLANCO, também na rua principal. O menu foi variado, entre os gostos do dia. Marcela e eu ficamos no ceviche, enquanto Juliana e Cris dividiram uma pizza.

TOUR ASTRONÔMICO:
O céu no deserto parece despencar sobre você”, foi o que ouvi de uma amiga. Um dos passeios mais esperados era este tal de Tour Astronômico. Existe uma (ou mais) base de observação do céu, onde turistas podem ir observar as estrelas a olho nu e com ajuda de dois tipos de telescópios. Observamos formações, constelações, planetas e a lua. Infelizmente, não tivemos tanto sucesso com “o céu que despenca”, apesar de ter avistado algumas estrelas cadentes. O nosso tour foi o último do mês, por conta da lua que estava se aproximando do estado cheio. Nesta época o céu acaba ficando muito iluminado, dificultando um pouco a visibilidade das outras estrelas e planetas. Foi lindo, mas poderia ter sido mais, se a lua não tivesse brilhado tanto. Vale a pena, mas fique atento ao céu e seu brilho, para conseguir aproveitar ao máximo.

Tantos detalhes, tantas experiências, tantas vivências que ficam no coração e na mente com alegria e saudade. O que levar para o Atacama? Em breve um post com dicas de como fazer a mala para este destino e como se prevenir de mal estares por conta da altitude. Com isto, em breve também, o post completo sobre a nossa experiência de subir a 5620m de altitude, levanto nossos corpos e mentes a extremos que nunca havíamos antes.

Regular 2016 02 12 07.34.48

o hotel Poblado Kimal e nossos chalés

Regular 2016 02 12 09.52.29

os caminhos entre as piscinas das termas de Puritama

Regular 2016 02 12 11.57.42

o almoço nas termas, parte do pacote da Ayllu

Regular 2016 02 12 17.02.39

o valle de la luna e suas formações incríveis

Regular 2016 02 12 18.58.08

o anfiteatro natural no valle de la luna

Regular 2016 02 12 19.49.19

pôr do sol no valle de la muerte, com lanche da tarde e vinho

Regular 2016 02 13 10.56.06

piedras rojas, ao lado do salar de talar

Regular 2016 02 13 11.30.41

laguna de tuyaito (juliana, kalina, marcela e cris)

Regular 2016 02 13 12.48.25

laguna miscanti, no passeio das lagunas altiplanicas

Regular 2016 02 14 12.32.35

laguna miscanti, no passeio das lagunas altiplanicas

Regular 2016 02 14 12.44.40

a cratera do salar de tara

Regular 2016 02 14 10.16.14

paradas estratégicas, e necessárias

Regular 2016 02 14 13.45.37

a fauna do deserto

Regular 2016 02 14 18.21.15

o vilarejo de san pedro de atavama

Regular 2016 02 15 14.08.20

o quintal do restaurante estaka, em san pedro de atacama

Regular 2016 02 16 07.16.15

geysers de tatio por volta das 7 da manhã

Regular 2016 02 15 17.49.27

Laguna Cejar e Piedras, boiando no sal

Regular 2016 02 15 20.04.57

pôr do sol com o Lican Kabur ao fundo

Regular 2016 02 16 10.14.14

a íngrime subida do vulcão

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