um passeio pela ABUP

explorar sem parar, estar concreto

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kalina e sua nova linha

De vez em quando aparecem convites diferentes para fazer parte de novos projetos e desafios. Este chegou no final do ano passado, para criar uma nova linha de ilustrações para uma empresa chamada Artimage. Eles tem um grande acervo de artistas, do mundo todo, e dos mais variados estilos, para tornar a arte mais acessível, através da impressão de trabalhos, em diferentes materiais e acabamentos. Os grandes lançamentos acontecem em feiras de decoração e arte em São Paulo, nos meses de Fevereiro e Agosto. Seus representantes, de todo o Brasil, vêm conferir as novidades e vender as peças para os seus compradores. E foi assim que meu trabalho, pela primeira vez fez parte das feiras ABIMAD, que aconteceu no início de Fevereiro, e a ABUP Show, acontecendo esta semana no bairro da Casa Verde, em São Paulo.

Trata-se de um evento de negócios, direcionado para lojistas e profissionais dos segmentos: decoração, presentes, utilidades domésticas e têxtil. Há muito tempo ouvíamos sobre as feiras, mas nunca tínhamos pensado em realmente ir conferir de perto. Em versões anteriores, acabamos focando nas feiras menores, e mais próximas de nós, como a Paralela Gift. Desta vez, com o lançamento da minha nova linha, que representa os diferentes estados da água, aproveitamos para matar a curiosidade. A feira nos surpreendeu por seu tamanho e organização. O controle para os profissionais da área é bem restrito, realmente dando preferência àqueles que tem empresa e comprovantes disto. (Portanto, para aqueles que querem visitar a feira, é aconselhável se informar bem sobre estes detalhes.)

Após visitar o estande da ARTIMAGE, percebendo uma variedade gigante de estilos e artistas, passeamos pelos dois pisos do evento, para absorver o que é chamado de “atual no mercado brasileiro”. Pela maioria dos estandes passamos sem ao menos entrar. A conclusão desta nossa reação foi a percepção de que “tudo parou no tempo”. Um tradicionalismo de grandes lustres de cristais, talheres de prata, cabeças de alces e vasos de cerâmica (com arranjos falsos) ainda predominam os estandes. Um amor pelo clássico, e pelo neo clássico, que parece perdurar neste mercado, nos deixou um pouco desestimulados. Parece que falta aquele traço mais forte, aquela personalidade mais marcante, aquelas cores que há anos predominam o mercado estrangeiro.

E de repente, de longe, avistamos alguns, que logo entramos, sem nem sequer nos comunicarmos em palavras. Alguns estandes como a GOODS br, uma empresa de Gramado, que nos chamou atenção pelo mobiliário com um toque retrô. São peças novas, mas que remetem aos antigos desenhos e cores de época. Esta mistura do antigo com o contemporâneo, com um toque industrial, que enche os nossos olhos de amor. Claro, pelo tipo de acabamento, é possível perceber que não são peças realmente envelhecidas, e sim fabricadas, mas mesmo assim valeu o passeio pelo enorme espaço, se inspirando pelas criações. O estande tem diversos setores e sub marcas, como a FULLWAY - newtrands, com cadeiras de desenho mais antigo, porém com cores contemporâneas como amarelos, roxos e turquesas. Nesta mesma linha de achados encontramos o estande da TREND HOUSE, que de longe avistamos cadeiras e poltronas que nos interessaram, por seus desenhos e combinação de cores também. Ainda na linha cadeiras, encontramos uma única, e linda, de balanço, em meio a um estande de coisas para bebês. Um desenho lindo feito em curvas, com a madeira e com um acabamento em palha no assento. E, logo ao lado, uma esquina que chamava a atenção de muitos e convidava a entrar em mais um estande que nos chamou a atenção. Objetos e utensílios básicos de cozinha, com um toque de cor que nos lembrou muito a paleta escandinava. Rosa claro, azul e amarelo compostos sobre uma mesa. Os objetos em sí, a maioria de plástico, não nos impressionou muito, mas nos convidou para entrar, e ao caminhar mais para dentro, na MODALI design, encontramos luminárias e vasos que teríamos facilmente em nosso apê. Por ali perto encontramos um pequeno estande da JANETA móveis, que logo chamou a atenção por estruturas para hortas suspensas e, ao fundo, bancos com estruturas metálicas e assentos de madeira. Adivinha quem viu isto primeiro? Sim, o Marcos, o gnomo e cuidador oficial de todos os verdes do nosso apê. Em meio a outras lojas e objetos mais tradicionais encontramos algumas linhas que também nos interessaram, como as luminárias e objetos de decoração com acabamentos de cobre e outros polidos da ANTICA. Nestes estande maiores o interessante é caminhar e escanear todos os detalhes, pois ali, escondido entre móveis e objetos, pode estar uma luminária com dobras metálicas. Assim como a linha “tuten vasen” da ESTILO A. Vasos de cerâmica que imitam sacos de papéis, e ainda aparecem em cores super contemporâneas como o rosa, marrom e azul claro. Os vasos e outros objetos postos sobre uma prateleira, nos lembraram bastante as linhas que adoramos da italiana SELETTI.

O passeio valeu a pena? Sim, com certeza. Primeiramente para podermos dizer que conhecemos finalmente a ABUP, e em segundo, para nos inspirarmos em alguns achados. Para nós realmente a maioria era tradicional demais, ou até comercial demais, como lojas de importados que vendem desde panelas a forminhas de cupcake de silicone. O curioso foi notar que quase todos os estandes tinham pessoas circulando, o que mostra no mínimo uma “vontade de conhecer” das pessoas. Mas é também o resultado de uma mescla intensa (talvez até demais) de gostos e estilos em um espaço que une de presentes à arte.

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os andares da feira e a identidade construida por Eduardo Cardoso

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o estande da GOODS br, com móveis com uma pegada retrô

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a linha FULLWAY da GOOD br

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a cadeira de balanço, ali, em meio a fraldas e babados

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cores na esquina que convidaram para entrar

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luminárias e vasos criativos

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outros elementos de decor com linhas geométricas e acabamentos em cobre e outros metais

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os vasos tuten vasen, da ESTILO A

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uma horta vertical da JANETA móveis

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e os banquinhos que teríamos um de cada, também da JANETA móveis

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alguns objetos em meio ao muito, na ANTICA

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os lustres de cristal e cabeças de animais, que ao nosso ver, são ultrapassados

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o estande da TRENDHOUSE com cadeiras que chamaram a nossa atenção

os destinos de viagem

explorar sem parar, pensar acordado

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[chammonix, 2013] estar em contato com a natureza...

Desde crianças fomos incentivados a viajarmos sozinhos, ou em grupo, para conhecer novas culturas e vivenciar novas experiências. O Marcos aos 15 anos morou na Nova Zelândia por um ano. Eu fiz minha primeira viagem sozinha aos 10, para passar pouco mais de um mês na Suiça com a minha avó e ir à escola. Nossas famílias nos ensinaram os valores destas experiências e nós os abraçamos com vontade. Desde que nos conhecemos compartilhamos este sonho de constante de desbravar o mundo. A cada dia adicionamos um item na lista de lugares que queremos conhecer. Parte das nossas rendas e economias acabam indo para estes destinos. Sempre gostamos de dizer: “ É para isso que trabalhamos! “

São tantas paisagens, cidades, amigos e familiares para visitar. Mas uma coisa é certa, não somos do tipo de pessoa que gosta de visitar apenas os grandes centros urbanos e conhecidos, aqueles pontos de encontro, quase clichês, de todos que saem de seus países. Isto faz parte da viagem, mas evitamos até onde podemos. Gostamos do desconhecido, dos costumes locais, dos lugares que a sociedade frequenta, sem a presença de muitos de fora. Excursões e pacotes fechados de viagens, definitivamente não fazem parte dos nossos roteiros.

Percebemos que os destinos variam muito com a fase da vida que estamos. Há alguns anos atrás o legal era fazer as famosas “voltas pela europa”. Um mochilão nas costas, quartos em albergues com mais 10, 5 cidades em 10 dias, comidas baratas, para talvez ainda poder arrematar um novo look antes de voltar para casa. Este pique passou, e a necessidade de valorizar um pouco mais o bem estar falam mais alto. Os momentos que vivemos acabam trazendo viagens quase que de forma natural. Amigos com ideias e ideais similares, encontros para comemorações, eventos que não queremos perder.

Quando paramos para pensar, os últimos destinos e os que mais nos inspiram no momento são aquele que, de alguma forma, adicionam ao nosso estado físico e mental. Lugares que instigam as nossas criações e o nosso estado físico. Centros urbanos tem esta força, mas estamos tendendo ainda mais para lugares remotos de natureza que chega a espantar. São nestes lugares que de alguma forma nos conectamos com o nosso interior, com o silêncio, com os nossos pensamentos e projetos. Ao invés de percorrer muitas cidades em poucas noites, a intenção agora é conhecer tão bem o lugar que estamos, que talvez chegue a ser uma imersão.
Depois de escolher o destino partimos para a estadia e alimentação, que talvez antes não estavam no topo da lista. Não precisa ser um hotel de muitas estrelas, nem roteiros que tenham resorts (muito pelo contrário), mas sim um local para chegar no final do dia, com um bom chuveiro e cama, para nós apenas, e não dividir com estranhos que não respeitam a regra do falar baixo, ou arrumar a mala às 3 da manhã com todos os plásticos disponíveis no planeta terra. Um pouco de conforto, é o mínimo. Uma boa alimentação é um ponto tão importante como o chuveiro e a cama. Para conseguir aproveitar ao máximo as nossas estadias, temos que nos alimentar bem. Uma comida barata e ruim pode facilmente estragar alguns dias de viagem. Ao invés de ver lindos pontos, o lugar mais visitado será o quarto e banheiro. Gostamos de conhecer os sabores locais, e com isso buscamos referências de onde comer bem por preços honestos. Nada como saborear os temperos locais de forma agradável e sem preocupações.

O que ver nos lugares? Isso importa realmente? Ao ter esta mente aberta para “sentir o lugar”, não fazemos grandes roteiros dia a dia. Gostamos de viver os momentos, de sentir o que o corpo e mente pedem no dia. Se é dormir até um pouco mais tarde, ou acordar as 4 horas da manhã para ver o nascer do sol de um mirante extravagante. Visitar um, dois ou três bairros, ou apenas caminhar pelo quarteirão da estadia. Estas coisas não são tão importantes, quando a verdadeira intensão é desconectar do cotidiano, e reconectar com o nosso interior e exterior momentâneo.

Já parou para pensar como você planeja as suas viagens? Precisamos realmente ter tudo anotado e definido antes mesmo de sair de casa? Temos espaço para um pouco de espontaneidade? E por quê caminhar pelas ruas principais? Como já escreveu J.R.R. Tolkien: “not all those who wander are lost!” (nem todos que vagueiam estão perdidos.)

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[chammonix, 2013] ...sua extravagancia e silêncio...

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[austrália, 2015]suas cores e composições, simplesmente nos encantam.

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[atacama, 2016] alcançar desafios pessoais...

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[atacama, 2016]...nos inspirarmos simplesmente pelo lugar que estamos naquele momento...

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[havaí, 2014] saborear os temperos locais em pequenas lojas....

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[havaí, 2014] estar na presença de pessoas queridas, em silêncio, observando eventos naturais....

viagens BEM acompanhadas

explorar sem parar, ser esponja

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no museu do azulejo em lisboa

Somos do tipo que gosta de fazer economias no dia a dia para poder viajar. Evitamos gastar muito em hábitos consumistas como comprar roupas e outros produtos que não são uma real necessidade do cotidiano. Desta forma focamos a nossa energia e economias em desbravar um novo continente, país ou cidade. Este sonho de conhecer e fazer parte do mundo é algo que compartilhamos desde o dia que nos conhecemos. Sempre conversamos sobre outros povos, línguas e vivências, de como tornar isto parte da nossa realidade, e hoje, depois de quase três pares de anos juntos, podemos dizer que já desbravamos alguns cantos especiais. Quando voltamos de um destino, já pensamos e nos planejamos para um próximo. As viagens podem acontecer a sós, na companhia um do outro ou com outras pessoas também. Viajar pode ser incrível dos dois jeitos, mas é importante saber reconhecer e escolher as companhias ideais. Nem sempre o melhor amigo é um bom companheiro de viagem.

Todos conhecemos pessoas dos mais variados tipos. Cada um com seus hábitos e manias que aplicados ao modo viajante, criam estereótipos. Conhecemos os planejadores excessivos, que querem deixar tudo enquadrado nos mínimos detalhes. Ao chegar no primeiro destino já estão pensando no horário que devem partir para o próximo. Tem também os famosos “turistas”, que não tem tempo ou paciência de pesquisar o destino e montar um roteiro interessante. Estes, em grupo, formam os ônibus turísticos que sem movimentam em bando, param e tiram foto dos pontos principais. Os boêmios economizam na alimentação e nos passeios a museus para poder beber uns drinques extras durante a madrugada. O objetivo é ver o nascer do sol dos mais variados ângulos. Existem também os compradores compulsivos. A viagem se torna o motivo para renovar o guarda-roupa. Ao invés de buscar pelos pontos atrativos das cidades busca pelas lojas e outlets que podem ajudar nesta missão de levar a mala explodindo de volta para casa. Os leitores dos guias Lonely Planet desbravam as cidades como enciclopédias ambulantes, citando datas e acontecimentos para quem quer ouvir, e para quem não quer também. Os alternativos ao extremo são aqueles que não querem ser vistos nos pontos turísticos. Ver a Torre Eiffel para que se posso ver esta pequena loja de discos de vinil e câmeras fotográficas retrô? Não há mal em ser de um ou de outro jeito, de gostar ou admirar a cidade de formas diferentes, o importante é encontrar alguém que seja compatível com a sua forma de viver estes momentos. O desalinhamento neste tipo de vivência causa desconfortos e discussões.

E ai fica a pergunta, que tipo de companhia somos nós? Eu diria que um equilíbrio de algumas características citadas. Somos mais do tipo do dia, que acorda cedo para aproveitá-lo ao máximo. Provável que evitaremos baladas e afins, mas um bom jantar e talvez drinks em algum lugar movimentado nos atrai para caminhar pelas noites e observar o movimento daqueles que saem da toca quando o sol se põe. Ao escolher um destino as vezes já reservamos hospedagens, mas outras vezes, se fazemos uma viagem de carro por exemplo, gostamos de deixar tudo em aberto. Desta forma vamos sentindo cada local e definindo se devemos ficar um pouco mais ou seguir em frente. Isto possibilita uma flexibilidade de acordo com o momento. Se reservarmos a hospedagem, normalmente os passeios ficam em aberto. No dia anterior, à noite, provavelmente durante o jantar, decidiremos o roteiro do dia seguinte. Gostamos de carregar conosco o elemento de improviso e espontaneidade. Por isso também evitamos grandes grupos de turismo e longas filas. Ao visitar destinos gostamos de conhecer os ícones, mas ao mesmo tempo, para chegar lá, gostamos de caminhar pelos entremeios da cidade, passando por pequenos comércios e residências de bairro, observando os moradores fazendo suas rotinas diárias. Aproveitamos para gastar as solas dos sapatos, para de fato sentir o piso, cheiros e barulhos do local. O transporte público (ou privado) entra em ação para distâncias muito longas. Preferimos economizar em compras e investir em boas refeições. Quando chegamos, sentir os sabores locais faz parte dos itens “a serem visitados sempre”. Saímos um pouco da rotina de alimentação para provar salgados, doces e bebidas também. Tudo aquilo que faz parte do paladar e tradição, deve ser provado, mesmo que depois não seja repetido. Ao visitar museus e monumentos, aproveitamos também para ler um pouco sobre a história, imaginar o que se passou ali e entender o porquê aquilo foi construído daquela forma. Isto faz parte do sentir e conhecer.

Já viajamos com diferentes grupos, de diferentes tipos, antes de nos conhecermos e nesta jornada juntos também. Esta viagem para Portugal, nestas últimas duas semanas, apenas reafirmou o quanto a companhia é importante e faz diferença para nós (e acho que para todos). Viajamos com Carol e Marcos, nossos cunhados, e concluímos que a viagem fluiu de forma harmoniosa e interessante. Provamos, discutimos, aprovamos e desaprovamos ruas, museus, monumentos, sabores e movimentos. Para nós, viajar com pessoas funciona como um relacionamento temporário. Nos abrimos para ouvir, compreender e aprender com aqueles que estão nos acompanhando naquele período. Esta foi uma viagem que abriu o olhar para novas ideias, para novos sabores e para uma beleza urbana que cativou o nosso olhar e coração.

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saimos das ruas principais para ver o que os outros não vêem

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mesmo que sem saída, viramos em ruas que ninguém virou

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apreciamos momentos internos em museus e galerias

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entramos em lugares apenas porquê nos chamaram a atenção de fora

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frequentamos mercados para provar os sabores locais

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estamos abertos para novas experiências e conhecimentos sugeridos por outros

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compramos e compartilhamos

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fica a saudade das nossas BOAS companhias em lugares incríveis

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