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apê comTijolo 2016

estar concreto

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o home office

O nosso apartamento é praticamente um camaleão. Desde que viemos morar juntos, ele vem mudando de layout e composição. Quando encontramos o nosso apê e mudamos, ele não tinha nada dentro. Aos poucos fomos conquistando cada objeto, cada móvel, cada cantinho. Isto fez parte de um detalhado período de trabalho, de seleção de prioridades, de escolhas pensadas e espontâneas também. Passamos por dias difíceis e outros mais fáceis, com as contas e no nosso relacionamento. São transições e conversas (muitas conversas!) que fazem parte do dia a dia. Quando as pessoas perguntam: e ai? o apartamento está pronto não é? Sempre dizemos que não! Ainda há tanto para fazer? E por que isso? Pois para nós, o apartamento faz parte das conquistas individuais e do casal também. Faz parte de um amadurecimento pessoal, do crescimento das nossas empresas e, consequentemente, das nossas necessidades dentro do espaço. O nosso espaço, assim como nós, está em constante transição e evolução.

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o nascer do sol para quem entra no apê

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home office integrado com sala de estar

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dormitório integrado com sala de estar

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home office integrado com sala de jantar e cozinha

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o hall integrado com sala de jantar e todo o resto

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detalhes da nossa história no espaço

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a cozinha e área de serviço que também é varanda e horta

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a nossa galeria, bar e banheiro

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o banheiro e seus detalhes

tire os sapatos ao entrar em casa

pensar acordado

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o armazenamento dos mais usados e a cadeirinha para calça-los

Quando alguém chega para visitar o nosso apê. Damos um breve olá e pedimos gentilmente: “será que você pode tirar o sapato para entrar?”, antes que elas dêem o primeiro passo para dentro. Algumas pessoas olham confusas até que a ficha cai e falam: “ah sim, claro!”. E às vezes temos que adicionar: “desculpa, é que temos este costume aqui em casa!” Outros já sabem que temos este hábito, ou também o praticam em seus próprios lares, e já começam a tirar o sapato antes mesmo de nos cumprimentar. E ainda adicionam: “você tem uma meia? estou com frio no pé!”.

Sim, o nosso piso não é lá o mais agradável de se caminhar quando o clima está mais frio. Ele é frio também! O cimento queimado tem inúmeras vantagens como uma boa temperatura, uma textura mais lisa, frio (ótimo para os dias de verão e nada que uma pantufa no inverno não resolva) e a facilidade de limpeza. Mas quem tem tempo de limpar o piso todos os dias? Por inúmeras questões, sendo uma das principais a limpeza e higiene, logo resolvemos quando mudamos: “devemos tirar o sapato antes de entrar em casa!”.

É um hábito muito praticado em países europeus e orientais. No Japão é natural que todos tirem os sapatos como sinal de respeito pela pureza do lar e higiene. Eles acreditam que carregamos muitas impurezas, não só físicas, mas também energéticas nos nossos calçados. As energias ruins que coletamos pelas ruas devem ficar do lado de fora. Um costume muito praticado também em templos e locais sagrados. Por motivos óbvios. Pisar de sapato em seus ambientes puros é considerado um sinal de desrespeito e ofensa. Já na Europa em países como Alemanha e Suiça a questão é mais higiênica e de limpeza. Ninguém tem ajuda diária, ou sequer semanal e quinzenal, para limpeza. Por isso depende das famílias manter as casinhas do jeito ideal para a saúde de todos. Botas com neve, sapatos de terra na primavera, tudo fica em móveis ou armários estrategicamente colocados na entrada das casas. Não se pergunta, apenas se faz. Por isso, por lá, não importa muito o sapato que você usa como parte do look, quando o assunto é ir na casa de alguém. No inverno é comum todos estarem super elegantes, por baixo de casacos grandes de inverno e botas e, ao chegar, se tira tudo e mostra-se o verdadeiro look (de meia ou descalço). Um amontoado de sapatos do lado de fora indica a porta que o encontro acontece.

Por ser um costume muito praticado na Europa, acabou sendo parte da minha educação na casa dos meus pais. Uma influência das origens e uma consciência de cuidados com os filhos. Desde pequenas nos arrumamos todas, buscamos o sapato da vez, e com o par nas mãos nos alinhávamos no hall para vestí-los. Quando isso não acontecia de fato dentro do elevador. Na adolescência levamos muitas broncas com a preguiça e vontade de ver o look completo no espelho do quarto. Ai de você se saísse caminhando pelo corredor calçado. Como minha mãe dizia: “andar na ponta do pé não adianta nada!”. Por quê mantivemos esta tradição, mesmo não sujando botas de neve ou terra? Por questões de higiene. Quando caminhamos nas ruas da nossa cidade, passamos por diferentes superfícies, resíduos e bactérias. Já pensou sobre isso? Imagina o que não entra na sua casa. Mesmo ao deixar o sapato no quarto e seguir o trajeto descalço e depois deitar na sua cama. Já imaginou o que vem da rua direto para os seus lençóis?

Mantivemos o mesmo hábito assim que mudamos. Ainda não encontramos uma solução definitiva para armazenar os sapatos mais usados no cotidiano, mas o que é definitivo na vida, certo? Por enquanto descalçamos da rua logo ao entrar e posicionamos os sapatos próximos à entrada dentro de um caixote feito de um antigo estrado de cama. Na área de serviço uma caixa de feira abriga os tênis e outros calçados ligados ao esporte.

E sim, se você nos visitar, lembre-se da meia furada e do chulé. Também vamos pedir, gentilmente, para que liberte os seus pés e sinta o chão sob eles. Para assim estar realmente presente conosco, e no nosso apê.

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os sapatos se tornam parte da decoração

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a entrada do nosso apê

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e a "caixa do esporte" na área de serviço

os vidros voam

estar concreto

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últimos dias de sol e vista sem filtros

Um manhã normal por aqui o Marcos saiu para sua corrida pelo bairro. Ao voltar e entrar na porta:

  • Você não sabe o que o Fernando acabou de me contar! (Fernando é um dos seguranças do prédio)
  • O que?
  • Voou o vidro de um apê!

A conversa se desenvolveu e, antes de chegar a uma conclusão, lembramos de uma história que o zelador nos contou, antes da mudança, durante uma visita rápida ao apê. Ele nos aconselhou a tomar cuidado se optássemos por colocar algum filme na janela do quarto/closet. Outro apartamentos, ao transformar o espaço em um segundo banheiro, colocaram filme para a privacidade. A empresa responsável, ao instalar os filmes, passa um estilete nas bordas para tirar o excesso. As janelas do MaxHaus são diferentes: ao invés de fazer parte do caixilho, o vidro é fixado por fora com silicone, por motivos estéticos. As empresas de filme, neste corte de excesso estavam cortando o silicone, deixando o vidro solto. Qualquer vento que batesse, ou até mesmo no momento do corte, o vidro estava voando. Sim, alguns vidros voaram até perceberem que isto não era aconselhável. Mas desta vez, este não foi o motivo, e vidros estavam voando novamente!

A história passou, até que um dia o Marcos e eu queríamos sair pelo térreo para um passeio e o Anderson, outro segurança estava em frente à porta de vidro dizendo que tínhamos que sair pelo subsolo.

  • O térreo está interditado! Mais um vidro voou!

Algumas semanas depois, continuávamos, nós e todos os pedestres, entrando e saindo pelo subsolo. Até que o Marcos, em mais uma de suas saídas, descobriu novamente pelo Fernando (em segredo) que um terceiro vidro tinha voado e caído no térreo quase na cabeça de uma senhora, que já havia escapado do segundo vidro que voou. (dica: senhora, por favor fique em casa!) A vida continuou assim por alguns dias. Térreo e piscina interditados. Pedestres entrando e saindo insatisfeitos pela rampa da garagem. Ao sair um dia de carro cruzamos com um caminhão chegando com estruturas metálicas e chapas de madeira, funcionários e engenheiros. Alguns dias depois uma grande estrutura coberta havia sido construída no térreo, conectando as saídas dos edifícios com a portaria. O percurso rodeado de redes para ninguém ultrapassar o limite coberto. Ao chegar de uma reunião, perguntei para o segurança da vez:

  • O que acontece por aqui?
  • Estão construindo uma estrutura para proteger os pedestres do sol - com um sorriso de sarcasmo, logo depois acrescentou quase como um sussurro – ou vidros voadores.

Esta situação perdurou durante mais algumas semanas. Ao voltar outro dia notamos uma rede que estava sendo colocada em uma das fachadas do prédio. Novamente a vez na portaria era do Fernando.

  • Bom dia Fernando. E agora o que está acontecendo?
  • Estão colocando redes nos prédios, em todas as fachadas…para proteger os moradores.

Enquanto isso, descobrimos que os vidros voadores estavam surgindo principalmente das fachadas Norte. Com o calor que fez há alguns meses atrás, o silicone, que segura os vidros, expandiu e contraiu ao esfriar, e as rajadas de vento que temos por aqui levaram eles para o chão. Falha grave de projeto a favor da estética. A solução que está sendo implementada nada mais é que uma bela gambiarra enquanto o condomínio está entrando com uma ação judicial. Por tempo indeterminado, os moradores do MaxHaus PB vão ver o sol nascer quadriculado.

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as obras de cobertura do térreo e início da rede

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a cobertura no térreo

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a cobertura no térreo

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passantes na janela

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o céu não é mais só azul

entre trabalho e apê

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o quarto ganhou um mancebo

E de repente, ao levantar cedo em uma manhã ensolarada, nos demos conta que estamos morando no apê já há mais de três meses. Ao olhar para o lado nos demos conta também que nossos criados-mudos ainda eram caixas de papelão. As horas passam, os dias passam e parece que ainda estamos de mudança. E, se deixar, esta sensação permanece até a hora de renovar (ou não) o contrato de aluguel, 30 meses depois. Montar uma casa parece não ter fim. Sempre tem algo para fazer, e se não para fazer, para arrumar, fazer a manutenção e substituir. Um ciclo constante. Por isso, em meio às nossas agendas lotadas, decidimos tirar um dia da semana passada para cuidar do apê. Tirar da lista infinita aqueles primeiros itens de “to do”. A única regra: se concentrar para fazer o máximo possível em pouco tempo, não ligar os computadores, não ler e-mails e nem escrever no blog (desculpa por isso).

A quinta-feira começou cedo com cheiro de verniz e tinta no apê. Os intervalos entre secagens de móveis e porta, quase colorida, tornavam-se tempo para eliminar caixas de papelão e tentar deixar uma bagunça organizada. Difícil esta tarefa de eliminar a palavra bagunça. Mesmo investindo o dinheiro ganho no trabalho árduo de todos os dias, em coisinhas para a casa e recolhendo objetos de caçambas que se transformaram em móveis, o apê ainda está vazio. E muito mais do que vazio, o que temos não tem lugar para ser guardado. O dia foi produtivo, mas passou ainda mais depressa do que todos os outros e quando nos demos conta o céu já estava escuro e era hora de parar.

O dia na agenda destinado ao apê se estendeu e, quando nos demos conta, nos afastamos do trabalho parte do dia seguinte também. E no próximo novamente. E hoje, cinco dias depois, ainda estamos mexendo em coisas que começamos naquele dia. Os móveis de caixa de feira ainda precisam de rodinhas, a porta um verniz - para então pendurar o gancho para as toalhas – o móvel do banheiro precisa de um complemento para guardar melhor os produtos do dia a dia, a vitrola que tava guardada desde o começo do ano agora precisa de um lugar, pois voltou a funcionar com as novas peças trazidas pelo pai do Marcos do exterior; o banquinho, a caixa e a base do abajur continuam recebendo demãos de tinta. A ideia de tirar um dia para se dedicar aos itens do apê, se transformou em uma semana. A lista ganhou novos itens e o apê…. continua uma bagunça… quase organizada. Qual o problema nisso? Nenhum. Cada dia é um sorriso. Cada dia uma conquista. Nada melhor do que olhar um para o outro e dizer, sorrindo: “Enfim temos luz na sala de jantar!”

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a porta do banheiro, um toque de cor

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o criado mudo deixa de ser de papelão

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a horta, a cada dia, uma placa nova

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as caixas ganham verniz para irem para os seus lugares

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o hall ganha uma cadeira branca

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mais um furo na laje

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enfim luz na sala de jantar!

o nosso Haus

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a chave para o nosso Haus

Mudamos! Hoje faz uma semana que recebemos a chave. Amanhã faz uma desde que dormimos a primeira vez no apê. E assim os dias vão passando, e a cada dia vamos resolvendo coisas da check list. Lamento informar, mas a realidade é outra. A cada dia parece que temos mais coisas para fazer e resolver por aqui. Móveis, luz, água quente que parou de funcionar (ou nunca funcionou - São Pedro, do clima, continue estando ao nosso lado durante estes banhos gelados), instalar a máquina lava e seca, ir ao mercado, cozinhar o almoço, desenhar móveis e por ai vai. Ah! E trabalhar em meio a tudo isto é claro. Afinal temos que pagar as contas no final do mês. Antes de falar o que fizemos no apê até agora e tudo que ainda falta fazer, vou contar para vocês onde estamos e, em números, por que decidimos ao final por esta região e por este apê.

O Marcos já contou um pouco sobre a nossa procura, os valores base que buscávamos alcançar para o bolso e a satisfação que queríamos sentir ao entrar no nosso futuro lar. Não estamos na Vila Madalena e sim um pouco mais longe, no Panamby, ou Jardim Fonte do Morumbi, para ser mais exata. O ponto de referência é sempre o Parque Burle Marx e sua Mata auxiliar, ou para os menos poetas o Extra da Marginal. O nosso prédio faz parte de um conjunto de dois do conhecido (não para todos) Maxhaus.

Para vocês que já sabem, e para os que não sabem o que é o Maxhaus? É um conceito “novo” de morar (surgiu no mercado há nove anos). Os apartamentos são vendidos com a planta livre (sem paredes para os leigos). O único ambiente fechado é o banheiro que se encontra bem ao meio da planta, sendo que dele, apenas duas paredes não podem ser retiradas. A estrutura é perimetral no edifício e a infraestrutura encontra-se abaixo do piso elevado. A vantagem disto é que o proprietário, ao escolher o seu apartamento, pode fazer com ele o que quiser. Deixá-lo como um ambiente só (popularmente conhecido como loft), dividir o espaço com paredes dry-wall (parede de gesso rápida de ser construída e mais em conta do que as de bloco), para um, dois, três quartos, ou até onde a imaginação levar. Todos os Maxhaus da cidade são inicialmente entregues com o piso de cimento queimado, o teto e uma das paredes estruturais do banheiro em concreto aparente. O estilo de morar agrada principalmente a jovens sozinhos, casais ou aqueles que buscam algo diferente onde podem ousar um pouco com a criatividade. Os apartamentos possuem em média 70 metros quadrados, onde a flexibilidade permite que a minha sala seja o seu quarto, assim como o escritório a sua sala de jantar. O que é melhor? Simplesmente o que você achar melhor para o seu viver. Acompanhando esta flexibilidade, as janelas são pensadas nesta possibilidade de modularidade e, por serem mais compridas do que o comum, oferecem uma excelente iluminação natural (ponto na nossa checklist) e sensação de amplitude.

Nós encontramos um apê no terceiro andar. Andar Baixo? Em uma situação comum talvez seria, mas aqui estamos no topo do morro, sob as copa das árvores, com vista para a Marginal. Escolhemos um apartamento com face norte. O que quer dizer isso? Quer dizer que o sol, na maior parte do dia, estende os seus raios para dentro da nossa cozinha, sala e quarto. Durante o verão pode ficar um pouco quente, mas é o que salva os apartamentos no hemisfério sul durante o inverno. O nosso apê veio semi equipado, o que quer dizer que o banheiro e a cozinha (principalmente esta) estão completos. A cozinha já desde o primeiro dia, possui armários embutidos, fogão, geladeira, micro-ondas e até uma torradeira que descobrimos dentro do armário após dizer “é este!”. No quarto temos um armário, daqueles comprados prontos, que servirá o propósito por enquanto. Quanto pagamos de aluguel por isto? Redondos R$ 2500. Mas e o resto?

O condomínio oferece uma excelente infraestrutura com sala fitness com equipamentos de última geração, uma piscina semi-olímpica de ladrilhos vermelhos (vermelho é o logo do Maxhaus) e um max café, que em outras unidades é terceirizado, mas nesta é um local para festas e reuniões. Além disto uma equipe treinada de seguranças vinte quatro horas, depósitos na garagem, uma vaga por andar (por enquanto), uma vaga de moto e locais para seleção de lixo reciclado. Bom não é? E o melhor, pagamos R$ 420 por isto tudo. Um valor mais do que honesto em nossa opinião. O pacote deste nosso novo lar? Um pouco menos de R$ 3000. As contas extras do apê não devem passar de R$ 300, o que, dividido em dois, resulta em um gasto médio de R$ 1650 para cada um. Por estes e muitos outros motivos optamos em fazer deste o nosso novo lar. Claro que passou pela nossa cabeça que com parcelas destas poderíamos comprar uma unidade, dividida em 15 anos, mas decidimos que, além de não fazer muitos planos para o futuro, permitia uma certa flexibilidade de vida neste momento também. Aceitável não?

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maxhaus panamby pb

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os depósitos individuais na garagem

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cada fosso de elevador tem uma arte

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a nossa cozinha equipada

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max fitness

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max piscina

illustrations by kaju.ink
piece of cloud by AEROGAMI