etiqueta #produtividade

decodificar a vida

criar contexto, pensar acordado

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multitarefas e distrações. até que ponto você está sendo produtivo?

E então falamos de produtividade, rendimento, alimentação, exercício, disciplina, hábitos sistêmicos e criar contexto. Mas afinal por quê utilizamos o termo “life-hacking” como uma descrição momentânea de parte do que fazemos? Nesta era onde a tecnologia evolui mais depressa do que a nossa evolução pessoal, as máquinas vem tomando conta de diversas atividades e até profissões do nosso dia a dia. Ao mesmo tempo que podem nos ajudar a organizar a vida e até nos dar mais tempo para criar, a conexão e acessibilidade excessivas vem sendo um grande fator para grandes distrações e aparentes quedas nos níveis de foco. Uma mensagem, um email, anúncio, newsletter, uma curtida em uma foto aqui ou ali, um aviso do calendário, sua avó te ligando para contar que viu você na timeline do facebook. Tudo pula ali na sua tela, desvia o seu olhar e tira a sua atenção por milésimos de segundo, que vão se acumulando e viram horas, dias e semanas de perda de energia ao final de um ano. A vida pessoal invade o café da manhã, almoço, jantar e pausas do café. O trabalho invade encontros, madrugadas e finais de semana. E muitos estão perdendo o controle. As vidas se invadem e não necessariamente para o bem.

Nós seriamos candidatos perfeitos para que isto acontecesse com ainda mais intensidade. Ter as próprias empresas quer dizer literalmente mesclar a vida pessoal e profissional. O que por um lado é incrível, pois sem separação temos a aproximação do que muitos realmente sentem como duas vidas. Aquela durante o dia e a outra “após o trabalho”. Para nós não existe a separação, e o nosso esforço tem efeito direto sobre os resultados da empresa, e logo os nossos lucros também. O life-hacking entra justamente nesta invasão e sobreposição de focos de vida, onde surgiram tantos realizadores de multitarefas. Uma tentativa de resolver inúmeras coisas simultaneamente e ao final do dia perceber que a lista de afazeres apenas cresce. Qual é o real rendimento deste tipo de solução para as tarefas? Como conseguir dividir as informações pessoais e profissionais em um mundo interconectado?

O termo “hack” vem literalmente daqueles que frequentemente conseguem obter soluções e efeitos, extrapolando barreiras e limites da era digital, e da normalidade, para acessar diferentes tipos de sistemas. E vamos imaginar que o sistema da vez seja o nosso próprio corpo. Sim, somos um grande sistema composto de milhares de sistemas menores. E se utilizarmos este sistema para nos disciplinar, organizar e treinar para a produtividade, e assim resolver, de forma inteligente, diversos problemas de atenção, foco e rendimento? Pequenas mudanças na organização do dia, podem se tornar soluções para a vida - a nossa vida - “life”.

Um life-hacker é aquele que diariamente decodifica a vida, para se conhecer melhor, quebrar barreiras pessoais e evoluir, se utilizando daquilo que está à sua disposição, seja internamente ou em forma de ferramentas. A nossa filosofia é utilizar o profundo conhecimento de nossas capacidades e esfera de influência, para o progresso pessoal e profissional. Encarado de forma sistêmica - equilibrando os diferentes âmbitos da vida - para alcançar efeitos positivos na produtividade, rendimento, alimentação, exercício, disciplina e hábitos. Se você não tomar as rédeas da sua rotina, que fará isso por você? Nós fazemos isto através de testes e mudanças pessoais no gerenciamento do tempo, acesso aos emails, respostas de mensagens, telefonemas, reuniões, uso da tecnologia, compras produtos, nutrientes e horas de sono. Tudo isto com o objetivo de criarmos o nosso contexto, com significado, fazendo mais, com menos.

(como fazer isto? em breve novos posts com mais sobre cada detalhe que testamos e que passaram a funcionar para nós)

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vida pessoal e profissional são uma coisa só.

uma semana com kaju: dia 05

ser esponja

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agora membro oficial da osmose desde maio

Sempre tive facilidade para me desligar do mundo e me concentrar no que estou fazendo. Com isso criei estratégias pessoais de produtividade e foco. Na época de escola meus amigos diziam que o meu dia tinha 48 horas. De alguma forma conseguir me organizar de uma forma que tinha tempo para tudo e mais um pouco. Durante a época de arquitetura adquiri com isso uma capacidade e agilidade de compreensão de projetos e desenhos criativos e técnicos. As horas rendiam mais e me davam a possibilidade de sair mais cedo e aproveitar o final do dia para me exercitar ou fazer arte (literalmente). Quando decidi mudar a vida de rumo tudo isto serviu muito bem para o trabalho em casa. Fazer home office exige uma disciplina e organização ainda maior. Tudo pode virar uma tentação e distração quando se trabalha perto da cozinha e do quarto. Durante dois anos trabalhei assim, com horários fixos para acordar e para refeições. Tirar o pijama e colocar outra roupa, mesmo que fosse confortável e para ficar em casa, sempre ajudou também. Quando o Marcos e eu decidimos morar juntos, mais responsabilidades no dia surgiram, como cozinhar e lavar roupa. Durante o primeiro ano fomos nos adaptando e acertando para que conseguíssemos novamente alcançar os nossos níveis de produtividade.
Este ano efetivamente tudo parece que entrou no trilho novamente, e este ainda mais eficaz. Ao nos mudarmos para um espaço de co-working tudo se intensificou ainda mais. Embora estejamos rodeados de pessoas das mais diversas áreas, o ambiente proporciona uma maior concentração e produtividade. As pausas são mais agradáveis, sociais e rendem ideias e projetos interessantes também. Entrei oficialmente na Osmose em Maio (ganhei minha caneca hoje que data o meu primeiro dia por aqui). Desde então tenho sentido que as minhas horas rendem mais, dentro e fora do studio. Quando estou focada em algum trabalho parece que tudo em volta desaparece e aquilo se torna o meu único ponto de vista. Linhas surgem de forma natural e fluida e quando saio daquele momento intenso de concentração, olho no relógio e me dou conta que se passaram apenas duas horas, sorrio, pois percebo uma evolução e produção (de qualidade) otimizando o tempo ao seu máximo.
Hoje o dia foi por aqui, no coworking:

6:40 - o despertador tocou. As sextas-feiras parecem se tornar mais difíceis para levantar. A semana intensa vai carregando o corpo e a mente e pulamos sempre da cama para abrir a porta para a Neia, que deixe a nossa casa brilhante e cheirosa antes de todos os finais de semana. Com ela já por ali, vamos fazendo o café da manhã e nos arrumamos para sair.

9:00- Hoje, além da dificuldade de sair da cama, nos sentimos mais lentos também na rotina matinal. Finalmente estávamos prontos para sair e juntos partimos para o Coworking.

das 9:30 ao meio dia - Trabalhei em projetos diversos. Orçamentos, emails, finalizei três telas (menores) para uma cliente e comecei uma grande tela por encomenda.

Almoçamos no lounge do espaço, onde conversamos discutimos ideias para otimizar o espaço, deixando ele mais caloroso e elegante. Outro ponto positivo do coworking é poder compartilhar estas ideias, e colabor(ativamente), melhorar o espaço para todos. Sempre conversamos em grupo e vamos chegando às melhores conclusões. Isto acontece tanto para os ambientes internos como externos também. Recentemente o espaço adquiriu pallets, que estão sendo ajustados para compor o lounge externo. Ainda precisam de algum tratamento e disposição melhores, mas mesmo inacabado já vai transformando a usabilidade pelos co-workers. Interessante observar como todos se movimentam.

das 14:00 às 17:00 - Finalizei a grande tela por encomenda. São os chamados “visual story telling” (contando histórias visualmente) que digo que faço. Um casal foi convidado para um casamento exótico no exterior. Como padrinhos resolveram dar um presente diferente e personalizado. Me contaram sobre o casal e seus hábitos e assim criei uma tela. Ela é única e direcionada para eles. De longe parece uma composição bela, mas ao chegar perto se percebe muitos detalhes que conta a história do casal que irá trocar alianças. Gostaria de me transformar em um pequeno pássaro, do outro lado do mundo, para ver o presente sendo dado.

das 17:00 às 20:00 - Segui com projetos mais gráficos como desenvolvimento de identidade visual e layout de um site. E com isso vou fechando a minha sexta-feira #emosmose (usamos esta hashtag por aqui, para caracterizar os co-workers trabalhando, se conhecendo, se ajudando e trocando - em Osmose).

Depois de uma semana intensa, posso dizer que foi produtiva. Coloquei os meu níveis de produtividade e concentração nos seu níveis mais altos e por isso, decidi, em conjunto com o Marcos deixar o trabalho e as redes por aqui agora, e desligar por pelo menos esta noite. Amanhã estaremos de volta, para mexer no espaço e assistir o curso de uma amiga sobre Cool Hunting.

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trabalhando em uma encomenda

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lanche da tarde na nova área externa (em construção ainda)

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a cia dele no meu dia a dia #emosmose

constância x motivação

criar contexto

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Forrest Gump

O terceiro passo para aumentar a produtividade em busca de seus objetivos de vida, talvez seja o mais difícil para qualquer indivíduo: ser constante. Constância envolve a danada da rotina, e eu não conheço ninguém, além de Forrest Gump, que a considere sua melhor amiga: nós queremos sempre algo a mais e algo diferente. É fato, contudo, que para todos nós que temos metas a alcançar, a rotina acaba se tornando nossa maior parceira. Para solucionar este impasse, me parece que a motivação, vulgo a amante ardente por trás da implementação da tal rotina, esteja sempre presente. Estou falando de uma vontade e garra tão fortes quanto as da nossa vitoriosa seleção masculina de vôlei do Brasil. E que a sua melhor amiga, a parceira e a amante, estejam conscientes de sua co-existência para trabalharem juntas na sua satisfação.

Constância é uma das qualidades mais raras e admiráveis em uma pessoa. Desde garoto divago sobre este assunto e talvez seja por isso que, Forrest Gump, o contador de histórias, seja um dos meus filmes favoritos. O personagem vivido por Tom Hanks, é a constância em pessoa. Seja virando campeão mundial de ping-pong, criando uma empresa multibilionária de comércio de alimentos à base de camarão, correndo pelo mundo, liderando revoluções políticas ou buscando seu verdadeiro amor, Forrest é um exemplo de persistência cega, frequentemente sem motivos aparentes, simplesmente porque ele “sentiu vontade.” Ao mesmo tempo, suas rotinas repetitivas eram interrompidas abruptamente, porque não queria mais fazer aquilo. Faltava para Forrest, uma razão, um objetivo, um sonho para almejar e conquistar. Ele simplesmente vivia intensamente. Apesar de romântica, trata-se de uma história trágica em muitos aspectos, que aborda um personagem sem objetivos de vida e consequentemente, sem consquistas aparentes.

São poucas as pessoas que amam a própria rotina. Claro, é compreensível que uma sequência ordenada de afazeres repetidos diariamente não faça todos nós, seres humanos inconstantes, pularmos de alegria. Mas, como já sabemos, só a repetição traz a perfeição, e isso vale para qualquer habilidade que queremos aprender. Lutar esgrima, assar um pão, desenhar uma pessoa, escrever um texto, tocar um jazz - nós só vamos dominá-las, se as realizarmos repetidamente. O mesmo vale para você que está buscando uma promoção na multinacional que faz carreira, ou para você que está abrindo o seu próprio négocio. Você não precisa necessariamente amar a sua rotina, mas é preciso ter claro os motivos pelos quais esta foi implementada em primeiro lugar, para não nos perdermos pelo caminho sem motivação, como frequentemente acontecia com Forrest Gump.

É como vislumbrar o horizontel além das paredes de tijolos à sua frente. Ontem, 21/09/14, a seleção brasileira de vôlei não conseguiu o batalhado tetra mundial consecutivo. Apesar disso, este grupo da chamada era Bernardinho que iniciou-se em 2001, tornou-se a seleção de vôlei mais forte de todos os tempos, conqusitou uma infinidade de títulos e ocupa hoje o primeiro lugar do ranking da FIVB. Como eles conseguiram? Só disciplina e dedicação à rotina massante de treinos não seria suficiente para manter um comprometimento tão duradouro. O técnico e cada um dos jogadores tem a sua aspiração individual e, juntos, tem os maiores sonhos esportivos que um time pode ter. Foi uma prata amarga, a do mundial da Polônia que decidiu-se ontem, mas longe de ser uma derrota. A seleção brasileira já conquistou os sonhos mais loucos que uma mesma equipe poderia pleitear, e assim mesmo, apesar de todos os quase-títulos dos últimos 4 anos, continuam tentando, pois todos sabem bem as suas reais motivações. No caso de Forrest Gump, esta motivação inabalável só era encontrada em sua busca e amor incondicionais por Jenny, sua queridinha do colégio.

Para ser uma pessoa constante, ter sucesso em suas empreitadas e alcançar satisfação pessoal, é preciso encontrar o equílbrio das queridinhas presentes em sua vida. Não se preocupe se a rotina não é a sua melhor amiga: lembre-se de fazer dela sua parceira e de visitar sua amante, a motivação, todos os dias. Uma rotina produtiva é o fator resultante entre objetivos claros, repetição ordenada e motivações fortes. Quando sentir-se como Forrest Gump jogando na seleção brasileira de vôlei, estarás no caminho certo.

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Seleção Brasileira de Vôlei masculino

a síndrome da vida em 2/7

pensar acordado, ser esponja

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um dia de lazer

Há um certo fenômeno que atinge a maioria de nós, cidadãos de uma sociedade capitalista, conhecido como a “depressão de domingo”. Este faz referência àquela ansiedade seguida de angústia que costuma pegar os estudantes e trabalhadores, comumente fomentadas pelo cair da tarde de domingo, ou pelo jingle de abertura e encerramento do programa Fantástico na Globo. Esta situação está diretamente associada a insatisfação gerada pelo próprio cotidiano, geralmente composto de responsabilidades, prazos e, consequentemente, longas horas de trabalho. Infelizmente, o fenômeno citado é apenas a boca de um buraco muito mais profundo no estilo de vida adotado nas cidades.

Foi Henry Ford que, em 1º de maio de 1926, instituiu o padrão de 8 horas por dia, 5 dias por semana, 40 horas semanais de trabalho para os trabalhadores de sua fábrica, e depois para os executivos da empresa. Antes disso, em parte por causa da revolução industrial do início do século 19, os trabalhadores da época eram forçados a trabalhar o mínimo de 14 horas diárias para merecer o ganha-pão no fim do mês. A Ford concluiu, baseando-se em várias pesquisas de produtividade, que a longo prazo, o trabalho extensivo não era sinônimo de um maior número de tarefas executadas. Perceberam que 20 horas semanais adicionais, por exemplo, se tornavam insustentáveis após duas ou três semanas, pois o nível de produtividade dos trabalhadores caía após este período de trabalho exagerado.

Além de resultados negativos no fim do mês para uma empresa, longas jornadas de trabalho produzem também trabalhadores infelizes. Outro motivo pelo qual Henry Ford foi um dos pioneiros na implementação da redução da jornada de trabalho, foi porque ele, sendo o grande empresário que era, percebeu que seus trabalhadores precisavam de horas de lazer para encontrar formas de espairecer e logo, tirar proveito do dinheiro que ganhavam. O entretenimento envolvia e, mais do que nunca, envolve, o consumo de produtos, entre eles, carros como os de Ford. A escassez de tempo livre, resultado da vida frenética das sociedades capitalistas, provoca o acumulo de estresse, comumente associado a uma série de doenças mentais e físicas, que só fazem piorar o humor de um indivíduo. Falta de tempo para dedicar a saúde física, mental e social são sinais claros de que talvez você esteja trabalhando mais do que deveria, e isto vai, cedo ou tarde, afetar o seu bem estar geral.

A “depressão de domingo” é um resultado direto da síndrome da vida em 2/7. Esta, acontece quando um cidadão estende, de forma proposital ou forçada, sua jornada de trabalho durante os 5 dias da semana útil de Henry Ford, normalmente em busca de melhores resultados, reconhecimento e, logo, melhor remuneração. Tal atitude resulta em menos tempo para dedicar a si próprio, seus familiares e amigos. Nós do comTijolo somos testemunhas diárias do efeito de tal síndrome: nossa situação atual de trabalho como empreendedores, Kalina com o studio de ilustração kaju.ink e eu, com o laboratório de desenvolvimento AEROGAMI, nos permite trabalhar de qualquer lugar, quando e quanto quisermos. Quando estamos fazendo atividades ao ar livre, nos dias úteis de trabalho, parece que estamos sozinhos neste mundo. Percebemos que a maioria das pessoas estão vivendo somente no curto espaço dos 2 dias que compõe um final de semana, quando aproveitam para viajar para a praia, correr no parque, reunir a família, sair com os amigos, ou simplesmente sentar e não fazer nada no banco da praça. Não é de se admirar que quando chega a noite de domingo, muitos estejam deprimidos e angustiados por mais um iminente ciclo da roda gigante.

metas plausíveis

criar contexto

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Recentemente realizei uma pesquisa de mercado, com amigos e familiares, para um projeto que estávamos pensando em investir na AEROGAMI, minha empresa de softwares e serviços. A intenção do bate-papo era descobrir a metodologia de trabalho de cada indivíduo, que tinham diferentes especialidades profissionais. Um dos resultados mais recorrentes foi que as pessoas costumam criar listas de tarefas ao início de cada dia e/ou semana, riscar as finalizadas durante o decorrer do dia, e passar as incompletas para o dia/semana seguintes. E quase todos confessaram: “sobra sempre mais de um item incompleto”. Não há nada de errado em supra-planejar sua lista de tarefas. Na verdade, esse é um dos fatores que nos incentivam a levantar da cama no dia seguinte, e realizar ainda mais do que ontem. Contudo, precisamos avaliar as implicações desta metodologia em nosso estilo de vida, para encontrarmos maneiras saudáveis e sustentáveis de alcançarmos nossas metas.

A sensação do dever quase cumprido é um dos maiores aditivos a nossa vontade de nos superarmos dia após dia. Talvez, o costume de almejar mais do que podemos realizar seja um método aprendido pela sociedade, que busca a super produção. Certo dia, Sarah Lewis, escritora, historiadora e crítica de arte, que recentemente deu uma TED Talk arrasadora, notou algo curioso em um renomado artista que estava estudando: nem todas as suas obras eram obras-primas. Claro, não é sempre que conseguimos dar o nosso melhor: às vezes estamos com sono, às vezes com fome, em outras brigamos com o namorado/a. Mas talvez, Sarah explica, seja exatamente o quase-sucesso, um dos maiores motivadores para o nosso almejado sucesso. Neste caso, talvez as obras medíocres do artista tenham sido o incentivo que faltava, para ele criar suas obras-primas logo em seguida.

Contudo, nós seres humanos, somos esponjas e queremos absorver sempre mais. Se você alcança uma meta, logo está matutando outra - mais difícil - pra alcançar. Se você comprou um popular, logo logo vai querer um esportivo. Se você foi promovido a coordenador, o diretor que se cuide. Se você come geléia de damasco pela manhã, todos os dias, você vai querer de morango, antes do final da semana. Se você casou-se só com uma mulher, bom, não vai demorar muito pra você começar a olhar pro lado. Quem diz que não, está mentindo. Esta é a nossa natureza, e o instinto de adquirir, conquistar, alcançar, superar, inovar, pulsa por nossas veias em ritmo frenético.

A busca constante pela superação de limites é o que move a engrenagem da evolução desde o tempo das cavernas. Contudo, esta corrida maluca tem consequências diretas em nosso estilo de vida e em nossa saúde física e mental. Se você lista 10 tarefas num dado dia e, por mais que você trabalhe duro, só consiga realizar 8, no dia seguinte, trate de listar apenas 6 novas tarefas, mais as duas incompletas do dia anterior. Exigir além dos seus limites de energia alguns dias é bom para superar obstáculos, mas torna-se uma prática destrutível quando se torna uma metodologia diária de trabalho. A sombra das tarefas incompletas são um peso desnecessário em suas noites de sono. Sonhar com a tela do computador não é muito relaxante, certo? Estresse, cansaço, doenças. Todos já conhecemos essa história, mas às vezes falhamos em perceber que o mesmo pode acontecer com a gente. É preciso portanto, traçar estratégias para alcançar suas metas, sem se perder pelo caminho.

Estabelecer metas plausíveis para o seu dia, por exemplo, pode ser uma boa maneira de começar e logo, aumentar a sua produtividade. Não há nada melhor que estabelecer uma lista puxada, mas possível, e no fim do dia, olhar para todas aqueles itens chatos realizados e os itens incríveis que você criou e pensar: “Foi um dia produtivo, dei o meu melhor e fiz tudo que havia planejado.” E depois, preparar um jantar gostoso e ir dormir satisfeito. Que tal começar amanhã?

níveis de energia

criar contexto

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antes de começar, pare, analise e prepare-se. ( arte na camiseta: Pi Quadrado )

Num desses pergaminhos que são passados de geração em geração - que ganhei de meu avó há muito tempo atrás - li pela primeira vez sobre o autoconhecimento:

“Conhece a ti mesmo, tal qual é.”

Todos nós criamos, por vezes inconscientemente, diretrizes de vida próprias - seja por influência de religião, pais ou experiências tapas-na-cara. Com estas enfrentamos o dia-a-dia da melhor maneira que entendemos: ser honesto; dar o melhor de si; alimentar-se se de forma saudável; fazer exercícios; trabalhar pelo menos 8 horas, cumprimentar os porteiros. Seja lá o que for, você vive o seu cotidiano apoiando-se nestes “códigos de honra” pessoais. Ótimo, mas antes disso tudo, esquecemos de olhar para dentro de nossa existência, e avaliar fisiológicamente nossas predisposições físicas e mentais, para suportar tais diretrizes.

Outro dia, nossa amiga Marcela ( dona da Paperia ), disse: “Eu acho que todas as crianças deveriam aprender, desde pequenas, a tirar um tempinho no dia para ter uma pausa, meditar, planejar os afazeres do dia e pensar sobre a vida.” Nós concordamos plenamente e a frase veio a calhar com o texto de hoje: mesmo que as tarefas de uma criança não passem de brincar de barbie ou escovar os dentes, eles aprenderiam, desde cedo, a conhecer o próprio corpo, energia e disposição para levar o dia.

Tratando de produtividade, a história se repete. Você precisa entender seus níveis de energia durante as horas de um dia, para se organizar e produzir de forma substancial. A maioria dos materias escritos neste assunto falham logo na primeira parte. Não, não existem os “7 passos para ser mais produtivo”, já que o primeiro deveria ser justamente o ponto de partida para definir os outros todos.

O relógio interno de cada indivíduo é diferente e não adianta lutar contra pra seguir passos definidos por outros. A grande maioria dos morcegos são fotosensíveis, e por isso tem hábitos noturnos. Assim como estes, tem pessoas que também o são. Kalina, por exemplo, não funciona durante a madrugada enquanto eu posso trabalhar por horas a fio na calada da noite e produzir muito. Faça testes durante uma semana ( ou mais ), trabalhe em coisas diferentes durante diferentes horas do dia, anote os resultados. Você vai perceber que, talvez você consiga ler mais livros durante o dia do que a noite, ou que consegue responder melhor os e-mails à noite. Ou que está mais criativo durante o chá da tarde. Seja lá o que for, avalie, aprenda e pratique.

A mudança pro apê foi um ótimo começo para avaliarmos nossos níveis de energia de maneira eficaz. Sair da casa dos pais permite automaticamente que você crie seus próprios hábitos e regule seus horários conforme lhe convêm, sem atrapalhar ninguém. Quer trabalhar até às cinco da madrugada, acordar ao meio-dia e comer pizza fria do dia anterior de café da manhã, sair para correr sem roupa com 5 graus de temperatura durante a noite? Você pode. Mas antes de fazê-lo, pense em seus objetivos e encontre as melhores maneiras que o seu corpo e mente podem lhe ajudar a alcançá-los.

Se você leu até aqui, é porque se interessa bastante pelo assunto e alguns exemplos não lhe fariam mal, então aí vai. Aqui no apê e, mais especificamente no meu caso, estou avaliando, desde a mudança no começo do ano, a melhor forma de produzir mais durante um dia, de forma saudável e sustentável. A minha empresa, AEROGAMI, desenvolve softwares de serviços que requerem muitas horas de conceituação, programação e administração. Ao mesmo tempo, produzo material para alguns projetos próprios ou compartilhados, como este blog com a Kalina. Além disto, tenho, como a maioria de nós, todos os compromissos mundanos que habitam nossas agendas. Pois então, o que fazer?

UM DIA QUALQUER NA MINHA AGENDA

Para mim, os dias são parecidos. Semana, meio, fim e feriados. Ter uma empresa requer atenção constante e trabalho redobrado. Ao mesmo tempo, o trabalho é uma extensão da minha diversão e vice-versa. É isso que ganhamos quando amamos o que fazemos. Além disso, se estou do avesso em qualquer dia, posso escolher tirar o dia pra ficar de pernas pro ar e, na contramão, posso escolher tirar o dia para trabalhar dobrado. Tudo é relativo. Uma coisa é certa: meu ritmo acelerado de trabalho na empresa suga muita energia e tive de adaptar meus hábitos alimentares e de exercícios para suportar tal rotina. Por isso, meu dia é moldado e dividido com base nos meus horários de alimentação. Hoje faço assim, mais ou menos, e ainda em testes:

MANHÃ

6:00 - Acordo junto com o sol, já que ainda não temos cortinas decentes e percebi que produzo bem pela manhã e que gosto de ouvir os passarinhos cantando no café da manhã. Apesar de curtir o silêncio da madrugada, percebi que minha saúde estava sendo afetada pelas noites esticadas e a da Kalina também, já que moramos num loft sem divisões ainda, e o fato de eu estar acordado atrapalhava as noites de sono dela. Agora acordo bem cedo, alongo, estico, e planejo o dia.

6:30 - Suco verde e cuidar do verde do nosso apê.

7:00 – Café da manhã reforçado com mamão, mel, aveia e pão com queijo.

7:30 - Algum trabalho relacionado à criatividade produtiva, como escrever um texto para o blog, criar o conceito de algum projeto, produzir o layout de algum software. Aproveitar este momento de serenidade mental, proveniente de uma noite bem dormida, parece ser providencial para minhas criações conceituais e subjetivas.

9:00 – Após a digestão, algum esporte, como corrida ou natação, explorar algum mato, subir em alguma árvore, para aproveitar o sol da manhã. Percebi que fazer exercício pela manhã, para mim, melhora meus níveis de energia durante o dia e diminui a probabilidade de eu pular os exercícios no fim do dia, por cansaço ou qualquer desculpa esfarrapada.

10:30 – Lanche da manhã, fruta + castanhas + carboidrato.

11:00 – Início do trabalho pesado do dia. Aquelas tarefas que precisam de mais energia física e disposição mental. Após o exercício eu tenho uma sustentação de adrenalina, que me ajuda com estas tarefas. Os dias com reuniões fora de casa são geralmente agendadas para esse horário, para evitar o trânsito. Responder e-mails importantes.

TARDE

13:00 – Cozinhar, almoçar.

14:00 – Tirar alguns minutos para digestão e preparação para o trabalho vespertino, seja pasmando olhando pela janela, ou uma leitura leve, ou um livro de referências.

14:30 – Segunda perna dos trabalhos pesados. Códigos de programação, confecção de orçamentos, pagamento de taxas, follow up de clientes, video calls, etc.

17:00 – Lanche da tarde. Carboidrato + vegetais + proteínas e às vezes alguma fruta também.

17:30 – Última perna dos trabalhos. Finalizar ferramentas de algum software, estudar algum conceito novo. Responder e-mails.

NOITE

20:00 – Cozinhar, jantar.

21:00 – Decidi recentemente não trabalhar em nada pesado após o jantar. Assim, consigo desligar e ter uma noite de sono mais tranquila. Hora de relaxar ouvindo um som, tomando um chá, alguma leitura leve, viajar na conceituação de alguma ideia nova. Aqui, faço essas coisas geralmente acompanhado da Kalina.

22:30 – Cama.

Não, eu não sou um robô e meu cotidiano não é sempre igual. Na verdade, minha linha de trabalho me proporciona dias diferentes, todos os dias, e tento adaptá-los a estes parâmetros. Deu para ter uma ideia né? Isto funciona para mim, nesta fase da minha vida. Você é diferente, tem outros objetivos, obrigações e níveis de energia. Vá em frente, experimente, conheça a si mesmo, organize seu próprio dia, produza mais e alcance suas metas.

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10:30 - pãezinhos de batata saindo do forno pro lanche

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17:00 - lanche da tarde com tapioca, queijo branco e mais alguma fruta

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20:00 - jantar com o pãozinho de batata e sopa de abóbora

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produtividade

criar contexto

Regular temposmodernos

sr. chaplin na era da produtividade

Eu sou uma pessoa lenta, desorganizada e perfeccionista - uma combinação trágica. Ao mesmo tempo, tenho ambições que vão além do tangível ao senso comum: tipo mudar a forma como vivemos e nos relacionamos nesse planeta. Ah, tá fácil. Se não consigo nem realizar todas as tarefas cotidianas, profissionais e sociais – algumas aparentemente inúteis como lavar a roupa ou ir ao banco - que almejo durante um dia, como posso estabelecer um ritmo de produtividade acelerado para alcançar objetivos utópicos?

Não posso.

Você aí, que tem os sonhos do tamanho do mundo, assim como nós, e fica frustrado todas as noites por não ter realizado tudo que havia planejado para o dia, para a semana e para o mês - você também não pode.

Este nível de produtividade que tentamos alcançar não existe - é fácil entender o porquê. Desde que espécie humana ligou os neurônios e compreendeu que 1 + 1 = 2, e que se continuarmos somando 1, teremos sempre uma quantidade maior, entramos num ciclo evolutivo regido por apenas uma máxima: Mais - nós queremos sempre mais. Esta ideia pode até, de certa forma, funcionar para a evolução da espécie, mas torna-se um meio destrutivo para um indíviduo realizar suas atividades.

Logo, quando você acaba aquela tarefa chata às 17hrs de uma sexta-feira e percebe que ainda tem um tempinho de sobra, você quer realizar mais – quem sabe você não consegue adiantar o trabalho da segunda-feira ou preparar alguma atividade que tinha planejado só para o final de semana. E o que acontece? Você começa e não termina. Seu tempinho extra se esvai, sua sensação de trabalho cumprido também: olá amiga frustração. Você vai dormir com tarefas na cabeça, seus sonhos são pra lá de malucos, normalmente envolvendo aqueles afazeres inacabados, seu sono é prejudicado e sua manhã, já começa errada.

Diante da frustração, normalmente recorremos a livros, artigos e mentores. Podemos citar inúmeras receitas de sucesso: acordar cedo; fazer exercícios; permitir-se pausas; dormir 8 horas; trabalhar em um ambiente propício; dividir o trabalho em turnos e em categorias -yada yada yada. Embora válidas, estas dicas não fazem milagres e depois de uma semana, você já se embananou todo.

Nem tudo está perdido, amigo, você ainda pode conquistar o mundo.

Kalina e eu estamos tentando, desde que nos mudamos, encontrar juntos uma constância produtiva e saudável no dia a dia. Nós trabalhamos em casa e temos a tendência de querer realizar um pouco demais, todos os dias, inclusive nos finais de semana e também nas férias. Nós temos grandes planos e às vezes nos perdemos na execução dos mesmos, justamente por nos furtarmos daquelas pausas de abstração – as mesmos que nos deram as grandes ideias num primeiro momento. Grande cagada. E que bom, estamos percebendo isso a tempo.

Cada um tem o seu tempo, ritmo e níveis de energia durante o dia. Alguns gostam de trabalhar de manhã cedo, outros de madrugada. Para alguns, a parte criativa demanda mais energia, para outros, as questões técnicas são as mais complicadas. Se há alguma diretriz a ser seguida, talvez seja a de conhecer a si mesmo e realizar suas atividades conforme sua predisposição física e mental. Quando tiver um bom parâmetro do funcionamento da sua máquina interna, pare, avalie e planeje. Neste ponto, não adianta nada saber e pedir demais. Seu dia tem 24 horas, como de todo mundo. Estamos entendendo que para realizar muito a longo prazo, precisamos almejar pouco, a curto prazo.

A ideia parece simples. Conhecer a si mesmo, traçar planos e metas plausíveis, ser constante, achar suas motivações, compreender e alcançar os objetivos no tempo estipulado e ser feliz. Nesta balada, num belo dia, nossos sonhos hão de se tornar realidade. Como estamos no meio de um processo de aprendizado, este é o primeiro texto de uma série dedicada a produtividade. Vamos por a tese à prova e, em breve, traremos mais experiências para compartilhar sobre o assunto.

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