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mentes criativas

pensar acordado, criar contexto

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A criatividade não é um dom e sim uma ferramenta do inconsciente que é desenvolvida com consciência. Um cultivo diário de uma opção de vida, do estar presente em um momento e do vagar da mente em outros, da abertura à possibilidades e sensibilidade à pessoas, dos momentos de individualismo e de colaboração, do saber ser sério e brincar quando existir espaço para isso, da intuição e da razão. Uma polarização consciente de estados da mente e do corpo.

Criatividade é curiosidade. Uma constante vontade de saber mais, de aprender e evoluir. Não existe um objetivo final na criação de uma série ou de um projeto, e sim, o constante desenvolvimento de novas ferramentas e conexões. Estas que nos possibilitam construir um significado pessoal e coletivo, a partir das nossas experiências, interesses, lembranças do passado, vontades para o futuro, criação de outras perspectivas e cenários, compreender histórias e refletir sobre o nosso estado mental e emocional. Nosso e dos outros também. Um exercício de compreensão, flexibilização, ativação e desativação de conexões cerebrais.

Criatividade é um hábito. Sonhamos acordados, conversamos apaixonadamente sobre os nossos sonhos e objetivos, buscamos ter a mente aberta para situações e pessoas, cultivamos um intelecto curioso, energético, saudável, persistente e intrinsicamente motivado pelas nossas próprias atividades. Simples assim? Sim, um comportamento, uma atitude, que podemos transformar em ideias concretas. Em trabalho. Em estilo de vida.

Pelo terceiro ano fomos convidados a falar sobre esta nossa rotina criativa aplicada a diferentes projetos e visões de mundo, na semana de Tecnologia e Empreendedorismo da Escola Viva. É sempre uma convivência e troca rica, que acontece com as jovens mentes mais abertas que ali frequentam e estudam. Este ano, entre tantas outras pessoas interessantes, conhecemos o aluno Leonardo. E hoje, o nosso talentoso amigo Leo - que cria, com paixão, composições, imagens, videos e documentários - está lançando um novo projeto sobre estas tais mentes criativas. Da qual tivemos o prazer de não só participar como inaugurar.

Confira e nos conheça um pouco mais, no EPISÓDIO 01 da série Mentes Criativas de Leo Pirondi.

EP 01 da série "mentes criativas" de Leo Pirondi

caramba, uma caçamba: horta vertical

estar concreto

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caçamba

Levamos nossos dias no apê e projetos profissionais com uma espécie de código de conduta meio que subentendido: reutilizar para reduzir o impacto, criar para impactar. Quem acompanha nosso blog desde o início sabe de todos os nossos esforços neste sentido. Dentro de nossas empresas, estamos sempre buscando inovar para criar projetos inéditos. Já dentro de nossa casa, a busca pela reutilização de materiais é constante. Parecem ser dois conceitos divergentes mas eles são, fundamentalmente, a mesma coisa. Ambos primam por um pensamento ativo diante de nossas escolhas, e buscam deixar marcas positivas ao nosso entorno.

reutilizar para reduzir o impacto

Isto nos serve muito bem, principalmente neste momento de nossas vidas. Como empreendedores iniciantes, temos uma verba reduzida para montar o nosso apê. Quando encontramos objetos descartados pela rua e, com o mínimo esforço, conseguimos atribuir-lhe uma nova utilidade e ao mesmo tempo decorar nossa casa, fazemos desta situação um ganha-ganha para todos. No fim das contas, este pensamento pode, e deveria, ser aplicado por todas as classes sociais, independente de status ou salário no fim do mês. Nossas sociedades aprenderam a evoluir a curto-prazo em grupos não-nômades, mas já ignoraramos por tempo em demasia a sustentação real de nosso estilo de vida nesse planeta, a longo-prazo.

Há um tempo atrás, encontrei uma escada de construção dentro de uma caçamba. Aquele objeto, construído com materiais robustos para aguentar o tranco do trabalho dos pedreiros, mas sem qualquer tipo de projeto de produto, fora claramente criado as pressas para servir um intuito por um certo período de tempo, e depois ser descartado. Estamos falando de um ambiente temporário de obras, onde tal pensamento parece até fazer sentido. Contudo, não é difícil traçar um paralelo com os produtos que usamos todos os dias, que foram criados para durar pouco dentro de suas obsolescências programadas. Carros, celulares, móveis. Todos feitos com materiais complexos, mas fadados a serem descartados em menos de dez anos. É nossa obrigação, como inquilinos deste planeta, encontrar novos usos para estes materiais, e podemos começar com os mais simples, como a madeira da citada escada de construção.

criar para impactar

Peguei a escada, que estava junto com o carretel, e guardei em casa. Quando decidimos o seu destino, tratamos a madeira, e compramos os poucos materiais extras necessários para criar um produto útil, bonito e diferente aqui no apê. Juntamos as orquídeas que ganhamos de amigos, algumas mudas da horta e algumas trepadeiras, e fizemos da escada de construção uma horta vertical. Hoje, a peça está entre a nossa sala de estar e o quarto, compondo um cantinho verde que temos aqui. Noutro dia, durante a sessão de fotos do nosso apê para uma matéria de uma revista bacana ( mais disso, em breve : ), a produtora pirou na escada, e disse que quer fazer dela um produto decorativo num evento de design que será realizado em breve em SP ( mais disto em breve, também ; ).

Qualquer indivíduo é capaz de aplicar estas premissas ao seu dia a dia. A escada descartada que virou objeto útil de decoração com potencial de virar item cobiçado numa feira de design é só um exemplo. Logo, reutilizar para reduzir o impacto e criar para impactar deixa de ser um paradoxo, e torna-se uma atitude mental consciente, plausível de implementação por qualquer um de nós.

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escada e carretel na caçamba

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levando para casa

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limpeza

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adaptando o material

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ajustes ( a placa foi achada na rua também ; )

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vasos para escada

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perspectiva

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do quarto pra sala

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Pra você é fácil?

pensar acordado, criar contexto

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em algum momento de 1991

“Para você é fácil, porque tem talento!”

Desde o início do ano passado esta é a frase que mais ouço quando as pessoas se dirigem a mim e a minha mudança de hábitos e carreira. Mas já de início compartilho com vocês que não foi e não é tão fácil como pode parecer. Vamos ao início.

“O que você quer ser quando crescer?“ Lembro que ainda pequena respondia àquela pergunta de sempre: “Arquiteta!” Sem ter ideia o que isso realmente queria dizer. Chegou a hora de traçar a carreira ao sair da escola e, após algumas conversas com o meu pai, escolhi! Para os que não sabem, me formei em arquitetura há quase quatro anos atrás, um assunto que sempre me interessou e fascinou muito. O período de faculdade foi de grande aprendizado e novas descobertas nas mais variadas áreas que este tema envolve. Diferentes estágios, desde o início dos estudos, para tentar descobrir o que eu realmente gostaria de seguir. Projetos, novas propostas, concursos e prêmios. Tudo sempre fluiu bem e com sucesso. Mas eu estava sempre feliz em relação a isso? Hoje posso dizer que provavelmente não. Gostava. Sim, gostava. Mas não era a minha paixão.

Na segunda parte dos cinco longos anos de estudo comecei a levar para a sala de aula o que normalmente ficava reservado para o meu tempo sozinha em casa: o desenho. Durante as aulas teóricas de Planejamento Urbano, Topografia, Teoria da Arte ou Resistência dos Materiais, desenhava para que as longas horas passassem mais rápido. Com o tempo descobri que isto me ajudava ainda mais a ouvir e prestar atenção no que estava sendo falado lá na frente. Uma tática muito mais eficiente do que olhar para o professor e fingir estar interessada. Fui criando e crescendo e no tempo livre a vontade de desenhar era ainda maior. Com aprovação dos meus pais comecei a fazer testes na parede do meu quarto. Atrás da porta, caso o resultado não fosse tão bom, não atrapalharia ninguém. Sim, tinha medo e era quadrada!

Durante o ano de 2011 trabalhei em um escritório Suiço durante um ano. O final, para mim e outros que trabalhavam na empresa, não foi tão feliz e fez com que minhas vontades começassem a ser questionadas. Neste momento já havia feito alguns trabalhos de pinturas e ilustrações para os mais próximos. Apenas como hobby. Lembro bem de uma conversa no bar com o meu futuro sócio em meados de Novembro do mesmo ano onde ele me perguntava qual a minha vontade para o futuro. Junto com o Marcos começamos a filosofar sobre a multidisciplinaridade, sobre como seria possível juntar design, com arte e com arquitetura. Tudo parecia muito distante e a pergunta final foi: “Legal vocês sonharem com tudo isso, mas como vão ganhar dinheiro?”

Deixei a filosofia de lado e abri o meu escritório, de arquitetura, no ano seguinte. Tudo parecia ir bem, até que a cidade começou a mostrar que não era um parquinho tão divertido. Os projetos não eram tão fáceis de conseguir e o dinheiro era batalhado. A princípio me sentia feliz e realizada sendo dona do próprio nariz e lutando cada dia por dias melhores - mas o meu corpo não me dizia o mesmo. Indisposição, mau-humor e brigas com todos mais próximos de mim. Um sorriso falso me acompanhava todos os dias desde o momento que saia da cama. Em seguida dores de cabeça intermináveis, dores no corpo, falta de sono, falta de vontade de me exercitar, ansiedades incontroláveis, abstinência sexual e a falta de vontade de socializar com qualquer pessoa… Até que um dia dores na área do abdômen que me deixavam na cama por dias e ligações para o meu sócio do tipo: ”Não estou me sentindo bem e hoje vou trabalhar de casa” (ao invés de nossa mesa em um co-working) tornaram-se comuns. Visita a inúmeros médicos e laboratórios já faziam parte de todas as minhas semanas. Até que um dia fui diagnosticada com uma inflamação no intestino, causada por stress emocional. O corpo gritava! E eu continuava me enganando. (este foi o gatilho para mais tarde eu descobrir que sou intolerante a glúten)

A relação com os meus pais ia mal. Amigos? Nem sabiam que eu existia mais. A minha relação com o Marcos piorava a cada dia. Até que um dia ele falou: “Eu estou aqui, tentando te ajudar, esperando você sair dessa, mas não sei quanto tempo aguento, e não posso garantir.” Resolvi então prestar mais atenção. Fiz uma visita à Sandra, uma pessoa querida, que não é médica, mas sim química e através de diálogos e análises dos fluídos e metais do corpo ajuda pessoas a curarem doenças graves e não tão graves. Ela me incentivou indiretamente ao me contratar para fazer o seu novo cartão de visita e logomarca, e me encaminhou para um analista. Sim! Eu fiz terapia e outros tratamentos de ervas, acupuntura e tudo que você possa imaginar (e o que eu imaginava que nunca faria, afinal estava feliz!). A Sandra hoje diz: “Você era uma flor no deserto gritando por água!”

Muitas conversas com o sócio, que logo deixou de ser, com o Marcos e com os meus pais foram abrindo os meus olhos e coração. O fluxo de trabalho era maior na arte e design do que na arquitetura. O que faltava para eu assumir que eu deveria seguir outro caminho? Falar em voz alta: eu quero mudar! Foi fácil? Não! Muito longe disso! Tenho um talento? Talvez… mas acredito, e aconselho, que a evolução vem com a prática e que não basta ter um talento. A cada dia de trabalho, de leitura, de pesquisa, noto o meu crescimento profissional e pessoal. Sorrio ao lembrar e agradeço todos os dias àqueles que acreditaram. Dar certo em uma mudança profissional vai muito além de um talento - e sim da força de assumir aquilo que te faz feliz, aprender a ouvir o que o seu coração e corpo dizem, ter autonomia, responsabilidade, disciplina, estar sempre atento ao mercado e às tendências, programar, estudar, ser humilde e ouvir o que os outros tem a dizer. Toda manhã acordo sem saber como será o dia, como será o mês, como será o próximo trabalho, como vou pagar as contas. Isto é fácil? Não! Mas é o que me faz sorrir todas as noites antes de dormir.

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evoluindo a cada dia

pira na inspira

pensar acordado

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"The Dawn of Man" em "2001: A Space Odyssey"

Desde quando a gente é gente que a gente começou a criar coisas. Pensando bem, provavelmente a gente só virou gente quando a gente criou a primeira coisa. Cena nenhuma ilustra esta passagem melhor que “A aurora do Homem”, nos primeiros 15 minutos do filme de Stanley Kubrick de 1968, “2001: Uma Odisséia no Espaço”. Seja você da turma do creacionismo ou do grupo do evolucionismo, atirou a primeira pedra quem ligou os primeiros neurônios, quem fez uma cagada que deu certo, quem cruzou a fronteira do desconhecido, quem teve a primeira ideia – tanto faz se foi comer uma maçã ou acertar o companheiro com um pedaço de pau. Estes foram os verdadeiros pioneiros. De lá pra cá, somos todos falsificadores confessos de um conceito que é tão velho quanto a primeira avó da sua árvore genealógica: criar algo para alcançar um objetivo. Se preferir, pra amenizar, somos inspirados - dia após dia, de lugar em lugar, ideias sobre ideias. Kalina e eu não somos diferentes: a gente pira na inspiração que o nosso entorno oferece.

O olhar analítico percebe um emaranhado de descobertas em todos os momentos. O espaço sideral é todo composto por uma matéria densa, mas invisível; nosso planeta não passa de um caldeirão com os dias contados. Tecnicamente o pôr-do-sol é uma ilusão; é a lua a maior responsável pela mudança de marés. Santos Dumont construiu 14 infláveis antes de criar um avião com asas; Thomas Edison construiu mil lâmpadas antes do projeto funcionar. A Apple começou com alguns amigos conectando circuitos simples na garagem dos pais de Jobs; o império Walt Disney World só engatou após Walt falir duas empresas e criar um simples sketch de um ratinho. Nietzsche dizia que quanto mais do alto, mais nossos problemas mundanos se tornam insignificantes. Vamos por isso em prática, esquecer o nhê nhê nhê do dia a dia e descobrir as maravilhas que acontecem por aí.

Regular edison rectangle

Edison contemplando sua criação

Regular 14 bis hibrido

14-bis, o avião híbrido de Santos Dumont alçando voo.

"The Dawn of Man" em "2001: A Space Odyssey"

illustrations by kaju.ink
piece of cloud by AEROGAMI