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o espaço em você, você no espaço

estar concreto, pensar acordado

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qual o seu estilo? o que faz o seu coração palpitar?

Sabe aquele peso que às vezes sentimos no corpo a na mente? (não, não estou falando de números em uma balança). Será que este sentimento não é apenas um reflexo dos excessos ou carências na nossa vida? Alimentação, companhias e lugares que escolhemos estar. Sim, todos estes fatores podem agir diretamente sobre o nosso corpo. E este tenta desesperadamente nos avisar. Se pensarmos no corpo como um sistema, composto de diferentes partes e mecanismos, podemos notar que para o bem estar do todo ser alcançado, ele deve ser avaliado de forma holística. Uma alimentação equilibrada e uma rotina saudável de exercícios, nos dá mais longevidade e bem-estar. Boas companhias e conversas, quando escolhidas bem, alimentam a nossa sociabilidade, estima e conexões. Mas além destes exemplos de fatores internos, precisamos pensar também nos fatores externos que exercem direta influência sobre nós. O lugar que vivemos e frequentamos pode agir sobre o nosso bem estar? A decoração de uma casa pode mudar o nosso humor?

O ambiente age sobre o nosso modo de ser físico, mental, emocional e até espiritual. Cada pessoa construirá uma rede de relações de acordo com suas experiências e contextos espaciais, visuais e psicológicos. Por isso não existe uma regra propriamente dita em relação a cores, objetos e composições, apenas estatísticas aplicadas a diferentes cenários e combinações. Estas podem envolver a relação cromática com os costumes socioculturais locais, as raízes, a educação e até mesmo o estilo de cada um. Somos seres únicos, mutáveis e em constante evolução, e por isso o nosso ambiente deve mudar de acordo também.

Ao falar de decoração ou casa, muitos já partem diretamente para a influência das cores para justificar os seus sentimentos. Para nós, a amplitude de um ambiente diz muito mais sobre ele. Você já entrou em um espaço que se sentiu enclausurado e quase claustrofóbico? E por outro lado já entrou em um lugar onde conseguiu respirar profundamente e quase que instantaneamente sentir liberdade e o acalmar da alma? A largura e altura de um ambiente tem uma grande influencia nestas sensações, assim como a quantidade de aberturas que ele possui - sejam portas ou janelas. Ligado a este aspecto, está também a circulação e fluidez do espaço. Um espaço pequeno com muitas coisas, pode passar ainda mais a sensação de caos. Espaços com menos coisas, com mais espaço para transitar, também ajuda na circulação de energias e fluidez dos pensamentos. Sim, a disposição de móveis e peças, podem não só interferir na posição que nos colocamos perante os outros, como também o nosso comportamento individual. Você já passou por uma situação onde uma cadeira foi colocada de frente para outras, e você foi quase que obrigado a sentar em frente a uma pessoa desconhecida? Fica aquela situação estranha, onde você olha nos olhos da pessoa, dá um leve sorriso e então busca outros focos de visão ou inclusive se concentra na sua bolsa, no tecido da sua camiseta ou hoje em dia, direciona a atenção totalmente ao celular?

Ligado a este ponto, também podemos levantar a questão dos materiais, que possuem características e efeitos diferentes, de acordo com texturas e temperaturas, que podem deixar um ambiente mais aconchegante, imponente ou acolhedor. Lembra aquele dia frio no inverno, que você entrou em um restaurante agradável para comer algo acolhedor, e quando senta na cadeira sente um frio tremendo? Isto aconteceu recentemente com a gente e o Marcos, com sua delicadeza, trocou cadeiras com outra mesa, para que se sentisse mais confortável e pudesse permanecer mais tempo no local. A beleza do conforto está nos detalhes.

E sim, as cores. Elas também podem entrar como influenciadoras de um ambiente, elevando ou reduzindo a sensação de bem-estar, em seus tons vivos ou mais suaves, remetendo a emoções e sensações diferentes. Apesar da escolha de cores ser muito subjetiva, é importante considerar seus efeitos na hora da escolha para uma ambientação. Busque entender e estudar um pouco sobre a teoria das cores. Não é apenas um detalhe para a decoração de ambientes, mas até para a combinação com o seu próprio estilo ou mensagem pessoal que quer passar para o mundo.

Podemos então falar da iluminação, tanto em sua versão natural como artificial. A natural proporciona claridade, luz do sol, amplitude e leveza, e para nós é um dos fatores mais importantes ao sentir um espaço, principalmente uma casa. E consequentemente elevam o nosso espírito. Já a luz artificial também deve ser bem pensada, pois tem o poder de salvar ou destruir um ambiente. Através de pendentes, abajures, arandelas ou pontos de foco, a luz pode proporcionar uma sensação mais intimista e acolhedora, quando indireta e suave, ou uma sensação de incômodo, quando muito direta e forte. Cada espaço tem a sua função e portanto deverá receber a iluminação que lhe convém. No geral, luzes brancas auxiliam na nitidez das informações e reproduzem melhor as cores, mas luzes amareladas são mais acolhedoras e criam ambientes mais aconchegantes.

Mas claro, espaços variam, assim como pessoas que ali circulam, mas para nós, o excesso, seja em materiais, objetos ou pertences tende a causar sentimentos negativos. Um ambiente organizado visualmente e sensitivamente deixa a energia mais fluida. O espaço pode ser percebido como um todo e a mente fica mais tranquila. O ambiente funciona como reflexo da mente - e vice e versa - e mostra que uma sala bagunçada pode gerar uma mente agitada. E, considerando que o corpo humano é um sistema, ele também pode exercer influencias e trocas com o seu entorno. Do que adianta um ambiente balanceado e leve, se o seu humor não te possibilita sentir isto? Portanto, além de descarregar o seu ambiente, é importante também pensar no que você está emanando para a sua esfera de influência. Alimentação, conexões, bem estar e energias farão com que você esteja de fato concreto em algum lugar. Pelo menos é assim que nós estamos. A fórmula que funciona para o nosso bem-estar, está na combinação e equilíbrio entre mente, corpo e espaço, através de luz, formas, cores, circulação, criações, atitudes e pensamentos.

E, na dúvida, antes de organizar o seu próprio espaço, busque referências (estas são as nossas), para absorver e compreender o seu olhar. Separe imagens que te fazem sorrir, que te acalmam, e então aquelas que te deixam desconfortável, que te incomodam ou geram algum tipo de sentimento negativo. O próximo passo é aplicar isto ao seu entorno. O que você pode fazer para mudar o seu ambiente para que ele te passe aquilo que te inspira, naquele momento da sua vida?

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cores? sim! suaves ou intensas?

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em que ambiente você organizar melhor as suas ideias?

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muito ou pouco? o que faz a sua mente vagar com fluidez?

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madeira e carpete? ou a monocromia em materiais e texturas?

na falta de humor

explorar sem parar, ser esponja

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diálogo de um mal humorado

Sabe aqueles dias que você acorda querendo enfiar a cara no travesseiro, reclamar de tudo que está sendo feito errado, ou certo, enfiar a mão na buzina para o cara que te fechou e definitivamente não sorrir para o porteiro, amigo, namorado ou marido. Você sabia que o mau humor (homens, não confundir com a tpm), atinge grande parte da população mundial e pode causar reações fisiológicas a longo prazo? Normalmente o mau humor é causado por fatores externos temporários como uma noite mal dormida, uma furadeira no andar de cima, reuniões longas e sem resultados, brigas com pessoas queridas, ou não tanto, e sim, além de muitos outros, nesta cidade, o trânsito. Entendemos que existem diversos fatores que nos deixam assim, insuportáveis, e admitimos que também temos alguns dias assim (eu admito aqui), mas quando temos que encontrar e lidar com terceiros tentamos deixar de lado e, mesmo que não agradáveis, tentamos ser no mínimo respeitáveis.

Marcos e eu tivemos uma experiência chocante no início do ano durante uma visita à Tok&Stok. Estávamos esperando no balcão de retirada uma encomenda de um móvel e observamos uma senhora acompanhada de sua filha fazendo uma reclamação com o Leandro, coordenador da sessão. Ela havia comprado dois apoiadores de livros (aqueles que servem de apoio para o livro na prateleira), com dois motivos e cores diferentes. Ao chegar em casa notou que os apoiadores eram para o mesmo lado e que não funcionavam para segurar uma pilha de livros soltos na estante: levou o produto para trocar. Até aí, tudo bem. Encostamos no balcão no momento em que o Leandro trouxe dois produtos novos e explicava que eles eram assim, que não tinham dois “taxis” para lados diferentes. Os produtos eram individuais e feitos para serem usados separadamente. A Sra, vamos chama-la de Rosa, inconformada e sem entender começou a levantar a voz e falar que era um absurdo: “Como dou um presente para alguém que não funciona?” “Tem que ter um apoio com o mesmo motivo para o outro lado.” “ Isto é burro!” “Você é incompetente, faz alguma coisa!” “Esta loja é uma m%¨*&!” e estas foram as partes “tranquilas” dos ataques. Leandro sem saber muito o que dizer dizia apenas cordialmente: “ Desculpa Sra. Infelizmente não posso fazer nada, o produto é assim e vem assim do fornecedor. A Sra. Pode trocar por outro produto se estiver insatisfeita.” Após ataques incessantes de Rosa e em seguida de sua filha, ela virou para nós e buscou aprovação ao que estava fazendo. Nós ligamos a nossa chave gélida e diretamente mostramos em nosso olhar que ela estava errada. Bufou, bufou, bateu o pé no chão e o produto sobre o balcão e disse: “Me dá essa merda! Vamos embora deste lugar filha!”(- não se misture com essa gentalha – gentalha, gentalha!) e partiu pela porta de vidro no final do corredor. Cuidamos do que viemos fazer e oferecemos um olhar simpatizante para o Leandro que ainda olhava confuso para a porta. Alguns minutos depois Rosa voltou e notamos que jogou a sacola no lixo ao lado da porta. Trocamos olhares e lá foi o Marcos buscar a sacola. Quando chegou ao meu lado olhamos para dentro da sacola e demos risada. Veja as fotos abaixo para entender o porquê.

Rosa estava em um dia ruim? Talvez. Teve uma noite de insônia? Brigou com o marido? Pegou um trânsito insuportável para chegar à loja e não conseguir trocar pelo produto que queria? Ou simplesmente mais uma mal-comida na cidade? Talvez. Talvez e talvez novamente. Mas justifica tratar outros assim? Do que adianta descontar a sua raiva e infelicidade no coordenador que apenas fez o seu trabalho? E ainda, do que adianta fazer o que fez com os produtos? Não sabemos - só sabemos o motivo pelo qual tiramos o produto do lixo. Veja a última foto para entender: as crianças do porteiro do prédio do Marcos vão ficar felizes da vida quando o pai chegar em casa com um presente novinho em folha para elas.

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a sacola encontrada no lixo

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os produtos, ou o que restou deles

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os produtos, ou o que restou deles

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os produtos, ou o que restou deles

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mexe aqui, mexe acolá, estão prontos para alegrar.

da água que bebemos

ser esponja

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chegou o Carnaval! foto: reprodução campanha Farm

Certa vez a Sandra, nossa médica/conselheira/bruxa me disse que nosso bem estar está diretamente relacionado a tudo que comemos – isto é, alimentos, bebidas, conversas, companhias, pensamentos, energias e tudo mais que absorvemos do nosso entorno. Daí veio o nome dessa categoria do blog: Ser esponja. Foi ela que disse também que, quando os homens, vorazes seres inescrupulosos, dizem que comeram uma mulher ou que, comé-la hão, estão na verdade sendo muito felizes em sua colocação, visto que os relacionamentos interpessoais são responsáveis por grande parte de nossa alimentação diária e, consequentemente, nossa saúde mental e física.

Nós somos o que comemos. Estou ciente que não terei rios de seguidores levantando esta questão às 17 horas da tarde de uma sexta feira pré-carnaval. Vocês querem folia, bebida e sexo, eu sei. Carnaval é tempo de se jogar, curtir como se não houvesse um amanhã e, se houver, tudo bem, é festa novamente como se não houvesse um amanhã, outra vez - depois de uma semana a gente volta, pega um trânsito de 12 horas e se recupera durante a primeira semana de volta ao ofício do país. Listando os fatos parece que estou criticando, mas não estou. Eu gosto do Carnaval, uma das manifestações culturais mais fortes de nosso povo e, um momento de celebração pelo simples fato de estarmos vivos – não é em todo país que se encontra isso. Contudo, penso e logo, filtro. Vale curtir, vale transar, vale beber e enfim, comer o que tiver vontade - mas vale também lembrar que, não adianta postar fotinho de suco verde no instagram e ostentar seus tempos de corrida no Nike+ num dia, se, noutro, você se encharca de cachaça e entorpecentes como se fosse o último Rei da Escócia. Para os que pretendem permanecer vivos, há sempre uma semana que vem e nosso corpo não esquece da semana passada.

Cansei de ouvir de meus amigos que “agora é Carnaval e vou me acabar. Depois volto a treinar/comer/dormir direito. Vou lavar a alma!” Oras, colega - nós somos como esponjas amarelinhas que quanto mais encharcamos de aditivos, mais sujos ficamos. Depois não adianta deixar de molho.

Neste e, em todos os últimos Carnavais, Kalina e eu vamos na contramão e vamos para uma cidade bem próxima chamada São Paulo – um lugar e tanto, quando está vazio. Por aqui vamos curtir e nos esbaldar de tudo que curtimos e nos esbaldamos diariamente – boa alimentação, boas companhias, boa música e bons amigos. Pra beber, vamos aproveitar da água de nossa última aquisição: um filtro de barro daqueles que tinham na casa de campo da vovó – a água mais pura para se beber, segundo pesquisas internacionais… mas não precisa esquentar a cabeça e vê se corre pra não perder o esquenta.

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nosso filtro de barro! (e também o liquidificador para fazer uns drinks ; )

illustrations by kaju.ink
piece of cloud by AEROGAMI