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roteiro ATACAMA

explorar sem parar

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o pôr do sol no valle de la muerte que inspira

A viagem para o deserto do Atacama apareceu de repente, com um grupo de amigas que não conseguia se encontrar há seis anos, nem mesmo em um mesmo ambiente. Estas coisas mais espontâneas e sem ponderar muito é que acontecem de forma mais natural. Dentro de algumas poucas semanas decidimos, compramos passagens e estávamos embarcando para o Chile. Por ser um pouco de última hora acho que não pegamos os melhores valores de passagem (R$1920), mas conseguimos economizar em algumas outras coisas ao longo da viagem para compensar.
Vou compartilhar com vocês as nossas experiências, dia a dia, para inspirar aqueles que pesquisam sobre o destino ou outros que simplesmente estão curiosos com as paisagens.

DIA 01:
VÔO:
Embarcamos para Santiago por volta das 10 da manhã. O vôo São Paulo - Santiago dura em torno de 3h30h a 4h30, dependendo das condições de clima e vento. Em Santiago fizemos escala para Calama, que já fica na região do deserto do Chile. O vôo dura em torno de duas horas. Chegando lá o Mike, criador da agência Ayllu Atacama, nos recebeu com águas geladas.

AGÊNCIA:
Fechamos com a Ayllu quase todos os passeios e transportes. Eles estão no topo da lista entre as 50 e pouco agências que fazem tours no Atacama. Oferecem um serviço de qualidade e atenção. Buscam e deixam no hotel se for necessário e, por focarem no público brasileiro, todos os guias falam português (com um pouco de sotaque, mas já ajuda para aqueles que não se comunicam muito bem no espanhol). Todos os passeios incluem uma refeição, ou até duas, dependendo do período de horas que se passa fora.
Já no primeiro dia fizemos um pequeno tour. A caminho de San Pedro de Atacama, que fica a 106km de Calama, e a 2400m de altitude, paramos no Valle de la Muerte (vale da Morte) para assistir ao nosso primeiro pôr do sol no deserto. Uma parada rápida para nos aclimatizarmos com as belas paisagens e formações.

HOTEL:
Chegando no vilarejo, Mike nos levou para o hotel Poblado Kimal, onde ficamos hospedadas durante 6 noites. São pequenos chalés, bem rústicos e confortáveis, para duas pessoas. No nosso caso pegamos dois chalés com camas de solteiro, mas sabemos que existe a opção de cama de casal também. O hotel é super bem localizado, ao lado da rua principal do vilarejo, e conta com um spa, piscina e restaurante também. Todo o vilarejo é construído de forma bem rústica, utilizando principalmente madeira e adobe (um tijolo de argila). No verão deixa o interior dos lugares mais fresco, e no inverno, com ajuda de lareiras, segura o calor no espaço.
Após fazer o check-in caminhamos até a agência Ayllu, que ficava há algumas quadras do nosso hotel. Por lá, com ajuda da Cindy, montamos todo o roteiro para a semana. Ela também pega dados da saúde e tira a pressão. Como o deserto tem altitude, pode mexer com a saúde de algumas pessoas e a agência precisa estar preparada.

JANTAR:
O jantar foi no restaurante Adobe, na rua principal. Como foi a primeira noite ainda não tínhamos ideia do tamanho de pratos e porções. Mas, parece que as pessoas chegam famintas dos passeios. O que eles chamavam de porção individual alimentava quase três do nosso grupo. E isto não foi apenas neste caso. Por isso, ao entrar nos restaurantes, veja se consegue espiar os pratos nas mesas vizinhas, para entender se consegue aguentar uma porção sozinho ou vai ter que compartilhar, como nós.

DIA 02:
TERMAS DE PURITAMA:
Levantamos cedo e tomamos o café incluso na nossa diária do hotel. O Mike nos buscou, já com um casal na van, e começamos oficialmente os nossos passeios. O primeiro destino foram as Termas de Puritama (PURI = água, TAMA = quente). São oito piscinas, com águas termais com temperatura entre 34 e 38 graus Celsius. A infraestrutura é uma das melhores que pode-se encontrar pelo deserto. Banheiros e vestiários estão disponíveis em todo o percurso. Mas se paga por isso também. São $ 15’000 (pesos chilenos. na época equivalente a aproximadamente R$ 80) Sim, além dos passeios com as agências, muitos lugares cobram entrada para preservar infraestruturas ou a natureza. Chegando lá, a Ayllu ofereceu um roupão para cada. Caminhamos apenas com as nossas máquinas fotográficas em mãos. Passamos de piscina em piscina, e pequenas cachoeiras de água morna. Ao final fomos recepcionados por um grande almoço, com direito a ceviche, vinho e pisco sour com “Rica Rica” (uma plantinha que cresce no deserto).

VALLE DE LA LUNA (vale da Lua):
Depois de um breve passeio pelo vilarejo, seguimos para o passeio da tarde: o Vale da Lua. Seu nome surgiu por sua semelhança com as paisagens do território lunar. As crateras, formações rochosas e sal, constróem a cena. Por ali fomos conferir o Anfiteatro, uma grande rocha em forma dos antigos teatros romanos. E em seguida as Cuevas de Sal Cañon, um pequeno Cânion com cavernas, em meio às formações, que se pode caminhar. É sempre recomendado se ter guias em todos os passeios, mas este é um que é bem sinalizado e pode ser explorado por conta própria. Avistamos algumas pessoas explorando esta região de bicicleta. O problema mesmo é o calor e sol ardente. Lembre da sua água independente do tour que optar. Por ali também existem as esculturas naturais chamadas de três marias. Uma paisagem surreal.

VALLE DE LA MUERTE (vale da morte):
Mais um pôr do sol de cima do Vale da morte. Quando o sol desce, toda a paisagem muda de cor, passando por laranja, vermelho e até um tom de roxo no final. E ai entra a noite, com um céu estrelado de tirar o fôlego. Neste passeio de pôr do sol está sempre incluso um lanche acompanhado de vinho ou pisco sour. Neste passeio parte do grupo não foi, por conta do mal estar da altitude.

ALTITUDE:
A altitude pode mexer com o nosso corpo mais do que imaginamos. Os sintomas geralmente começam a aparecer acima dos 2400m do nível do mar. E manifestam-se de seis a dez horas após a subida. Normalmente desaparecem em um ou dois dias, quando o corpo vai se aclimatizando, mas ocasionalmente podem se desenvolver condições mais graves. Os sintomas incluem fadiga, dores de cabeça, náuseas, tonturas e distúrbios do sono. Os esforços físicos acabam agravando os sintomas. Nos primeiros dias, todas nos sentimos um pouco mais cansadas, mas a Juliana e eu logo nos acostumamos. O primeiro dia foi mais difícil para a Marcela e Cris, mas um bom descanso no hotel ajudou a recuperar as energias. O jantar acabou sendo algo leve por lá mesmo, no restaurante Paacha do Hotel Kimal.

DIA 03:
PIEDRAS ROJAS, SALAR DE TALAR e LAGUNA TUYAITO:
A saída foi bem cedo nesta manhã, em direção a uma formação de rochas conhecida como “Piedras Rojas”, logo ao lado do Salar de Talar. O nome se dá pelo tom avermelhado das rochas, por conta dos mineiras em suas composições. O passeio é mais longo e dura cerca de duas horas. Nos preparamos e levamos as almofadas de pescoço de avião para dormir no caminho. A Ayllu às vezes sai mais cedo do que outras agências, para o grupo ter mais exclusividade nos lugares. Vimos o sol nascer na estrada e estávamos sozinhos nas paisagens maravilhosas do Salar de Talar. Por lá tomamos café da manhã, e quando estávamos entrando no carro, mais 5 chegaram para curtir a paisagem. O timing foi perfeito. Seguimos para A Laguna Tuyaito. Por lá ficamos apenas por alguns instantes, para admirar a bela paisagem de cima. Não se pode mais descer até a lagoa por questões de preservação da natureza. Com a alta rotatividade de turistas os andinos fecharam algumas visitas para preservação do ambiente. Nada mais justo.

XIXI NAS ALTURAS:
A maioria dos passeios no deserto não tem grandes infra estruturas. O deste dia foi um deles. Alguns amigos já haviam nos dado a dica, que abraçamos para não passarmos vontade. O xixi é na natureza, no estilo marcação de território mesmo. Para os homens é sempre mais fácil, mas nós nos preparamos e saímos com um rolo de papel higiênico do hotel e um saquinho que serviu de lixo. A cada parada buscávamos a pedra mais alta a distante do restante do grupo para deixar a nossa marca. Algumas mulheres que nos acompanharam nos passeios se surpreenderam com a nossa preparação e já fizeram o mesmo em outros passeios. Mulherada, fica a dica valiosa!

LAGUNAS ALTIPLANICAS:
A próxima parada foram as lagoas Altiplanicas, que possuem este nome por estarem localizadas no pé de dois vulcões, há 4600m de altitude. A primeira Laguna chama-se Miscanti e a segunda Miñiquez, cada uma correspondente ao seu vulcão, de mesmo nome. Ambas tem lindos tons de azul quando o sol bate. Dentre todos os passeios, na minha opinião, este foi um dos mais belos. A natureza é de tirar o fôlego. Os silêncios que encontramos foram algo de outro mundo também. No caminho cruzamos com as Vicuñas, espécies selvagens que deram origem às Llamas. As Vicuñas são animaizinhos que vivem em harem. (dez fêmeas para um macho alpha) Hoje em dia são protegidas por quase ter entrado em extinção. Caçadores exploram principalmente a pele dos animais, que tem um altíssimo valor no mercado da moda.

BALTINACHE:
O jantar foi em um pequeno restaurante na rua do nosso hotel. Ele havia sido recomendado por um casal de amigos, e recomendo com água na boca. É um pequeno restaurante de família, com apenas seis mesas e um menu degustação. Por conta do espaço limitado e grande procura, é importante fazer reserva, para não dar de cara com a porta. No menu existem sempre duas opções de entrada, prato principal e sobremesa. Por ser uma família local, eles utilizam muitos ingredientes disponíveis na região e fazem misturas saborosas e harmônicas. Foi uma experiência incrível.

DIA 04:
LAGUNA DE QUIPIACO:
O passeio de hoje saiu cedo também, e é o mais longe. As paisagens são belíssimas mas, se o tempo for curto diria para dar preferência para outros destinos. A primeira parada foi a Laguna de Quipiaco, ou a lagoa dos flamingos. Pela primeira vez vi flamingos de perto. Um animal realmente pré-histórico, esquisito e fascinante ao mesmo tempo. Esta área é conhecida como “bofedal”, uma espécie de oásis na altitude, onde existe uma fauna e flora proveniente da água que vem do degelo ou de canais subterrâneos.

MOAI DE TARA:
Mais uma parada em formações rochosas. É estranho como de repente, em meio a muita areia e terra, surgem rochas dos mais variados tamanhos e formatos. A mais conhecida e fotografada é uma que se assemelha a um objeto fálico. Sim, as pessoas param para tirar fotos que elas chamam de engraçadas. Para um olhar mais atento, a ponta da rocha é um rosto de um índio, quase como um grande totem em meio à areia. Nós ao invés de só vê-las de longe, fomos sentar em sua base e escutar o vento que passava e canalizava por ali.

SALAR DE TARA:
Antes de descer até o Salar, onde tivemos o nosso almoço, paramos em um mirante para saber um pouco mais sobre a região. Estávamos sentados na borda de uma grande cratera de um vulcão adormecido há 4 milhões de anos. A cratera tem em torno de 60 x 35km de extensão e está localizada na parte mais larga do chile, com 460km de largura. A água que cria a lagoa e salar, nasce na Bolívia, no cerro de Zapalere, desce pela argentina e chega no chile. O local onde estávamos sentados e ao nosso redor pudemos ver diferentes formações mais firmes, que desenham a cratera. As rochas tem um tom amarelado, ainda do enxofre do vulcão. Foi impressionante ver a dimensão de tudo ali de cima. Uma das vistas mais incríveis que já vi e, novamente, aquele silêncio de tirar o fôlego, ao pensarmos o quão pequenos somos neste mundão.

SAN PEDRO DE ATACAMA:
Ao voltarmos para o vilarejo, de aproximadamente 3000 habitantes, passeamos pelas ruelas pela primeira vez. Com o intuito de conhecer melhor e provar sabores locais, saímos em busca de um sorvete para refrescar a tarde de calor. Encontramos uma pequena lojinha chamada Babalu, com sabores locais, como sorvete de quinoa (que é plantada na região), três leches (um doce típico chileno com cremes e doce de leite), doce de leite, e muitas frutinhas das terras áridas. Conhecemos a praça central, que tem grandes árvores, a igrejinha feita de blocos de adobe (tijolos de argila, lembra?) e um mercado de artesanato (bem turístico com tecidos, llamas de pelúcia e balas de coca para o mal de altitude). No geral as lojinhas tem muitos souvenirs, mas em meio a elas você também pode encontrar pequenos mercadinhos com comidas locais, lojas mais estilosas com peças de roupas e outros objetos de artesãos locais, e as lojas de esportes de aventura. Em último caso, se esqueceu algo para o “look aventura” (como diz a minha amiga Juliana Goes), é sempre possível achar por lá. Marcas como Columbia, North Face, Merrel e outras, marcam presença.

DIA 05:
GEYSERS DEL TATIO:
Este é o passeio que tem que se acordar mais cedo. Para aqueles que tem dificuldade, vão preparando o psicológico. Levantamos às 4 da manhã. Nos preparamos com o café da manhã do hotel para viagem. A maioria dos hotéis no Atacama estão acostumados a estes passeios que saem na madrugada, e você pode avisar na noite anterior, para que eles preparem um lanche “to go”. A conhecida marmita de café da manhã. Entrando na van você observa que todos carregam uma sacolinha com o café da manhã preparado com carinho pelas equipes dos hotéis. Pesquise se o seu hotel também oferece este serviço. É uma mão na roda. A estrada é no escuro, apenas observando as estrelas. Chegando no destino, o sol nasce ao fundo, e os termômetros marcavam dois graus Celsius, a 4200m de altitude. Sim, faz frio e você tem que se prepara! Vestimos todos os casacos, luvas e gorros, e fomos conhecer os Geysers. O ideal é fazer o passeio assim cedo justamente por conta das diferenças de temperatura. A fumaça dos Geysers, que vem do fundo da terra, com cerca de 80 a 100 graus Celsius, tem um choque de temperatura maior pela noite e madrugada, fazendo com que o fenômeno seja mais visível e impressionante. Conforme o dia vai esquentando o nível da fumaça vai diminuindo também. É algo incrível pensar que ali, abaixo dos nossos pés, tem um mundo se mexendo e buscando uma saída para respirar. As águas ricas em enxofre e aquecidas pelas altas temperaturas dos vulcões, buscam uma saída e, onde encontram o solo mais fraco, jorram, em forma de água ou fumaça. É muito interessante de observar, mas dizem que os Geysers na Islândia são muito mais impressionantes, pelos grande edifícios de água que jorram da terra. Por aqui ficamos mais na observação de fumaças e alguns jatos cíclicos de água.

FLORA E FAUNA:
A caminho de volta do povoado pudemos observar todo o caminho que haviamos feito no escuro. Avistamos aves de diferentes espécies, inclusive mais flamingos, as famosas vicuñas e até as llamas encontramos também. Com um guia diferente desta vez, o Pablo, descobrimos um mundo à parte em todas as suas explicações.

ESTAKA:
De volta ao vilarejo, fizemos uma parada rápida para almoçar e nos preparar para o passeio da tarde. Paramos no restaurante Estaka, também na rua principal (não tem como errar). O ambiente simpático, com uma decoração mais moderna e agradável. Pena que ainda estava muito quente para sentar na varanda no fundo, onde a decoração era mais despojada e com uma pegada industrial. Comemos um delicioso ceviche de salmão e um macarrão de arroz com camarões. Os pratos são apresentados de forma super original. Novamente as porcoes são bem grandes, mas neste dia, para repor as energias de um dia que começou bem cedo, pedimos uma porção para cada. Mas é facilmente compartilhável se você não tem muita fome.

LAGUNA CEJAR:
O passeio da tarde englobou algumas lagoas. A primeira, chamada Laguna Piedras, ao lado da Laguna Cejar (proveniente da palavra sobrancelha), onde se pode mergulhar. Ou melhor, boiar. É uma lagoa com altíssima densidade de sal, que o corpo bóia sozinho. Sim, sozinho mesmo! Parece mentira quando falamos assim, mas o corpo flutua sem dificuldade. É possível sentar em posição de meditação, de pernas cruzadas, braços para cima, sem o mínimo esforço. Não se recomenda molhar a cabeça, por conta do sal. Os olhos e outras mucosas podem arder e queimar, e o cabelo ressecar para sempre. Se você tem cortes ou pequenas ferias, prepare-se, vai arder. Ao sair, o corpo está branco, coberto de sal. Por sorte este local, onde se paga em torno de 3000 Pesos Chilenos para entrar, conta com banheiros e chuveiros para tirar o sal. Mas prepare-se para colocar a circulação do corpo para funcionar com a água gelada. Antigamente podia-se mergulhar na própria Laguna Cejar, mas o sal que se acumulou ao longo dos anos formou pequenos cristais que são muito afiados. Por segurança para nós turistas não nos cortarmos inteiros, ela foi fechada para banho.

OJOS DE ATACAMA:
A próxima parada, próxima de lá, é chamado Ojos de Atacama (olhos do atacama - abaixo da sobrancelha - cejar). Duas lagoas, como dois olhos, mais profundas e mais doces, formadas de águas subterrâneas. As bordas são mais altas, então a única forma de entrar é através de um salto, de uma altura aproximada de dois metros, para dentro d’água.

O Pôr do sol, com direito a aula de como fazer um pisco sour, e um lanchinho, foi próximo dali em outra lagoa, com vista para o Lican Kabur, o maior vulcão da região.

DIA 06:
EL TOCO:
Alguns dias antes de viajarmos para o Atacama encontrei com uma amiga que há pouco tempo havia ido, sozinha, fazer esta viagem. Falou que por lá foi inspirada a subir um vulcão inativo e que foi uma de suas experiências inesquecíveis. Quando soube desta aventura, logo lancei no grupo de WhatsApp das amigas viajantes, o desafio. Chegamos no deserto com isto em mente, mas abertas para sentir o nosso dia a dia e vontade de ir atrás disto. Não só fomos atrás, como a vontade cresceu dia a dia e encontramos uma equipe ótima para nos acompanhar. Vou contar mais detalhes, em breve, em um novo posto. Ele (e nós) merecemos um pouco mais de atenção!
Foi uma experiência incrível, inesquecível, e nosso primeiro cume, a 5620m de altitude.

O restante do dia foi bem morto, no sentido quase literal. Não se deve fazer nenhum esforço físico muito grande após se colocar nesta posição de desgaste emocional e físico que é subir uma montanha. Descansamos, nos alimentamos de forma leve, fizemos uma massagem de tecidos profundos, ali mesmo no Spa do hotel, e recuperamos parte das energias. Jantamos em um restaurante chamado BLANCO, também na rua principal. O menu foi variado, entre os gostos do dia. Marcela e eu ficamos no ceviche, enquanto Juliana e Cris dividiram uma pizza.

TOUR ASTRONÔMICO:
O céu no deserto parece despencar sobre você”, foi o que ouvi de uma amiga. Um dos passeios mais esperados era este tal de Tour Astronômico. Existe uma (ou mais) base de observação do céu, onde turistas podem ir observar as estrelas a olho nu e com ajuda de dois tipos de telescópios. Observamos formações, constelações, planetas e a lua. Infelizmente, não tivemos tanto sucesso com “o céu que despenca”, apesar de ter avistado algumas estrelas cadentes. O nosso tour foi o último do mês, por conta da lua que estava se aproximando do estado cheio. Nesta época o céu acaba ficando muito iluminado, dificultando um pouco a visibilidade das outras estrelas e planetas. Foi lindo, mas poderia ter sido mais, se a lua não tivesse brilhado tanto. Vale a pena, mas fique atento ao céu e seu brilho, para conseguir aproveitar ao máximo.

Tantos detalhes, tantas experiências, tantas vivências que ficam no coração e na mente com alegria e saudade. O que levar para o Atacama? Em breve um post com dicas de como fazer a mala para este destino e como se prevenir de mal estares por conta da altitude. Com isto, em breve também, o post completo sobre a nossa experiência de subir a 5620m de altitude, levanto nossos corpos e mentes a extremos que nunca havíamos antes.

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o hotel Poblado Kimal e nossos chalés

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os caminhos entre as piscinas das termas de Puritama

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o almoço nas termas, parte do pacote da Ayllu

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o valle de la luna e suas formações incríveis

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o anfiteatro natural no valle de la luna

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pôr do sol no valle de la muerte, com lanche da tarde e vinho

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piedras rojas, ao lado do salar de talar

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laguna de tuyaito (juliana, kalina, marcela e cris)

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laguna miscanti, no passeio das lagunas altiplanicas

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laguna miscanti, no passeio das lagunas altiplanicas

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a cratera do salar de tara

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paradas estratégicas, e necessárias

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a fauna do deserto

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o vilarejo de san pedro de atavama

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o quintal do restaurante estaka, em san pedro de atacama

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geysers de tatio por volta das 7 da manhã

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Laguna Cejar e Piedras, boiando no sal

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pôr do sol com o Lican Kabur ao fundo

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a íngrime subida do vulcão

os destinos de viagem

explorar sem parar, pensar acordado

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[chammonix, 2013] estar em contato com a natureza...

Desde crianças fomos incentivados a viajarmos sozinhos, ou em grupo, para conhecer novas culturas e vivenciar novas experiências. O Marcos aos 15 anos morou na Nova Zelândia por um ano. Eu fiz minha primeira viagem sozinha aos 10, para passar pouco mais de um mês na Suiça com a minha avó e ir à escola. Nossas famílias nos ensinaram os valores destas experiências e nós os abraçamos com vontade. Desde que nos conhecemos compartilhamos este sonho de constante de desbravar o mundo. A cada dia adicionamos um item na lista de lugares que queremos conhecer. Parte das nossas rendas e economias acabam indo para estes destinos. Sempre gostamos de dizer: “ É para isso que trabalhamos! “

São tantas paisagens, cidades, amigos e familiares para visitar. Mas uma coisa é certa, não somos do tipo de pessoa que gosta de visitar apenas os grandes centros urbanos e conhecidos, aqueles pontos de encontro, quase clichês, de todos que saem de seus países. Isto faz parte da viagem, mas evitamos até onde podemos. Gostamos do desconhecido, dos costumes locais, dos lugares que a sociedade frequenta, sem a presença de muitos de fora. Excursões e pacotes fechados de viagens, definitivamente não fazem parte dos nossos roteiros.

Percebemos que os destinos variam muito com a fase da vida que estamos. Há alguns anos atrás o legal era fazer as famosas “voltas pela europa”. Um mochilão nas costas, quartos em albergues com mais 10, 5 cidades em 10 dias, comidas baratas, para talvez ainda poder arrematar um novo look antes de voltar para casa. Este pique passou, e a necessidade de valorizar um pouco mais o bem estar falam mais alto. Os momentos que vivemos acabam trazendo viagens quase que de forma natural. Amigos com ideias e ideais similares, encontros para comemorações, eventos que não queremos perder.

Quando paramos para pensar, os últimos destinos e os que mais nos inspiram no momento são aquele que, de alguma forma, adicionam ao nosso estado físico e mental. Lugares que instigam as nossas criações e o nosso estado físico. Centros urbanos tem esta força, mas estamos tendendo ainda mais para lugares remotos de natureza que chega a espantar. São nestes lugares que de alguma forma nos conectamos com o nosso interior, com o silêncio, com os nossos pensamentos e projetos. Ao invés de percorrer muitas cidades em poucas noites, a intenção agora é conhecer tão bem o lugar que estamos, que talvez chegue a ser uma imersão.
Depois de escolher o destino partimos para a estadia e alimentação, que talvez antes não estavam no topo da lista. Não precisa ser um hotel de muitas estrelas, nem roteiros que tenham resorts (muito pelo contrário), mas sim um local para chegar no final do dia, com um bom chuveiro e cama, para nós apenas, e não dividir com estranhos que não respeitam a regra do falar baixo, ou arrumar a mala às 3 da manhã com todos os plásticos disponíveis no planeta terra. Um pouco de conforto, é o mínimo. Uma boa alimentação é um ponto tão importante como o chuveiro e a cama. Para conseguir aproveitar ao máximo as nossas estadias, temos que nos alimentar bem. Uma comida barata e ruim pode facilmente estragar alguns dias de viagem. Ao invés de ver lindos pontos, o lugar mais visitado será o quarto e banheiro. Gostamos de conhecer os sabores locais, e com isso buscamos referências de onde comer bem por preços honestos. Nada como saborear os temperos locais de forma agradável e sem preocupações.

O que ver nos lugares? Isso importa realmente? Ao ter esta mente aberta para “sentir o lugar”, não fazemos grandes roteiros dia a dia. Gostamos de viver os momentos, de sentir o que o corpo e mente pedem no dia. Se é dormir até um pouco mais tarde, ou acordar as 4 horas da manhã para ver o nascer do sol de um mirante extravagante. Visitar um, dois ou três bairros, ou apenas caminhar pelo quarteirão da estadia. Estas coisas não são tão importantes, quando a verdadeira intensão é desconectar do cotidiano, e reconectar com o nosso interior e exterior momentâneo.

Já parou para pensar como você planeja as suas viagens? Precisamos realmente ter tudo anotado e definido antes mesmo de sair de casa? Temos espaço para um pouco de espontaneidade? E por quê caminhar pelas ruas principais? Como já escreveu J.R.R. Tolkien: “not all those who wander are lost!” (nem todos que vagueiam estão perdidos.)

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[chammonix, 2013] ...sua extravagancia e silêncio...

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[austrália, 2015]suas cores e composições, simplesmente nos encantam.

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[atacama, 2016] alcançar desafios pessoais...

Regular sam 4836

[atacama, 2016]...nos inspirarmos simplesmente pelo lugar que estamos naquele momento...

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[havaí, 2014] saborear os temperos locais em pequenas lojas....

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[havaí, 2014] estar na presença de pessoas queridas, em silêncio, observando eventos naturais....

viagens BEM acompanhadas

explorar sem parar, ser esponja

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no museu do azulejo em lisboa

Somos do tipo que gosta de fazer economias no dia a dia para poder viajar. Evitamos gastar muito em hábitos consumistas como comprar roupas e outros produtos que não são uma real necessidade do cotidiano. Desta forma focamos a nossa energia e economias em desbravar um novo continente, país ou cidade. Este sonho de conhecer e fazer parte do mundo é algo que compartilhamos desde o dia que nos conhecemos. Sempre conversamos sobre outros povos, línguas e vivências, de como tornar isto parte da nossa realidade, e hoje, depois de quase três pares de anos juntos, podemos dizer que já desbravamos alguns cantos especiais. Quando voltamos de um destino, já pensamos e nos planejamos para um próximo. As viagens podem acontecer a sós, na companhia um do outro ou com outras pessoas também. Viajar pode ser incrível dos dois jeitos, mas é importante saber reconhecer e escolher as companhias ideais. Nem sempre o melhor amigo é um bom companheiro de viagem.

Todos conhecemos pessoas dos mais variados tipos. Cada um com seus hábitos e manias que aplicados ao modo viajante, criam estereótipos. Conhecemos os planejadores excessivos, que querem deixar tudo enquadrado nos mínimos detalhes. Ao chegar no primeiro destino já estão pensando no horário que devem partir para o próximo. Tem também os famosos “turistas”, que não tem tempo ou paciência de pesquisar o destino e montar um roteiro interessante. Estes, em grupo, formam os ônibus turísticos que sem movimentam em bando, param e tiram foto dos pontos principais. Os boêmios economizam na alimentação e nos passeios a museus para poder beber uns drinques extras durante a madrugada. O objetivo é ver o nascer do sol dos mais variados ângulos. Existem também os compradores compulsivos. A viagem se torna o motivo para renovar o guarda-roupa. Ao invés de buscar pelos pontos atrativos das cidades busca pelas lojas e outlets que podem ajudar nesta missão de levar a mala explodindo de volta para casa. Os leitores dos guias Lonely Planet desbravam as cidades como enciclopédias ambulantes, citando datas e acontecimentos para quem quer ouvir, e para quem não quer também. Os alternativos ao extremo são aqueles que não querem ser vistos nos pontos turísticos. Ver a Torre Eiffel para que se posso ver esta pequena loja de discos de vinil e câmeras fotográficas retrô? Não há mal em ser de um ou de outro jeito, de gostar ou admirar a cidade de formas diferentes, o importante é encontrar alguém que seja compatível com a sua forma de viver estes momentos. O desalinhamento neste tipo de vivência causa desconfortos e discussões.

E ai fica a pergunta, que tipo de companhia somos nós? Eu diria que um equilíbrio de algumas características citadas. Somos mais do tipo do dia, que acorda cedo para aproveitá-lo ao máximo. Provável que evitaremos baladas e afins, mas um bom jantar e talvez drinks em algum lugar movimentado nos atrai para caminhar pelas noites e observar o movimento daqueles que saem da toca quando o sol se põe. Ao escolher um destino as vezes já reservamos hospedagens, mas outras vezes, se fazemos uma viagem de carro por exemplo, gostamos de deixar tudo em aberto. Desta forma vamos sentindo cada local e definindo se devemos ficar um pouco mais ou seguir em frente. Isto possibilita uma flexibilidade de acordo com o momento. Se reservarmos a hospedagem, normalmente os passeios ficam em aberto. No dia anterior, à noite, provavelmente durante o jantar, decidiremos o roteiro do dia seguinte. Gostamos de carregar conosco o elemento de improviso e espontaneidade. Por isso também evitamos grandes grupos de turismo e longas filas. Ao visitar destinos gostamos de conhecer os ícones, mas ao mesmo tempo, para chegar lá, gostamos de caminhar pelos entremeios da cidade, passando por pequenos comércios e residências de bairro, observando os moradores fazendo suas rotinas diárias. Aproveitamos para gastar as solas dos sapatos, para de fato sentir o piso, cheiros e barulhos do local. O transporte público (ou privado) entra em ação para distâncias muito longas. Preferimos economizar em compras e investir em boas refeições. Quando chegamos, sentir os sabores locais faz parte dos itens “a serem visitados sempre”. Saímos um pouco da rotina de alimentação para provar salgados, doces e bebidas também. Tudo aquilo que faz parte do paladar e tradição, deve ser provado, mesmo que depois não seja repetido. Ao visitar museus e monumentos, aproveitamos também para ler um pouco sobre a história, imaginar o que se passou ali e entender o porquê aquilo foi construído daquela forma. Isto faz parte do sentir e conhecer.

Já viajamos com diferentes grupos, de diferentes tipos, antes de nos conhecermos e nesta jornada juntos também. Esta viagem para Portugal, nestas últimas duas semanas, apenas reafirmou o quanto a companhia é importante e faz diferença para nós (e acho que para todos). Viajamos com Carol e Marcos, nossos cunhados, e concluímos que a viagem fluiu de forma harmoniosa e interessante. Provamos, discutimos, aprovamos e desaprovamos ruas, museus, monumentos, sabores e movimentos. Para nós, viajar com pessoas funciona como um relacionamento temporário. Nos abrimos para ouvir, compreender e aprender com aqueles que estão nos acompanhando naquele período. Esta foi uma viagem que abriu o olhar para novas ideias, para novos sabores e para uma beleza urbana que cativou o nosso olhar e coração.

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saimos das ruas principais para ver o que os outros não vêem

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mesmo que sem saída, viramos em ruas que ninguém virou

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apreciamos momentos internos em museus e galerias

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entramos em lugares apenas porquê nos chamaram a atenção de fora

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frequentamos mercados para provar os sabores locais

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estamos abertos para novas experiências e conhecimentos sugeridos por outros

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compramos e compartilhamos

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fica a saudade das nossas BOAS companhias em lugares incríveis

enfiando o pé no equilíbrio

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kauai juice co. uma marca de sucos exóticos e orgânicos

A maioria das pessoas, ao entrar de férias, se sente livre para sair da rotina de restrições, comer o que se tem vontade e, na maioria das vezes, “chutar o balde”. Sair de férias quer dizer comer todas aqueles alimentos que normalmente se priva e, ao voltar para casa, se matar um pouco mais na academia para perder todas aquelas gordurinhas a mais. O Marcos e eu já saímos de férias muitas vezes juntos e, na grande maioria delas, emagrecemos. Sim, perdemos peso e/ou ganhamos massa muscular. Ai fica aquela pergunta no ar: “Vocês não aproveitam para comer tudo aquilo que não tem em casa?” a resposta é “SIM, com certeza!”. Não é porque optamos por um estilo de vida saudável que não sentimos prazer em comer, ou que não provamos coisas novas, ou que não saímos para comer fora. Muito pelo contrário! Uma das primeiras coisas que fazemos ao chegar em outra cidade ou país, é ir ao supermercado. Por ali ficamos horas lendo embalagens, conhecendo novos produtos e enchendo o carrinho de guloseimas.

Para muitos viajar para os Estados Unidos é sinônimo de comer hambúrguer, batata frita e refrigerantes, tudo em porções XL (extra large ou extremamente grande). Para nós é viajar para um dos paraísos da alimentação saudável. No mesmo lugar que você encontra tudo do mais industrial, com as maiores quantidades de conservantes e açúcares, você encontra o que há de mais natural. E assim foi a nossa viagem ao Havaí no final de 2014. A companhia ajuda nestes fatores, e neste caso, além de nós dois, estavámos ao lado dos meus pais, irmãs e agregados. E sim, todos apreciam de uma rotina de alimentação saudável e atividades físicas. No total éramos oito pessoas que compartilham a vontade de explorar e experimentar. Idas ao supermercado resultavam em horas pelos corredores, mais alguns minutos para juntar o grupo e um grande carrinho que assustava os caixas quando nos avistavam.

Estes carrinhos gigantes nos sustentavam para cafés da manhã, lanches durante o dia, enquanto estávamos explorando as ilhas, e jantares. No café da manhã cada um preparava o seu: frutas, pães, mingau, sucos verde, e quando havia o interesse um provava do outro. Depois do café da manhã preparávamos uma sacola térmica com frutas (banana, maçã, mixarias e abacaxi local), água, nozes (amêndoas, sementes e macadamias locais) e carboidratos (biscoitos salgados sem glúten, salgadinhos - sim! salgadinhos! - de batata doce, arroz ou milho, assados, orgânicos e sem conservantes). Durante o dia fazíamos os lanches no carro a caminho de novos lugares ou sentados apreciando alguma bela paisagem. O almoço era um pouco mais reforçado e normalmente acontecia em algum lugar no caminho. Uma rápida pesquisa nos livros sobre a ilha ou no tripadvisor, e normalmente eram compostos de misturas leves e locais. O Havaí tem grandes influências orientais então pratos com peixe cru (Ahi, Mahi Mahi, entre outros) são muito comuns. Isto era balanceado com saladas e sucos naturais. Durante a tarde ou de sobremesa nos deliciávamos com os smoothies locais - sucos cremosos e gelados com combinações de ingredientes exóticas. Como os sucos do Kauai Juice Co, ou os smoothes do Healthy Hut por exemplo. De volta em casa cada casal se revezava e aventurava na cozinha para preparar o jantar para o restante do grupo.

Uma alimentação regrada e saudável foi acompanhada de uma rotina (sem rotina) de exercícios. Trilhas, caminhadas, corridas e remadas. Alguns dias não nos movimentamos tanto e o grupo já pensava na próxima atividade que exigisse um pouco mais do corpo. Cada um respeitava o seu corpo e seus limites, mas sempre chegávamos e partíamos como um grupo. O resultado da viagem e deste equilíbrio, mesmo de férias? A descoberta de novos alimentos e novos gostos, o interesse por novas atividades físicas (ou a vontade de praticar com mais frequência) o desenvolvimento de novos músculos e, acima de tudo, uma grande vontade de voltar!

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a alimentação começa no avião: comida especial sem glúten e lanches comprados no aeroporto

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cafés da manhã em família e energia para o dia

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café da manhã de parte do grupo

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aproveitando os produtos locais

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paradas para smoothies (healthy hut)

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conhecendo produtores locais - aqui, um de chá

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dia de chuva também é dia de pic nic

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açai e pitaya em tigelas

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o abacaxi havaiano

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prato típico: poke (espécie de ceviche, mas sem marinar o peixe )

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parada obrigatória em food trucks

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caminhando e explorando a vizinhança

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trilhas

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movimentar-se, não importa como

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remada no mar

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caminhadas

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passeio em grupo pelos rios

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lema que levamos conosco

momentos em família

pensar acordado

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o surf sempre foi um momento com o meu pai. hoje a família toda surfa junta.

Este final de semana, em uma conversa entre amigos, após encerrarmos as comemorações do jogo do brasil contra o chile, um amigo de família fez um breve discurso. John agradeceu a receptividade de todos no condomínio e citou uma história que o Filipe compartilhou com ele mais cedo, no mar, entre ondas. John sentia-se orgulho de ouvir que o Filipe batalhou quando era jovem. Quando ainda morava em Portugal seus pais o enviaram para um intercâmbio na Itália. Administrou mal o seu dinheiro, e as economias que deveriam ter durado seis meses, acabaram nos três primeiros. Para seguir seus estudos e vontades começou a cantar em bares. Filipe retrucou o discurso e disse o quanto gostou do momento que John e seu filho Jonas tiveram no mar. Um momento raro hoje em dia e que deve ser valorizado. Pai e filho trocando histórias, dicas e conselhos, enquanto surfavam juntos. Citou que com seus filhos, que moram ainda em Portugal, preza os momentos à mesa. Todos devem parar aquilo que estão fazendo para o momento da refeição. Disse como vem observando que as famílias tem mais e mais dificuldades para juntar seus filhos em pequenos momentos como estes e que fazem uma grande diferença.

Todos ali presentes pararam por um instante para pensar em suas próprias experiências familiares. Acho que todos já observaram como as crianças são isoladas em um mundo eletrônico. Os brinquedos falam e piscam luzes e exigem que a criança aperte e escolha. Parece que os bebês já nascem sabendo usar uma tela touch e já dançam ao ritmo da Galinha Pintadinha. Os pais usam isto a seu favor. Para momentos de paz e silêncio ligam a TV e o Ipad. Em alguns casos acho que pode ser útil e deve ser usado a favor dos pais, mas parece que a maioria aproveita disto em grande parte do crescimento das crianças, fase na qual a presença dos pais é importante. As crianças criam o vício que a longo prazo não pode ser saudável para os relacionamentos em geral.

Em casa, cada filha (somos três mulheres) tinha aquilo com que se identificava mais com minha mãe e pai. Havia atividades exclusivas com a minha mãe, quando ainda pequenas, como aprendizados na cozinha. Cozinhávamos todas juntas receitas suíças para eventos festivos, brigadeiros para os próprios aniversários, receitas salgadas quando dava vontade de tentar algo diferente. Tínhamos um livro de receitas com imagens que adorávamos. Com o meu pai eram os assuntos mais ligados a esportes, música e mais tarde questões financeiras. Ambos sempre incentivavam o tempo ao ar livre e os brinquedos e brincadeiras que exigiam certa criatividade e atividade. Refeições eram sentadas e, sempre que possível todos juntos no café da manhã e jantar. Televisão durante a semana era proibido e depois evitado por conta própria. Viagens eram uma forma de unir e divertir a família. Viagens para outros países, finais de semana e até mesmo um bate e volta para a praia às 5 da manhã. Hoje vejo que estes momentos, fora de casa, eram os que mais motivavam e uniam a minha família. Caminhadas, tirolezas, escaladas, o surfe, cafés da manhã, almoços e jantares. Ainda hoje, quando cada filha está em um canto do mundo é isto que nos mantém ativos com preparativos e economias durante todo o ano e nos une ao final. A família vai crescendo, com maridos e namorados, mas eles entraram na conta também e fazem parte do movimento.

Eu escolhi ficar no Brasil depois de formada (por enquanto pelo menos) e usufruo destes momentos ainda aos finais de semana. Idas à praia são repletos de pequenos momentos em conjunto. Na sexta a noite, quando não vamos todos em um carro (o Marcos agregado ao barco e amigos muitas vezes também), começamos com um jantar no terraço à luz de velas e vinho. O final de semana começa quando o meu pai desce do seu banho e diz: “Bom, o que vamos tomar?” (Sucos, água, vinho ou caipirinha normalmente são as opções.) No dia seguinte quase todos ao mar. No surf, entre ondas acontecem conversas e troca de dicas: “desceu bem a onda, mas depois do cutback volta pra espuma que a onda está sem força.” Na praia caminhadas com a minha mãe atualizamos os acontecimentos da semana. A preparação do almoço acontece em conjunto. O que vamos comer? (e beber?) Cada um se movimenta naquilo que pode e ao final sentamos todos juntos para mais uma refeição. O mesmo se repete no domingo e ao final do dia, um pouco antes de nos despedirmos a pergunta: “quais os planos para o final de semana que vem?”

Família perfeita? Sem problemas e dores de cabeça? Longe disto, mas pequenos momentos fazem a diferença e nos mantém próximos aos meus pais ainda hoje, trocando informações, experiências, desabafando, pedindo conselhos, ajudando, discutindo e sorrindo. Todos sabemos que isto nos une então fazemos de tudo para eles aconteçam. Os amigos sabem que não é algo que se encontra em todo lugar, compartilham a alegria e como meus pais brincam: “vamos adotando filhos aos finais de semana! (mesmo que já todos mais velhos).”

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um natal em família em algum lugar do mundo

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uma daquelas refeições de final de semana em conjunto

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almoço preparado neste último final de semana com direito a dicas de preparo

desarranjo do arranjado

estar concreto, explorar sem parar

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Decidimos morar juntos quando o Marcos me visitou durante a minha temporada no exterior. Sim, sim, já falamos sobre isso algumas vezes. Os meus planos iniciais eram passar um tempo na Europa e depois seguir para Nova Iorque para fazer um curso ligado a tipografia e design gráfico. Durante a estadia no primeiro destino, percebi que as universidades, para as quais eu tinha interesse de ir, não abririam as inscrições tão cedo. Frustrante para um estudante do exterior. Quando percebi que o tempo ficaria curto para pedir um visto de estudante para morar quatro meses nos Estados Unidos, decidi mudar a passagem e aproveitar o boom de trabalho na Suiça. A perna para Nova Iorque já estava comprada, então decidi, ao mudar a passagem, deixar um tempo suficiente para fazer compras para a nova casa. A casa não existia ainda, mas a vontade de economizar já, desde o início.

Durante as nossas sessões de Skype, Marcos e eu começamos a montar primeiramente uma lista de desejos para a casinha. Quando esta começou a tomar proporções quase que surreais fizemos outra, definindo as prioridades seguindo ordem de necessidade real e em seguida superficial, ou para nós, necessidade de pequenos bon-vivants. Já pensando nas imensas lojas de departamento, separamos a lista por ambiente: cozinha, área de serviço, banheiro, quarto e sala. O Marcos se encarregou de ler e ver reviews comparativos de qualidade e preço dos produtos, para não nos arrependermos das escolhas. Os produtos que não deixavam dúvidas, ou que não seriam encontrados em lojas físicas facilmente, foram pedidos pelo site da Amazon e encaminhados para a casa de amigos onde fiquei locada a primeira semana - thanks again Chris e Miguel pelo delivery e hospedagem super especiais. Sim, organização e eficiência desde o início para economizar ainda mais. O restante foi colocado em outra lista, com preços base de referência, que fui checando durante a minha estadia lá.

Uma vez aterrissando em Nova Iorque, em meio a caminhadas eternas para conhecer e sentir a cidade, a pesquisa de opções de produtos e preços nas lojas físicas começou. Durante a primeira semana mesclei turismo, lazer com Chris e Miguel, e Martina, e pesquisa com fotos e notas com preços para comparar e conversar com o Marcos ao final do dia. Uma vez decidido, durante a segunda semana, que fiquei em um quarto alugado no East Village através do Airbnb, mesclei coordenar o espaço nas malas com as compras. O passeio aconteceu primeiramente em lojas mais baratas como a Century 21 e o TJ Max, para depois passar pela Bed Bath and Beyond e Container Store para encontrar o restante. Pequenas lojas de decoração e multi propósito, como por exemplo a Anthropologie e a Urban Outfitters deram o toque final de charme. A organização foi necessária, pois já vinha da Europa com uma grande mala carregada da vida de meses fora de casa. Dei graças à organização herdada da minha mãe e à habilidade absorvida de inúmeros quebra-cabeças montados durante a infância. Sim, uma mala bem feita deveria ser reconhecida como uma arte! Pronto, falei!

Ao chegar de volta no Brasil desarranjei todo o arranjado para mostrar ao Marcos os achados. Após ver, vibrar e celebrar, tudo voltou para uma grande mala à espera do local perfeito para usá-las. Uma vez no nosso apê, desarranjamos tudo novamente para compartilhar com vocês os nossos achados, separados por ambiente, loja, moeda e valor nas fotos. Ao final do post um vídeo com o nosso desarranjo final (com ótima trilha sonora: DeVotchKa - Charlotte Mittnacht).

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para esquentar e misturar

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para cortar e cozinhar

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para beber, cozinhar e levar

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para levar

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para se deliciar

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para reciclar e plantar

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para secar, lavar e pendurar

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para guardar e assinar

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para aprender e decorar

comTijolo em: desfazendo as malas do exterior

imersão em um novo mundo

explorar sem parar

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chamonix frança 2013. ( foto por Quinza, um viajante que conhecemos pelo caminho. )

Ao voltar das férias, já no carro entre o aeroporto, (rodoviária, ou estação de trem), a caminho de casa começam as típicas perguntas: “Como foi sua viagem?” “Qual lugar mais gostou?” “ O que mais gostou por lá?” Depois de viajar 15 países, 25 cidades, conhecer 12 pessoas ao longo do caminho, sentir 100 cheiros novos, acrescentar 52 novas cores na paleta pessoal e ver 33 paisagens jamais vistas pelos seus olhos, acho um tanto quanto difícil responder estas perguntas. E, para ser sincera, não gosto nem um pouco de ouvi-las (fica a dica). Viajar vai muito além de pegar um voo, um ônibus, um trem, ou qualquer outro meio de transporte, fugir da realidade ou ser apenas mais uma cabeça naquelas excursões pra lá de programadas.

Viajar é uma habilidade que requer prática para despertar um olhar curioso. Valorizamos os pequenos movimentos e momentos, em busca de algo desconhecido, o ato de se perder de propósito, o caminhar sem pressa (embora o caminhar excessivamente lento do Marcos me mantenha, na maioria das vezes, um quarteirão à frente), uma conexão com a cultura local, a tentativa de se comunicar na língua estranha aos nossos ouvidos, a descoberta de lugares secretos, as sensações de cheiros e sabores, a observação de pessoas e ambientes. A viagem se torna uma imersão em um novo mundo. Viajar por apenas um dia, ou semanas, ou meses, tem o poder de nos fazer evoluir, crescer e até desabrochar em sensações, pensamentos e opiniões. As melhores viagens estão relacionadas às experiências vividas.

Este ano eu decidi tentar algo novo, pular a minha cerca do conforto pessoal, e fazer as malas para seis meses longe. Longe dos amigos, de casa, da rotina e do Marcos também. No início foram três meses de primavera e verão (com sensação térmica de outono e verão) na Suíça, que passaram mais lentamente e com um pouco mais de dificuldade por estar longe. Aquele lance de relacionamento a distância sabe? Acho que não preciso dar maiores explicações neste assunto. Para mim cada dia era uma descoberta diferente, um lugar, uma pessoa, viagens para países vizinhos, um possível contato de trabalho e todo aquele tempo ao lado da minha irmã com quem não convivia há anos. Finalmente chegou o dia para a nossa, do Marcos e eu, viagem pela Europa. Ao acordar e pegar o trem para o aeroporto só sentia aquele frio na barriga. O mesmo que ficou ainda mais forte ao ver aquele homem cabeludo saindo do portão depois de uma hora em pé sofrendo sozinha. Uma troca de olhar, um abraço desajeitado e segurar a mão para atravessar a rua. Parecia um sonho desengonçado. No início fica aquele estranhamento no ar, de quem não se vê há tanto tempo, mas logo vai passando ao compartilhar aventuras que ali vivi nos últimos três meses. Um novo mundo de sensações e novidades se abrindo à nossa frente. Depois deste dia, quarenta passaram, pela Suiça, França e Espanha.

Cruzar a Suiça de TGV em direção à Paris (lá onde tomamos esta decisão, a de construir um lar. Romântico não?), alugar um carro e dirigir mais de dois mil quilômetros, passando por Besançon, Genéve, Annecy, Chamonix, diversas cidades charmosas na Provence, Cassis, Le Castelet, Nimes, Castres e a esticada final até Biarritz. Depois disto continuar a aventura de trem, cruzando a fronteira para a Espanha, por cidades aparentemente desabitadas, conhecendo Zaragoza de bicicleta, continuar para Madrid, onde encontramos com amigos para celebrar um casamento especial de outra amiga, a Alexis, e finalmente para Barcelona, o nosso último destino. Resumindo, em torno de vinte novas cidades, três linguas, além do inglês e portugês diários, cheiros diferentes, sensações estranhas, noites bem e mal dormidas, pessoas intersessantes, reviravoltas inesperadas, escolhas impulsivas, comidas sensacionais (a preço de banana diga-se de passagem) e freadas bruscas de carro para apreciar mais um campo de girassóis e lavanda. Aí vem aquela pergunta novamente “Qual lugar mais gostaram?” ou “Do que mais gostaram?”. Difícil dizer não?

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em algum lugar da espanha

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picnic em todas as praças

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um pôr do sol memorável com a companhia da Carol

pulando a cerca

explorar sem parar

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o que existe lá fora?

Já “pulou a cerca” hoje? Todos os dias, todas as pausas do cotidiano de trabalho, adoramos pular e dar uma volta mundo afora, conhecer novos lugares, novas pessoas, experimentar novas coisas. “O Pedro está pulando a cerca!”. “Sei que a Maria pula a cerca!”. Querida, se sua mãe diz que a vizinha é uma galinha que vive pulando a cerca, não sabemos do que se trata, não temos nada a ver com isso e sim, vamos mudar de assunto já-já. Antes que caia duro da cadeira, segure-se, e vamos por partes. Sim, “pular a cerca” é sinônimo de adultério, traição e infidelidade, na linguagem “comum”, mas para nós não necessariamente. Pular a cerca siginifica sair das quatro paredes de nosso lar, explorar novos lugares, novas comidas, conhecer novas pessoas e viver novas aventuras. Separados ou juntos, faz parte da nossa evolução pessoal e como casal, e acreditamos que deveria fazer parte da evolução de todos os indivíduos.

Não tenha medo de escolher um restaurante diferente daquele de toda sexta-feira. “O que vamos comer hoje querida? Temaki ou Pizza como de costume em toda sexta ou domingo da semana paulistana”. Por que não experimentar um Tailandês ou uma comida macrobiótica de tempos em tempos? Ao juntar-se com amigos, ao invés de sentar no buteco que sentaram durante os 4 ou 5 anos de faculdade, cada um levar um quitute de casa e fazerem um pique nique no parque? No exterior é normal, mas por quê aqui não? O que é diferente? Temos praças - ok, nem tantas como mundo afora - mas temos, e por que não usufruir delas? Qualquer pedaço de grama ou banco serve de palco para um encontro memorável. Trabalhar para comprar a última moda,o show que é o hit do momento, o carro que foi lançado. Sim, também gostamos de moda, decoração, música e tecnologia, mas por que não juntar o que sobra, após pagar inúmeras contas e alugueis, para explorar um local desconhecido? Não, não precisa ser algo desconhecido pela humanidade – se bem que nos sentimos bem atraidos por este tipo também – pode ser apenas um local onde você nunca tenha pisado. Pule a cerca de sua comodidade cotidiana e vá explorar o mundo, há um passo dela ou a milhares de quilômetros de distância.

illustrations by kaju.ink
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