etiqueta #alimentação

6 hábitos para 6 horas de trabalho intenso

ser esponja, criar contexto

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uma parede de 2 horas

Quando uma pessoa me pergunta: “quanto tempo você demora para fazer uma arte nesta parede de 10 metros por 2 metros de altura, com apenas linha, em preto e branco?” respondo sem titubear: “6 horas, com uma pausa para um lanche”.

Como você sabe, ou talvez não, há alguns anos decidi viver do que costumava ser o meu hobby: a arte. Ela que logo se desenvolveu para algo mais como um potencial criativo e conceitual. Através da união de diferentes técnicas transito entre a criação de obras e projetos com significado. Mas é importante dizer que, além da escolha de fazer uma mudança na vida, foi necessária uma consciência corporal e mental ainda maior. Cresci em um ambiente onde o equilíbrio entre corpo e mente sempre foi valorizado e por isso, desde nova, alcançava níveis altos de foco e produtividade. Quando decidi transitar para uma nova jornada, a vontade de me conectar com este rendimento cresceu ainda mais. Criar, estar, e organizar coisas de forma coerente e produtiva, exigiu o desenvolvimento de hábitos, aparentemente simples, mas que fazem toda a diferença. Não hesito em responder o tempo que levo para criar, pois conheço o meu corpo, foco e produção.

No início, até que eu entendesse o ritmo de trabalhar de forma independente, passei por diferentes fases e testes para encontrar a fórmula que funciona para mim. Sim, para mim, pois não existe uma fórmula que se aplica a todo mundo. Cada um de nós vive em um entorno diferente e absorve ele em intensidades diferentes também. Cada mente tem um limite de conexão e produção. Cada corpo tem uma estrutura e resistência. O identificar e construir o nosso exige disciplina e determinação. E principalmente consciência. Um exercício de auto conhecimento, não apenas psicológico, mas físico também. O que eu como que me faz bem? O que não tanto? O que me dá energia e o que não? Que tipo de exercício libera endorfina o suficiente para ser um combustível de energia? O que me faz dormir melhor? Em que posição, intensidade de luz, barulho ou concentração durmo ou trabalho melhor? Em que situações me sinto confortável ou nem tanto? Que pessoas me fazem bem e quais não? Preciso realmente ir a um evento se não sinto vontade de ir? O que a variação climática, de temperatura ou até mesmo fase lunar influencia o meu dia ou noite? Que música me inspira? Que aromas acalmam a alma? São perguntas que podem parecer clichês, complexas ou sinônimo de muitas horas de pensamentos estáticos, mas ao transformá-las em hábitos, encontrei a consciência para transformar ainda mais os meus dias (e noites) e aumentar o meu rendimento produtivo e energético.

Sou intolerante a glúten. Passo muito mal quando como? Depende do meu bem estar do dia? Ingiro alimentos que contém esta proteína em um dia que estou me sentindo melhor? Não. O meu corpo não digere bem alimentos que contém glúten, portanto evito ao máximo chegar perto deles. O que faço se vejo uma vitrine de pães de salivar a boca? Passo reto sem ao menos hesitar. Programei a vontade de algo que costumava gostar, o desejo, a gula, para o “não me faz bem”. O mesmo acontece com a carne vermelha ou outros alimentos gordurosos e fritos? Passo tentação? De jeito nenhum. O ingerir, por ingerir, em algumas horas me trará desconfortos e dores. A longo prazo destruirá o meu aparelho digestivo e fígado, dois sistemas do meu corpo que já são enfraquecidos. Por quê ingerir aquilo que não te faz bem? Não tomo refrigerante para emagrecer? Tomo suco verde pela manhã para entrar na onda do detox? Não como carne para postar sobre as segundas sem carne? Não! Não uso rótulos, não sou vegetariana, paleo, vegana, ou outras definições. Conheço os meus sistemas, o que eles precisam e o que faz eles desprenderem energia (já parou para pensar por quê sente sono ao comer demais? toda sua energia vai para o aparelho digestivo). Portanto, respeito eles. Ingestão de nutrientes que alimentam e somam, água para hidratar o corpo antes de ele sentir sede, para o funcionamento pleno dos órgãos e da mente.

O mesmo princípio se aplica ao sono. Um assunto que me interessa e muito. Gosto de acessar o meu inconsciente, de sonhar, de sentir, de desligar a mente. Não só gosto, mas preciso, pois conscientemente a mente é ativa, acordada, acelerada e as conexões acontecem incessantemente. No sono encontro a minha calma, o meu recuperar e regenerar. Dormir quanto? Deitar na cama antes das 10:30 de preferência, e dormir, de 7 horas e 15 minutos a 8 horas e 15 minutos. Sim, e 15 minutos. Estes minutos são o adormecer e acordar do corpo e da mente, para então ter 7 horas de sono pleno. E se sinto sono durante o dia, por uma noite mal dormida durante a lua cheia ( sim, tenho mais dificuldade de desligar a mente durante a lua cheia ), deito por 20 minutos por volta das 10 da manhã ou 14 horas da tarde, dependendo da disponibilidade. Vinte minutos, para mim, são suficientes para recuperar parte do cansaço antes de me preparar para uma próxima noite de sono mais profundo.

Seis horas em pé, criando, pintando incessantemente (salve a pausa do lanche) exige não só muito da mente, como também do corpo. Braços, pernas, ombros, pernas e coluna. Postura, força e resistência. Faço exercícios para emagrecer e alcançar um corpo escultural? Longe disso. Vai muito além da estética, para alcançar resistência e força, para construir a minha produtividade e potencial. Do que adianta passar um dia pintando se no dia seguinte eu não sair da cama? Quais os seus limites físicos? Onde estão as suas fraquezas? Qual a sua consciência e consistência ao fazer exercícios? Eu tenho um batimento de coração atípico e com isto a minha respiração também não é consistente. Encontrei na corrida uma forma de levar o meu corpo à resistência e constância na respiração. Quebro minhas próprias barreiras para respirar de forma rítmica para manter a postura na corrida. Faço exercícios localizados, acompanhados por um profissional, para fortalecer articulações e membros.

Quanto tempo você aguenta ficar em pé, com o braço levantado, fazendo movimentos corporais para gerar linhas e detalhes sobre uma superfície? Tudo isto de forma espontânea, criando uma obra única. E muitos dizem: “mas para você é fácil, você tem um dom! o seu trabalho é o seu hobby, e este consiste em desenhar.”

Consciência, coerência e consistência para um alto rendimento e produtividade, através da ingestão de sólidos e líquidos, trocas energéticas, um sono regulado, força e resistência. Hábitos que possibilitam a escolha e capacidade de trabalhar seis horas focadas e produtivas de criação e movimento. E nunca mais do que isso em um dia.

#favoritoscomtijolo : Bio Alternativa

explorar sem parar

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bio alternativa higienópolis

Nós no conhecemos em um carnaval. Na rua? No carnaval de rua do Rio ou de Salvador? Não! Na tranquilidade da cidade de São Paulo nestes feriados prolongados. Desde então foram poucas as vezes que viajamos em feriados. Um dos principais motivos é evitar a estrada e pedágios com longas filas. O segundo é a possibilidade de sair com amigos que pensam de forma similar, não tiveram tempo para programar uma viagem, ou simplesmente porquê não emendam feriados. Seja qual for o motivo deles, aproveitamos a companhia e a possibilidade de fazer programas diferentes. Aproveitamos a cidade vazia para fazer programas que normalmente não faríamos. Numa ocasião destas, tiramos um dia para passear pela cidade com um casal de amigos. A ideia inicial era irmos a uma exposição, mas o programa foi logo frustrado pelas longas filas. A saída foi passar em exposições menores e acelerar a fome para que pudéssemos almoçar juntos em algum lugar agradável. Bruno, que já conhece o nosso estilo de alimentação, sugeriu o restaurante Bio Alternativa, na região de Higienópolis. Um restaurante que pertence à família dele e que frequentávamos na época da faculdade. Na época não nos permitimos comer lá com frequência pela condição e rótulo de “estudante”, mas vimos que para os padrões de hoje, o valor é justo.
Ele nos mostrou o caminho. Ao entrarmos na casa antiga passamos por um pequeno mercado com diversos produtos naturais, que variam de comidas a produtos de beleza e livros. A fome era grande então deixamos as comprinhas para depois.

O restaurante existe desde 1977 e é focado na alimentação natural e vegetariana. Raízes, caules, flores, frutos, cores e texturas compõe a bancada do buffet de valor fixo. Para atender o número crescente de restrições alimentares, seja por motivos alérgicos éticos, ideológicos ou religiosos, cada prato tem sua identificação específica. Começamos pela sopa e repetimos três vezes, passando por antepastos, saladas e pratos quentes. Em qualquer outro lugar teríamos a sensação de “sair rolando”, mas de lá saímos leves e dispostos a continuar a nossas andanças pela cidade. Os alimentos são leves e preparados para a fácil digestão. O buffet acontece todos os dias, mas nenhum é igual. Os pratos se repetem somente após um período de 3 semanas. Para Bruno, Carolina e eu foi um reencontro feliz com o restaurante, com sabor de nostalgia dos anos de Mackenzie. Para o Marcos foi a apresentação a mais um lugar facilmente frequentável em dias tranquilos pela cidade.

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o mercado natural

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buffet do dia

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bruno e carolina nos mostrando o caminho

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terraço para a rua

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pátio interno

cardápio verde, laranja e rosa

ser esponja

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sucos para levar nas garrafas que adquirimos durante as férias

O Marcos já compartilhou a nossa experiência sensorial do programa de sucos. A ideia do programa de três dias de detox que fizemos foi inspirado na experiência de um casal de amigos. Eles decidiram mudar os hábitos alimentares para ter uma melhoria no estilo de vida. Fizeram o mesmo detox que experimentamos durante três dias e depois disto balancearam a alimentação até hoje, dois meses depois, entre sucos e alimentos sólidos. O que nos chamou mais atenção na experiência deles foi a perceptível mudança no apetite. O paladar ficou mais aguçado e as escolhas mais seletivas. Ficamos curiosos. Eles por sua vez se inspiraram em um documentário que assistiram, conhecido como Fat, Sick and Nearly Dead. Um obeso que passa sessenta dias tomando sucos para se alimentar melhor, perder peso e recomeçar uma vida para o corpo. Pesquisamos um pouco mais a fundo, escolhemos três dias que se encaixariam bem em nossas rotinas, montamos o cardápio e fomos ao mercado. De preferência deve-se optar por frutas e vegetais orgânicos. No caminho para casa pegamos emprestada uma centrífuga da mãe do Marcos para seguir o programa ao pé da letra.

O “3 day quick start reboot” (um rápido recomeço de três dias) do Joe:

Os dias sempre começam com um copo (250ml) de água morna com limão e gengibre opcional.
Durante o dia é recomendada a ingestão de muita água para manter o corpo bem hidratado e não exagerar nas atividades físicas, pois ele precisa de energia para processar as novas informações. No site do programa existem opções para cada refeição e substituição de ingredientes. Vale a pena dar uma olhada na lista para entender as similaridades dos alimentos e aos poucos fazer suas próprias composições.

Montamos os nossos dias assim:

dia 01:

7h
carrot-apple-lemon
(serve duas porções de aproximadamente 500ml para cada)
4 maçãs
4 cenouras
2 limões

ao longo da manhã, um copo de água de coco.

12h-13h
garden variety
(duas porções)
4 maçãs
4 pepinos
16 folhas de couve (colocamos um pouco menos, pois as nossas folhas são maiores do que as americanas)
2 mãos cheias de salsa

15h-16h
australian gold
(uma porção)
½ abacaxi médio
1 pimentão amarelo
1 limão
2.5cm de gengibre fresco

19h-20h
green lemonade
(duas porções)
2 maçãs
4 mãos cheias de espinafre
16 folhas de couve
1 pepino
4 talos de salsão (aipo)
2 limões

22h30
just beet it
(uma porção)
2 beterrabas (pequenas)
2 peras
1 pepino
2.5cm de gengibre fresco

dia 02:

7h
peach or pear pie
(uma porção)
1 batata doce (crua)
2 pêssegos maduros (ou, se não for a época, duas peras podem substituir)
1 maçã
1 1/3 copos (aproximadamente 150g) de bullereis
uma pitada de canela

água de coco durante a manhã.

12h
green lemonade
(duas porções)
2 maçãs
4 mãos cheias de espinafre
16 folhas de couve
1 pepino
4 talos de salsão (aipo)
2 limões

15h-16h
mexi cali
(uma porção)
2/3 de um abacaxi médio
1 maçã verde
1 lima
½ jalapeño
1 mão pequena de coentro (substituimos por salsa)

19h-20h
joes mean green
(duas porções)
16 folhas de couve
2 pepinos
8 talos de salsão (aipo)
4 maçãs
1 limão
5cm de gengibre fresco

dia 03:

7h
un beet able
(duas porções)
2 beterrabas
6 cenouras
2 maçãs
15 folhas de couve
5cm de gengibre fresco

água de coco

12h-13h
joes mean green
(duas porções)
16 folhas de couve
2 pepinos
8 talos de salsão (aipo)
4 maçãs
1 limão

15h-16h
australian gold
(uma porção)
½ abacaxi médio
1 pimentão amarelo
1 limão
2.5cm de gengibre fresco

20h
sopa de abóbora com gengibre
e biscoitos de arroz sem glúten.

O quarto dia levamos uma alimentação ainda mais leve do que de costume, para que o corpo se acostumasse aos alimentos mais sólidos.

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café da manhã, almoço e lanche da tarde

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dia 01: água morna com limão e gengibre, e café da manhã

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no dia 02 guardamos o bagaço que utilizamos depois para fazer um pão

detox mental

ser esponja

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café da manhã, almoço e lanche da tarde

Hoje é o dia seguinte após três dias seguidos de desintoxicação ingerindo somente sucos verdes. Kalina e eu decidimos encarar o desafio por motivos semelhantes e completamos a jornada com opiniões complementares. Entender o processo e ponderar os objetivos é vital para transformar o jejum em uma experiência construtiva.

Nós temos uma rotina saudável. Todos que nos acompanham diariamente sabem do esforço que empregamos neste sentido. Acordar cedo, suco verde, exercício físico, contato com a natureza, café da manhã reforçado, home office - que para nós significa trabalho intenso, leve, criativo e produtivo - alimentação caseira, natural e balanceada, muita água e chá, pouco trânsito, mais tempo juntos e hobbies para desestressar. Em meio ao nosso cotidiando desvairado, não é fácil adotar tais hábitos. Mas se, de certa forma, não nos intoxicamos diariamente, então porque desintoxicar?

Antes de compartilhar nosso parecer, que fique bem claro: o termo detox, no universo da alimentação, é uma farsa. O termo foi surrupiado e, no contexto correto, significa o controle medicinal da dependência química de drogas. De qualquer forma, há uma onda de programas de detox chegando ao Brasil - importada dos EUA - que prometem livrar o seu corpo de todas as toxinas que você ingere com produtos industrializados e aquele almoço fast-food-rápido. Desintoxicar o corpo é um conceito errôneo, criado por marqueteiros competentes. Não há qualquer indício científico que aponte que qualquer programa de desintoxicação promova a descarga de toxinas incrustadas em nossas células. Na verdade, nossos órgãos são tão evoluídos que já fazem isso automaticamente.

Um simples advento que nos livra de todos nossos pecados alimentares - é ótimo pensar que existe nas prateleiras, mas infelizmente, não há.
- Dara Mohammadi

Há, contudo, um lado psicológico que são esquecidos nas pesquisas científicas.

Nossa sociedade moderna tem um relacionamento conturbado com a comida. Nossos antepassados passavam mais tempo caçando e correndo atrás de seus alimentos do que comendo. Nós passsamos muito mais tempo sentados e ingerimos muito mais calorias. A cultura imediatista das cidades afeta a todos nós de maneiras diferentes. Alguns estão obesos, alguns subnutridos, muitos tem distúrbios psicológicos alimentares. Se você acha que isso não lhe afeta, pare e pense quantas vezes não descontou sua ansiedade com a comida. Um chocolate, uma pizza ou aquele churrasquinho. Ah, não esqueçam que a bebida alcoólica também entra nessa conta. Reavaliar nosso relacionamento com nossos alimentos é um passo essencial para promover o autoconhecimento. E foi exatamente por isso que nos sentimentos atraídos a seguir um programa de desintoxicação.

Nós do comTijolo acreditamos na desintoxicação mental.

Três dias inteiros sem comer e sem mastigar é uma quebra de paradigma de uma vida inteira. Quantas vezes você, caro leitor, já o fez? A mudança de hábito repentina por si só já traz inúmeras descobertas. Se você programa seu cérebro para o desafio, não vai ficar com fome. O corpo se adapta. Os sucos verdes contêm tantos nutrientes que muitas vezes seus níveis de energia serão maiores que os normais. Nós dois percebemos uma melhoria em nosso foco durante o trabalho e também tivemos um sono mais profundo durante o processo. Você percebe que alguns sintomas de sua saúde - como a acidez gastrointestinal que venho combatendo há anos - podem ser, de fato, psicossomáticos e, você pode, com treino e devidas medidas, ter controle total do seu corpo.

Explorando um lado mais intangível, algo ainda mais interessante aconteceu comigo durante esses dias. A abstinência de comidas sólidas fez meu cérebro expelir pensamentos negativos mais antigos. Acredito que isso tenha acontecido devido a uma memória registrada em meu corpo em algum momento de ansiedade descontada com a ingestão desnecessária de algum alimento. A quebra do fluxo constante de ingestão e digestão, deu ao meu corpo, literalmente, uma folga para a autopurificação.

Não há pesquisa científica que comprove que programas detox como o que fizemos promova a desintoxicação de nosso corpo. Contudo, também não há pesquisa científica nenhuma que estude os benefícios intangíveis alcançados por tais experiências. O segredo, para nós, parece ser a intenção. Se você quiser experimentar um caminho semelhante ao que percorremos, para promover o autoconhecimento e controle do próprio corpo, ótimo. Se é para se desintoxicar do porre que tomou durante o carnaval, melhor deixar para o próximo carnaval.

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lavando frutas e vegetais para o detox

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bagaço dos sucos do dia

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antes do almoço no trabalho

enfiando o pé no equilíbrio

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kauai juice co. uma marca de sucos exóticos e orgânicos

A maioria das pessoas, ao entrar de férias, se sente livre para sair da rotina de restrições, comer o que se tem vontade e, na maioria das vezes, “chutar o balde”. Sair de férias quer dizer comer todas aqueles alimentos que normalmente se priva e, ao voltar para casa, se matar um pouco mais na academia para perder todas aquelas gordurinhas a mais. O Marcos e eu já saímos de férias muitas vezes juntos e, na grande maioria delas, emagrecemos. Sim, perdemos peso e/ou ganhamos massa muscular. Ai fica aquela pergunta no ar: “Vocês não aproveitam para comer tudo aquilo que não tem em casa?” a resposta é “SIM, com certeza!”. Não é porque optamos por um estilo de vida saudável que não sentimos prazer em comer, ou que não provamos coisas novas, ou que não saímos para comer fora. Muito pelo contrário! Uma das primeiras coisas que fazemos ao chegar em outra cidade ou país, é ir ao supermercado. Por ali ficamos horas lendo embalagens, conhecendo novos produtos e enchendo o carrinho de guloseimas.

Para muitos viajar para os Estados Unidos é sinônimo de comer hambúrguer, batata frita e refrigerantes, tudo em porções XL (extra large ou extremamente grande). Para nós é viajar para um dos paraísos da alimentação saudável. No mesmo lugar que você encontra tudo do mais industrial, com as maiores quantidades de conservantes e açúcares, você encontra o que há de mais natural. E assim foi a nossa viagem ao Havaí no final de 2014. A companhia ajuda nestes fatores, e neste caso, além de nós dois, estavámos ao lado dos meus pais, irmãs e agregados. E sim, todos apreciam de uma rotina de alimentação saudável e atividades físicas. No total éramos oito pessoas que compartilham a vontade de explorar e experimentar. Idas ao supermercado resultavam em horas pelos corredores, mais alguns minutos para juntar o grupo e um grande carrinho que assustava os caixas quando nos avistavam.

Estes carrinhos gigantes nos sustentavam para cafés da manhã, lanches durante o dia, enquanto estávamos explorando as ilhas, e jantares. No café da manhã cada um preparava o seu: frutas, pães, mingau, sucos verde, e quando havia o interesse um provava do outro. Depois do café da manhã preparávamos uma sacola térmica com frutas (banana, maçã, mixarias e abacaxi local), água, nozes (amêndoas, sementes e macadamias locais) e carboidratos (biscoitos salgados sem glúten, salgadinhos - sim! salgadinhos! - de batata doce, arroz ou milho, assados, orgânicos e sem conservantes). Durante o dia fazíamos os lanches no carro a caminho de novos lugares ou sentados apreciando alguma bela paisagem. O almoço era um pouco mais reforçado e normalmente acontecia em algum lugar no caminho. Uma rápida pesquisa nos livros sobre a ilha ou no tripadvisor, e normalmente eram compostos de misturas leves e locais. O Havaí tem grandes influências orientais então pratos com peixe cru (Ahi, Mahi Mahi, entre outros) são muito comuns. Isto era balanceado com saladas e sucos naturais. Durante a tarde ou de sobremesa nos deliciávamos com os smoothies locais - sucos cremosos e gelados com combinações de ingredientes exóticas. Como os sucos do Kauai Juice Co, ou os smoothes do Healthy Hut por exemplo. De volta em casa cada casal se revezava e aventurava na cozinha para preparar o jantar para o restante do grupo.

Uma alimentação regrada e saudável foi acompanhada de uma rotina (sem rotina) de exercícios. Trilhas, caminhadas, corridas e remadas. Alguns dias não nos movimentamos tanto e o grupo já pensava na próxima atividade que exigisse um pouco mais do corpo. Cada um respeitava o seu corpo e seus limites, mas sempre chegávamos e partíamos como um grupo. O resultado da viagem e deste equilíbrio, mesmo de férias? A descoberta de novos alimentos e novos gostos, o interesse por novas atividades físicas (ou a vontade de praticar com mais frequência) o desenvolvimento de novos músculos e, acima de tudo, uma grande vontade de voltar!

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a alimentação começa no avião: comida especial sem glúten e lanches comprados no aeroporto

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cafés da manhã em família e energia para o dia

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café da manhã de parte do grupo

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aproveitando os produtos locais

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paradas para smoothies (healthy hut)

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conhecendo produtores locais - aqui, um de chá

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dia de chuva também é dia de pic nic

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açai e pitaya em tigelas

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o abacaxi havaiano

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prato típico: poke (espécie de ceviche, mas sem marinar o peixe )

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parada obrigatória em food trucks

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caminhando e explorando a vizinhança

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trilhas

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movimentar-se, não importa como

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remada no mar

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caminhadas

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passeio em grupo pelos rios

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lema que levamos conosco

#sucoverdelimão

ser esponja

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equilíbrio: corpo e alma

“Desintoxicar significa deixar sair as toxinas, os venenos: purificar”. Assim começa o livro “Alimentação Desintoxicante” de Conceição Trucom. Diariamente somos bombardeados de substâncias e toxinas que não nos pertencem, e isso não somente através de alimentação e sim também pela água que bebemos, pelo ar, por substâncias que passamos na pele e no cabelo, e nas energias que trocamos e recebemos de pessoas e espaços. O nosso corpo é uma máquina que não para de trabalhar mesmo durante o sono, na tentativa de eliminar todas as tensões do mundo e pessoais para que tenhamos uma noite tranquila. Isso já sabemos não é? E o que você faz para ajudar a sua máquina?

Como sabem, por diversos fatores, Marcos e eu, tentamos seguir uma alimentação diária equilibrada e saudável, regada de uma rotina de exercícios para completar o pacote. Isto tudo para deixar o corpo em forma ou bater o recorde da corrida entre os amigos? Não e não, embora seja um bom motivo para motivá-los, fazemos isto principalmente para alcançar um bem-estar, manter o corpo forte para combater nuvens de vírus e viroses que pairam sobre o ar da cidade, e para noites de sono mais tranquilas. Funciona? Sim. Se contarmos nos dedos acho que a única vez que vi o Marcos resfriado, ou algo próximo a isso, foi quando tomou uma vacina anti-tétano e seu corpo tentou combatê-la. O resultado? Uma febrinha (nada básica) de dois dias e pronto. Para mim um resfriado que me atacou entre Natal e Ano Novo passado, durante uma semana de muitas atividades, pouco esporte e sono. Abusei e não aguentei. Antes disso, não me lembro quando foi a última vez.

Nesta nova rotina estamos ainda tentando nos adaptar aos novos sons durante a madrugada, à rotina de esportes no entorno próximo e ao equilíbrio entre trabalho e afazeres de casa. O que muda no corpo? Nenhum resfriado ainda, mas fraquezas e cansaços excessivos. Um power nap no meio da tarde resolve de vez em quando, mas o rendimento nos esportes, no trabalho e até mesmo nas vivências sociais vem caindo. Até que um dia destes, recebemos a Simone, irmã do Marcos, aqui em casa por algumas noites, enquanto fugia de uma obra em casa. Toda manhã acordava, pegava um livro da cabeceira, escolhia uma receita e batia frutas e legumes no liquidificador. Sentava-se à mesa mais tarde, quando já tínhamos terminado. Algo pessoal? Não, uma adepta à dieta do suco verde. Não foi a primeira vez que ouvimos falar do famoso astro do momento, mas foi o primeiro contato mais próximo com a bebida de cor estranha. Já há algum tempo tinha a vontade de tentar, de ver se realmente todos estes artigos diziam coisas plausíveis, mas durante toda esta rotina nova foi a última coisa que pensei em inserir. Decidi provar e pedi para ela aumentasse a dose dos alimentos. Foram poucos dias para que eu notasse algum resultado, decidi então, quando ela partiu, comprar o livro que carregava com tanto cuidado para lá e para cá: “Alimentação Desintoxicante”. Ao comprar um para mim aproveitei e dei um para minha mãe de presente, que já vinha falando, após vivências em cursos de alimentação funcional, que gostaria de tentar também. Descobrimos, após começar a ler, que não se trata apenas de um livro de receitas, mas sim de tudo aquilo que acreditamos. As tais toxinas que absorvemos no dia a dia devem ir embora. Como o Marcos me diz em dias que me sinto mais fraca: “ Tell it to go away”! (Mande embora), afinal 98% de sintomas que sentimos são da nossa cabeça.

Assim surgiu a série no Instagram chamada #sucoverdelimão. Acordo todos os dias e faço uma mistura desintoxicante para tomar em jejum, 30 minutos antes de comer o restante do meu café da manhã. No início seguindo receitas com nomes prontos como: Limpeza Total ou Tônico Matinal; agora, seguindo o meu bom senso e estudando as caraterísticas de cada alimento, faço misturas com aquilo que encontro na nossa geladeira. Não existe um modelo único. Os ingredientes do suco podem variar de acordo com seu gosto, disponibilidade ou estação dos alimentos. Mas o suco não faz milagres! Se quer tentar, recomendamos que esteja consciente do “porquê” fará; seja fortalecer, combater ou emagrecer, a cabeça, a determinação e o restante da alimentação e rotina tem uma participação essencial também. Nós, além de inserir o suco verde em nossa rotina, continuamos buscando o equilíbrio nas refeições e nos esportes, para que o pacote completo ajude o corpo nesta nova fase feliz, porém intensa.

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o livro: alimentação desintoxicante

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fotos dos sucos diários no instagram com a receita

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fotos dos sucos diários no instagram com a receita

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alimentação equilibrada de três em três horas

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alimentos orgânicos sempre que possíveis. temperos da horta

Pra você é fácil?

pensar acordado, criar contexto

Regular kalina 1991

em algum momento de 1991

“Para você é fácil, porque tem talento!”

Desde o início do ano passado esta é a frase que mais ouço quando as pessoas se dirigem a mim e a minha mudança de hábitos e carreira. Mas já de início compartilho com vocês que não foi e não é tão fácil como pode parecer. Vamos ao início.

“O que você quer ser quando crescer?“ Lembro que ainda pequena respondia àquela pergunta de sempre: “Arquiteta!” Sem ter ideia o que isso realmente queria dizer. Chegou a hora de traçar a carreira ao sair da escola e, após algumas conversas com o meu pai, escolhi! Para os que não sabem, me formei em arquitetura há quase quatro anos atrás, um assunto que sempre me interessou e fascinou muito. O período de faculdade foi de grande aprendizado e novas descobertas nas mais variadas áreas que este tema envolve. Diferentes estágios, desde o início dos estudos, para tentar descobrir o que eu realmente gostaria de seguir. Projetos, novas propostas, concursos e prêmios. Tudo sempre fluiu bem e com sucesso. Mas eu estava sempre feliz em relação a isso? Hoje posso dizer que provavelmente não. Gostava. Sim, gostava. Mas não era a minha paixão.

Na segunda parte dos cinco longos anos de estudo comecei a levar para a sala de aula o que normalmente ficava reservado para o meu tempo sozinha em casa: o desenho. Durante as aulas teóricas de Planejamento Urbano, Topografia, Teoria da Arte ou Resistência dos Materiais, desenhava para que as longas horas passassem mais rápido. Com o tempo descobri que isto me ajudava ainda mais a ouvir e prestar atenção no que estava sendo falado lá na frente. Uma tática muito mais eficiente do que olhar para o professor e fingir estar interessada. Fui criando e crescendo e no tempo livre a vontade de desenhar era ainda maior. Com aprovação dos meus pais comecei a fazer testes na parede do meu quarto. Atrás da porta, caso o resultado não fosse tão bom, não atrapalharia ninguém. Sim, tinha medo e era quadrada!

Durante o ano de 2011 trabalhei em um escritório Suiço durante um ano. O final, para mim e outros que trabalhavam na empresa, não foi tão feliz e fez com que minhas vontades começassem a ser questionadas. Neste momento já havia feito alguns trabalhos de pinturas e ilustrações para os mais próximos. Apenas como hobby. Lembro bem de uma conversa no bar com o meu futuro sócio em meados de Novembro do mesmo ano onde ele me perguntava qual a minha vontade para o futuro. Junto com o Marcos começamos a filosofar sobre a multidisciplinaridade, sobre como seria possível juntar design, com arte e com arquitetura. Tudo parecia muito distante e a pergunta final foi: “Legal vocês sonharem com tudo isso, mas como vão ganhar dinheiro?”

Deixei a filosofia de lado e abri o meu escritório, de arquitetura, no ano seguinte. Tudo parecia ir bem, até que a cidade começou a mostrar que não era um parquinho tão divertido. Os projetos não eram tão fáceis de conseguir e o dinheiro era batalhado. A princípio me sentia feliz e realizada sendo dona do próprio nariz e lutando cada dia por dias melhores - mas o meu corpo não me dizia o mesmo. Indisposição, mau-humor e brigas com todos mais próximos de mim. Um sorriso falso me acompanhava todos os dias desde o momento que saia da cama. Em seguida dores de cabeça intermináveis, dores no corpo, falta de sono, falta de vontade de me exercitar, ansiedades incontroláveis, abstinência sexual e a falta de vontade de socializar com qualquer pessoa… Até que um dia dores na área do abdômen que me deixavam na cama por dias e ligações para o meu sócio do tipo: ”Não estou me sentindo bem e hoje vou trabalhar de casa” (ao invés de nossa mesa em um co-working) tornaram-se comuns. Visita a inúmeros médicos e laboratórios já faziam parte de todas as minhas semanas. Até que um dia fui diagnosticada com uma inflamação no intestino, causada por stress emocional. O corpo gritava! E eu continuava me enganando. (este foi o gatilho para mais tarde eu descobrir que sou intolerante a glúten)

A relação com os meus pais ia mal. Amigos? Nem sabiam que eu existia mais. A minha relação com o Marcos piorava a cada dia. Até que um dia ele falou: “Eu estou aqui, tentando te ajudar, esperando você sair dessa, mas não sei quanto tempo aguento, e não posso garantir.” Resolvi então prestar mais atenção. Fiz uma visita à Sandra, uma pessoa querida, que não é médica, mas sim química e através de diálogos e análises dos fluídos e metais do corpo ajuda pessoas a curarem doenças graves e não tão graves. Ela me incentivou indiretamente ao me contratar para fazer o seu novo cartão de visita e logomarca, e me encaminhou para um analista. Sim! Eu fiz terapia e outros tratamentos de ervas, acupuntura e tudo que você possa imaginar (e o que eu imaginava que nunca faria, afinal estava feliz!). A Sandra hoje diz: “Você era uma flor no deserto gritando por água!”

Muitas conversas com o sócio, que logo deixou de ser, com o Marcos e com os meus pais foram abrindo os meus olhos e coração. O fluxo de trabalho era maior na arte e design do que na arquitetura. O que faltava para eu assumir que eu deveria seguir outro caminho? Falar em voz alta: eu quero mudar! Foi fácil? Não! Muito longe disso! Tenho um talento? Talvez… mas acredito, e aconselho, que a evolução vem com a prática e que não basta ter um talento. A cada dia de trabalho, de leitura, de pesquisa, noto o meu crescimento profissional e pessoal. Sorrio ao lembrar e agradeço todos os dias àqueles que acreditaram. Dar certo em uma mudança profissional vai muito além de um talento - e sim da força de assumir aquilo que te faz feliz, aprender a ouvir o que o seu coração e corpo dizem, ter autonomia, responsabilidade, disciplina, estar sempre atento ao mercado e às tendências, programar, estudar, ser humilde e ouvir o que os outros tem a dizer. Toda manhã acordo sem saber como será o dia, como será o mês, como será o próximo trabalho, como vou pagar as contas. Isto é fácil? Não! Mas é o que me faz sorrir todas as noites antes de dormir.

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evoluindo a cada dia

ingerindo hábitos

ser esponja

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café da manhã fora de casa também pode ser balanceado (Julice Boulangère)

Quando convidava meus amigos para almoçar, brincar ou, depois de mais velhos, estudar em casa, lá estava a mesa posta com alimentos mais do que saudáveis. Antes do prato quente, a salada fazia parte da rotina obrigatória. Depois de comer, a fruta era indispensável se quiséssemos um docinho de sobremesa, nunca com muito açúcar, feito pela minha mãe Marianne. Já era normal ouvir de meus amigos: “kaki, na sua casa, até a água tem fibras”. Nas lancheiras na escola, quando olhava em volta, sempre via sanduiches, pães e salgadinhos que muitas vezes não sabia nem identificar, pois na minha e das minhas irmãs, tínhamos sempre frutas frescas e uvas passas pretas, aquelas que vem na caixinha vermelha. Nas festinhas tínhamos em nossas mãos um copinho plástico com água ou suco, ao invés de refrigerante. Nos armários de casa tudo integral (ou a maioria); na geladeira nunca faltavam frutas, verduras, salada, queijos brancos, iogurte feito em casa e leite desnatados. A alimentação ensinada e mantida pelos meus pais era motivo de brincadeiras para muitos, e para outros de admiração, ao ver três filhas disciplinadas que sorriam ao ver um prato de verduras.

Não havia pessoa que conseguisse nos corromper. Sempre damos muita risada ao lembrar do nosso primo Marcelo, que um dia ficou responsável pela Sybil, minha irmã mais velha, e eu (a pequena Maja ainda não existia), durante uma tarde no clube dos ingleses em Santos. Sentamos à mesa, muito educadas, comemos o nosso prato completo de carboidratos, proteinas e hortaliças. Ao terminar o primo empolgado: “ E ai meninas, vamos tomar um sorvete?”. A nossa resposta, sem nem hesitar: “Não pode Marcelo, tem que comer uma fruta antes do doce.”

Os anos se passaram e as coisas….pioraram (na visão dos outros). Além da minha mãe e pai que continuavam com a alimentação saudável diária, nós criamos consciência do que estávamos fazendo e ficamos ainda mais exigentes. Momentos de radicalismo como a Maja ficar sem comer açúcar por dez meses. A Sybil, mesmo saindo de casa cedo, logo descobriu que a lactose não lhe fazia bem. O leite e seus derivados fazem parte da alimentação apenas em dias especiais. Hoje ela planta muitos de seus alimentos no quintal e está em uma fase de testes de comida “raw” (crua). Minha mãe também começou a cortar a lactose e hoje come apenas produtos de soja. Eu, o ano passado, descobri o motivo de minha constante busca por alimentos com fibras durante a infância; a intolerância ao glúten. Meu pai nesta história toda foi se adaptando muito bem e sem reclamar muito, apenas do macarrão integral e do ocasional espinafre, um trauma da juventude. Isto tudo, combinado a doses quase diárias de exercícios, podemos nos declarar bem saudáveis.

Todos temos hábitos diferentes de alimentação, sejam eles saudáveis ou nem tanto. Há quase quatro anos atrás, quando conheci o Marcos, ele já estava há algum tempo em sua fase mais saudável. Sua infância não foi tão “radical” como a minha, no quesito alimentação, apesar de sempre ter bons habitos em casa, não tinha um controle tão grande. Quando criança era um tanto quanto resistente a comidas, portanto acabava no nuggets, lasanha congelada (duas por vez - ai se minha mãe soubesse disso) e suco ades diariamente. Quando passou a comer mais, durante seu intercâmbio na Nova Zelândia, comia nove fatias de pão, com nutella, no café da manhã. Pode-se dizer que estava em sua fase de crescimento. Nesta época sofria de rinites agudas. Passou por diversos tratamentos homeopáticos, mas a única coisa que realmente ajudou na quase cura (salve alguns ataques des espirros ocasionais), foi a mudança drástica na rotina alimentar. Ainda mais drástica foi a mudança quando teve sua primeira gastrite, causada por café e stress, mais ou menos na mesma época em que eu descobri a minha intolerância. Hoje, podemos nos declarar chatos…não, chatos não é o termo, embora alguns amigos insistam nisso, somos apenas exigentes e cuidadosos quando falamos de hábitos. Levamos realmente a sério a questão das pequenas porções nas refeições principais, pratos balanceados de nutrientes e ph, e a repetição de pequenos lanches em intervalos de três horas ao longo do dia. Ele para diminuir e combater a acidez do estômago, e eu para manter o funcionamento do intestino, evitar as enxaquecas e claro mulheres, para manter o peso também.

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o almoço dela hoje (em casa)

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o almoço dele hoje (provavelmente tinha um pãozinho ali do lado) (Julice Boulangère)

Ser esponja

ser esponja

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o equilíbrio tem que ser constante

Nosso corpo é constituído de mais de 70% de água - nós não somos humanos, somos esponjas. Em meio a enxurrada de informações do cotidiano, absorvemos dos líquidos que bebemos , da comida que comemos, das energias que trocamos, das imagens que vemos e dos sons que ouvimos. Não se engane amigo, você também é um dos nossos. Já é hora de escolher a poça que vamos enfiar o pé.

Você absorve as vibrações que emanam de seu entorno, pessoas, alimentos e bebidas - pelo menos nós acreditamos que sim. Vivemos numa sociedade de dualidades constantes e temos que nos equilbrar entre uma série de extremos: responsabilidades e vontades; família e amigos, trabalho e lazer, movimento e ócio, racionalidade e emoção, exercícios e alimentação. Nessa gangorra diára, absorvemos de tudo que nos rodeia: seja em meio a multidões ou a sós em um quarto escuro - informações que escolhemos captar e as tantas outras que preferiríamos evitar.

Estamos em busca, Kalina e eu, de um equilíbrio corporal, mental e emocional. Vivemos em São Paulo, cada um é dono de sua própria empresa e nariz e não é nada fácil evitar que o nosso corpo reflita o meio em que vivemos. Eu, num duelo feroz contra a acidez da cidade e ela, evitando a inflação do glúten da era industrializada. Em meio aos pormenores, vamos na contra-mão do senso-comum num passeio de magrela com nosso amigo Einstein, “A vida é igual andar de bicicleta. Para manter o equilíbrio é preciso manter-se em movimento.” - Ok Albert, mas quando vamos relaxar? Acho que tá na hora de uma pausa para um chá. É, somos consumidores assíduos e amantes confessos daquilo que alguns chamam de água suja – uma das poças que escolhemos pisar.

illustrations by kaju.ink
piece of cloud by AEROGAMI